A passada sexta-feira foi um dia particularmente importante para Coimbra.

Nesse dia foi assinado um acordo entre o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) e a Escola 42. Tal acordo visa a criação de uma licenciatura em Computação e Desenvolvimento de Software, a ser lecionada pelo Coimbra Business School | ISCAC com recurso à plataforma de aprendizagem da 42.

Esta nossa Coimbra de que tanto gostamos tem de investir, investir a sério, na formação de talento! Tem de investir na formação de talento porque tem tudo o que precisa para poder aspirar a ser um sítio mágico, vibrante, próspero, assente na energia e criatividade que emerge naturalmente a partir do talento.

Mas investir a sério em talento não é propalar afirmações presunçosas do género: “Cidade do Conhecimento” ou “Capital não sei de quê”.

Precisamos, em resumo, de talento. Mais talento. Muito mais talento. Precisamos de atrair, formar, reter, talento. Talento diverso, denso, vindo dos mais diversos lugares, ambicioso, exuberante, com vontade de transformar o mundo. Será esse talento que fará de Coimbra um sítio muito especial – um poderosíssimo hub de indústrias criativas, conhecido, reconhecido, admirado, à escala global.

E nesta sexta-feira demos um passo de gigante nessa direcção.

Depois do Tumo, a Escola 42 é a forma certa de perseguir tal visão. Ela trará para Coimbra uma brutal e transformadora máquina de criação de talento.

Temos de ousar apostar em modelos pedagógicos ágeis, flexíveis, escaláveis, inovadores… que possam ir para além, bem para além, do desenvolvimento destas ou daquelas competências estritamente técnicas, e particularmente voláteis.

Numa altura em que a forma como se faz está a mudar a uma velocidade vertiginosa, mais do que “saber fazer” é preciso saber “aprender a saber fazer”.

Mais do que o domínio absoluto de uma qualquer técnica, ferramenta, ou tecnologia, é preciso ensinar quão poderosa é a partilha, a interacção, a comunicação, a empatia, em resumo, o insuperável valor da Inteligência Colectiva.

E essencial para a Inteligência Colectiva é desenvolver em cada um a auto estima, a auto confiança, as referências certas sobre o que podemos dar ao mundo à nossa volta – para que o envolvimento virtuoso no colectivo aconteça de facto, e para que o medo não destrua a ousadia, a criatividade, a vontade de transformar, de disromper, de criar.

E é a isso que o protocolo que agora foi assinado nos permite aspirar.

Falta ainda a aprovação pela A3ES desta nova licenciatura, é certo. Mas acredito que a entidade que é a fiel guardiã da qualidade e eficácia do ensino superior em Portugal saberá reconhecer e apoiar o enorme exemplo em que este acordo se pode constituir, numa altura em que todos reconhecem a necessidade urgente de reinventarmos, refundarmos mesmo, a forma como ensinamos e aprendemos.

Obrigado ao IPC e ao ISCAC. Obrigado à Associação da Escola 42 aqui em PT.
Obrigado pela esperança que nos trazem.

Esperamos agora ansiosamente pelo dia D de uma das mais inovadoras escolas à escala planetária aqui em Coimbra. A primeira em Portugal a conferir um grau.

Pedro Santa Clara (diretor da Escola 42), Alexandre Silva (presidente ISCAC) e Jorge Conde (presidente IPC).

Gonçalo Quadros é fundador e actual Chairman da Critical Software e um dos financiadores da Coimbra Coolectiva 

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Jornalismo de soluções, Coimbra.

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