Quando a Coolectiva arrancou, em Março de 2018, sabíamos que havia espaço em Coimbra para uma revista que se aproximasse das pessoas, que fosse um ponto de encontro de diferentes interesses, de formas distintas de viver a cidade e a região Centro. Quisemos contrariar a ideia de que «não se passa nada» e abandonar aquela atitude que apelidámos de «coimbrite», um vírus que circula há demasiado tempo na cidade, que contamina os nossos dias e a forma como sonhamos o futuro.
Propusemo-nos trabalhar de forma séria e rigorosa mas com uma linguagem acessível, que chegasse a todos — aos mais novos e aos mais velhos, aos mais à esquerda e aos mais à direita, aos que gostam mais de cultura e aos que gostam mais de saber que restaurante abriu portas, aos que apreciam viagens à Coimbra do passado e aos que trabalham para inovar.
Ao longo dos anos, fomos recebendo centenas de mensagens, comentários e críticas dos nossos leitores. Da idosa que ficou com vontade de fazer o roteiro das esplanadas apesar do passo lento ao proprietário do restaurante delirante com o facto de o telefone não parar de tocar desde que publicamos a sua história. Houve quem aplaudisse estarmos à distância de um clique e quem reclamasse a falta de uma edição em papel, os que nos avisaram de eventos e os que esqueceram de que temos uma agenda actualizada com tudo o que se passa na cidade e por perto. A todos respondemos e todos nos fizeram reflectir.
Um dos emails mais marcantes que recebemos na redacção foi de uma família jovem que nos dava conta de ter decidido regressar a Coimbra porque as nossas histórias contribuíram para a reconciliação com esta cidade, de onde este casal tinha saído, zangado com a falta de oportunidades, com a sensação de que os dias não lhes chegavam com esperança. Segundo o que nos contaram, a Coolectiva ajudou a que redescobrissem Coimbra e voltassem a redesenhar um futuro aqui. A semente estava plantada em nós e impregnada no DNA da revista: a comunicação social pode mesmo intervir de forma positiva na vida das pessoas.
Este potencial de transformação, tão entusiasmante quanto real, ganha corpo na renovada Coimbra Coolectiva que agora vos apresentamos. Estamos de volta ao quotidiano dos cidadãos de Coimbra com uma ambição clara: pensar e falar sobre respostas para um concelho mais propício ao desenvolvimento económico, social e ambiental. Vamos atrás de histórias que podem reformular problemas, com uma abordagem que desencadeia uma nova maneira de pensar na própria comunidade e nos decisores públicos.
Vamos falar sobre assuntos mais sérios? Sim, mas sem perder o nosso registo. Acreditamos que, nalguns momentos, talvez consigamos identificar e trazer para a discussão pública estratégias mais eficazes para determinados desafios. Noutros casos, podemos contar como algum problema está a ser resolvido noutro local e que nos pode inspirar um caminho de futuro. Esperamos ainda poder dar voz a ideias poderosas da nossa própria comunidade para que sejam acolhidas e tenham verdadeiro impacto.
A chamada é para todos: não vamos apenas falar para a malha urbana, antes queremos abraçar toda a realidade do concelho de Coimbra que convidamos a subir a bordo da nossa revista para uma viagem transformadora. Quando falamos em participação cívica e em sustentabilidade estamos sempre a falar em pessoas — todos nós, as nossas vidas, o nosso futuro.
Venham daí, contamos convosco nesta Coimbra Coolectiva.

