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Aqui fazem-se retratos à porta da loja para apoiar o comércio local

No início de Maio acrescentámos uma palavra ao nosso dicionário quotidiano: desconfinamento. Como tudo nos últimos meses de pandemia global de Covid-19, ninguém sabia muito bem o que esperar, apenas que havia regras a tentar cumprir, para evitar o contágio, e a necessidade de voltar à normalidade possível – por nós e pela economia nacional. […]

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No início de Maio acrescentámos uma palavra ao nosso dicionário quotidiano: desconfinamento. Como tudo nos últimos meses de pandemia global de Covid-19, ninguém sabia muito bem o que esperar, apenas que havia regras a tentar cumprir, para evitar o contágio, e a necessidade de voltar à normalidade possível – por nós e pela economia nacional.

Sara Vaz, 35 anos, estava a arrancar com o projecto freelance de fotografia de eventos e retratos de famílias, quando a crise do novo coronavírus lhe puxou o tapete. Residente na tranquila São João do Campo, freguesia do concelho de Coimbra, sentiu que ficar em casa de braços cruzados a contar os emails de trabalho cancelado não era para ela. 

Sabia que ia ser uma coisa difícil para todos voltar a confiar, a sair de casa – já ir ao supermercado de máscara tinha sido um filme -, então contei a ideia à minha mãe e fui para a rua, conta. Sara propôs, na página no Facebook da comunidade de São João do Campo, fazer um projecto fotográfico voluntário de incentivo ao comércio local e apelo à população, como agente responsável na promoção e defesa da saúde pública.

Se tiverem algum interesse no projeto, podendo também desta forma incentivar à solidariedade de outras pessoas do concelho, estou ao vosso dispôr, anunciava na rede social. Como nem toda a gente quem tem lojas está no Facebook, a fotógrafa acabou por improvisar. O resultado foram 13 Retratos à Porta da Loja publicados aqui, com os respectivos contactos.

Retratos 

Primeiro foi um cabeleireiro. A reacção foi quase sempre boa, às vezes as pessas só estranhavam estar a fazer algo sem querer nada em troca, então eu explicava que era apenas uma menina da terra que queria ajudar, conta Sara Vaz, ao telefone. Não foi a todo o lado. Evitei quem não estava a cumprir [as orientações da Direcção-Geral da Saúde], porque não me sentia confortável. Não apontei o dedo, pensei antes: Como é que posso fazer isto pela positiva? Somos todos responsáveis, se olharmos uns para os outros ganhamos confiança e podemos ajudarmo-nos mutuamente, continua a fotógrafa. A forma que Sara encontrou foi expor os bons exemplo. Para os primeiros retratos à porta dos estabelecimentos pediu aos comerciantes que tirassem a máscara, para que pudessem ser associados aos espaços. Algumas vezes tive de fazer conversa, fazer as pessoas sorrir, para captar aquele instante preciso, a magia da fotografia é essa. Depois dessa primeira abordagem, regressou para documentar o dia normal de trabalho, sem interferir, e respeitando todas as medidas de segurança.

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Karma

Sara Vaz ofereceu cópias digitais das fotografias a quem alinhou no projecto e os participantes foram partilhando o retorno do projecto nas redes sociais e os contactos que foram recebendo graças à divulgação. Inclusive a fotógrafa. Uma senhora já me fez uma encomenda, de fotografar os netos, o que é muito bom para mim, conta. E os ganhos não são apenas económicos. Alguns comerciantes já eram velhos conhecidos mas havia lojas onde nunca tinha entrado e foi muito bom conhecê-los, acabou por se criar uma dinâmica bonita, mesmo entre eles. Na página do projecto, a autora remata:

“Todos a respeitar as medidas impostas, a respeitar os seus clientes e amigos. Em comum têm um sorriso aberto, a simpatia e a vontade de nos receber! Sejamos também responsáveis, todos a cumprir o que nos é pedido… Não custa nada! Obrigada amigos da minha terra! Força!”

Sara Vaz Fotografia

A generosidade pode mesmo gerar generosidade. Foi com esta frase que terminou a conversa com a Sara, agora de volta à difícil realidade do trabalho independente, fisicamente a partir de São João do Campo, em Coimbra, mas virtualmente com um pé em toda a parte. Para encerrar o círculo, traçamos o retrato dela na Coolectiva.

Formada em Psicologia, Sara Vaz diz que gosta muito de pessoas e soma interessantes experiências profissionais na bagagem. Como a Dona Bicla, o negócio de restauro e personalização de bicicletas, que montou graças às habilidades e interesse pela mecânica passado pelo pai, que tem uma oficina. A paixão pela fotografia levou-a a fazer workshops e formação no CEARTE. Investiu em material e começou a cobrir eventos como baptizados e a apostar na fotografia de família, especialmente grávidas e crianças. O coração agora inclina-se para o documental e, sempre que possível, na Natureza. Os contactos estão na página profissional: Sara Vaz Fotografia.

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: Sara Vaz

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