Depois de estarem quase paradas a maior parte do tempo nos últimos dois anos, as obras na Estrada de Eiras têm avançado um pouco nos últimos tempos.
Fui da Baixa ao Retail Park de Eiras e vi que a Câmara Municipal (CM) de Coimbra retomou os trabalhos na ciclovia e passeios da Estrada de Eiras. Dá dó! Primeiro vejo: dois pedaços de poucas dezenas de metros de ciclovia de pavimento vermelho interrompidos por um pedaço de passeio de dezenas de metros, no lado direito. Depois a ciclovia passa para o lado esquerdo, mas muito mais à frente: dois ou três pedaços de dezenas de metros de ciclovia, com intervalos de dezenas de metros entre si. Já na rotunda, volta a passar para a direita, num pequeno pedaço de poucos metros, sem qualquer valor, para uma rua secundária.
O que temos são mais uns pequenos fragmentos de ciclovia ziguezagueantes e sem continuidade, sem qualquer valor para quem use a bicicleta nessa rua. E, além disso, perigosos, porque implicam que se tenha de atravessar a rua que tem muito movimento de carros.
Ao atravessar em passagem para velocípedes (bem assinalada, verdade seja dita) o utilizador da bicicleta constata que está em cima do passeio e deixa de haver ciclovia (como ilustra a foto em baixo). Até parece que a CM quer promover a circulação de bicicletas em cima do passeio! Note-se que, segundo o Código da Estrada, circular de bicicleta em cima do passeio é ilegal para maiores de 10 anos de idade.

A maior parte das poucas ciclovias que existem em Coimbra são de lazer, em passeios partilhados com peões ou em ruas secundárias ou de pouco interesse para quem usa a bicicleta, várias vezes com trechos de poucas dezenas de metros (por exemplo, junto ao edifício da Segurança Social, na Baixa). E não existem em ruas de tráfego motorizado intenso, que é onde é melhor que haja ciclovias.
Faz falta, em Coimbra, uma Rede de Ciclovias com continuidade entre si. É de seguir o exemplo da Rede de Ciclovias de Valência, em Espanha, por exemplo. Não deve ser em ruas de pouco tráfego motorizado, mas em vias a que chamo de «atravessamento», ou seja, com volume elevado de tráfego e velocidades mais elevadas.
Gostava de ver nascer uma rede de ciclovias de cariz utilitário, com continuidade e bem feita em Coimbra. Segregada em espaços retirados à circulação e estacionamento de automóveis ligeiros e não espaço em passeios de peões. Apesar do Plano de Ciclovia que foi recentemente anunciado e agora em discussão pública – apresentado e discutido de forma bastante próxima à comunidade no passado fim-de-semana -, continuo com muitas dúvidas.
Desespero, agora que estou mais idoso, por ainda não vislumbrar a rede de ciclovias segregadas de que se fala há décadas em Coimbra, proporcionando mais segurança de forma geral a todos e, em especial, maior possibilidade de circulação em bicicleta a crianças, mulheres e idosos, no acesso a serviços e comércio, em deslocações para o trabalho e para as escolas, etc.
A CM de Coimbra fez pouco e maioritariamente mal, quer nos mandatos anteriores quer no atual, mas a ver vamos, como diz o cego?
Paulo A.G. Berardo de Andrade é utilizador de bicicleta em Coimbra desde os anos 70, mestre em Direito do Urbanismo, do Ordenamento do Território e do Ambiente pela Universidade de Coimbra.
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