O que têm em comum um chiol de cordão, uma gouvete, uma enchó de resineiro ou uma plaina rabo de esquilo? São apenas algumas das ferramentas que podemos encontrar no museu da casa de João Baptista, natural da Sé Nova e residente em Paradela, carpinteiro e coleccionador há 40 anos.

O museu de ferramentas que João Baptista construiu na própria casa.

Filho de pai, de avô e de bisavô carpinteiros, desde muito cedo mergulhou na arte da carpintaria de tal forma que aos dez anos foi chamado pela Telescola da Ourentã para leccionar, na RTP2, a disciplina de “Trabalhos Manuais”. E logo aos 16 anos, embora ainda estivesse a trabalhar com o pai (o que fez até aos 25), formou a sua (actual) empresa, a JOMART.

Diz que não sentiu pressão familiar para continuar a profissão mas que foi sobretudo o gosto e a aptidão que sentia que o fez não só prosseguir a carreira como a colecção de ferramentas de carpintaria.

No museu, que construiu numa sala de sua casa há 20 anos e que pretende ampliar brevemente, podemos encontrar verdadeiras relíquias como a plaina mais pequena do mundo (que os luthiers de violino ainda usam), uma fita métrica com mais de 200 anos (usada na construção de carris ferroviários), uma plaina chinesa (que não se usa no Ocidente) ou a já referida plaina rabo de esquilo, que é a peça mais valiosa que possui no museu (só se fizeram 40 no mundo inteiro!).

João fala com gosto e pormenor de todas aspeças,s de tal forma que o filho mais novo já sabe as histórias de cor e salteado, e foi ele mesmo que nos começou por fazer a visita guiada ao museu. Ouvimos as explicações com toda a atenção, tal o nível de detalhe de cada peça ou conjunto de peças, desde a sua origem (aquisição própria ou através do Clube do Colecionador), a sua idade (algumas com mais de 200 anos) ou o seu valor, seja valor real seja, sobretudo, valor sentimental.

É que cada peça, rigorosamente, cada peça, tem, para João, uma história e é com histórias que se constroem (estas) memórias.

Francisco Soares de Oliveira é natural de Coimbra onde reside há 46 anos. Aspirante a músico nos tempos livres e foodie 24/7, encontrou finalmente na fotografia e no vídeo a sua forma de narrar o pulsar da cidade onde sempre viveu e onde sempre se reencontra. Publica no IG fran_san_ba

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