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Web Summit | Estas ideias inovadoras vêm do Centro de Portugal

6 November 2019; EDP Partner Booth during day two of Web Summit 2019 at the Altice Arena in Lisbon, Portugal. Photo by David Fitzgerald/Web Summit via Sportsfile A Web Summit, em Lisboa, é um dos maiores eventos de empreendimento e tecnologia do mundo. Falámos com responsáveis de algumas empresas da Região Centro presentes no evento. Quais […]

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6 November 2019; EDP Partner Booth during day two of Web Summit 2019 at the Altice Arena in Lisbon, Portugal. Photo by David Fitzgerald/Web Summit via Sportsfile

Web Summit, em Lisboa, é um dos maiores eventos de empreendimento e tecnologia do mundo. Falámos com responsáveis de algumas empresas da Região Centro presentes no evento.

Quais são? O que fazem? Como é que tudo começou? Há vantagens ou desvantagens em criar negócios a partir do Centro do país? Estas foram as respostas da Sizebay, Primelayer, Connect, Sapie e EP Circle.

Sizebay

Morada física: Coimbra, Portugal 

Foi fundada no Brasil em 2015 mas agora está em Coimbra, no Instituto Pedro Nunes (IPN). É uma scale up que fornece soluções de inteligência artificial para o e-commerce de moda com um algoritmo de dedução de medidas corporais e de recomendação e análise de caimento, que sugere o tamanho correto da peça para o consumidor. É um provador virtual, explica Janderson Araujo. Os clientes são lojas virtuais que vendem roupa ou calçado em todo o mundo. A ideia começou lá no Brasil, um dia o meu colega Marcelo teve dificuldade em encontrar uma roupa para a esposa, chegou e a roupa não serviu, deu o maior problema, e foi assim que a gente detectou esse problema e começou a desenvolver essa tecnologia. Depois foram consquistando o mercado e crescendo. Hoje têm um portfolio de mais de 270 clientes e está entre as principais retail techs mundiais. Abriram escritório em Portugal em 2019 e estimam encerrar o ano com um aumento de 75% de faturação em relação ao ano anterior. Para 2020, projectam um crescimento de 150%, alavancado pelo aumento de receitas em moedas fortes. Coimbra é uma cidade maravilhosa, tem tudo o que a gente gosta, é pequena, aconchegante e muito boa mão de obra, diz Janderson. O próprio IPN é um dos melhores e aqui na Web Summit, aliás já ouvi de várias pessoas aqui que é a melhor incubadora do país. Segundo dados divulgados pela Sizebay, 36% da população portuguesa faz compras online e o país ocupou o 3º lugar do ranking de crescimento europeu de e-commerce em 2017, com 23% de expansão. A nível europeu, a receita do e-commerce de moda totalizou 83,3 mil milhões de euros.  

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EP Circle Energy

Morada física: Coimbra, Instituto Pedro Nunes (IPN)

Desenvolveram uma solução para automatizar todo o processo de certificação energética nos edifícios e residências. Hoje é um problema seríssimo na europa onde 50% dos gases de efeito de estufa acontecem por essa ineficiência energética dos prédios, explica o empresário brasileiro Luís Pinheiro que contou que a ideia surgiu de uma tese de um dos sócios, que lançou o desafio e pediu apoio a outros interessados cientistas e professores universitários. É um negócio muito para a frente, por exemplo ao Brasil nem chegou esta obrigatoriedade ainda, mas aqui na Europa já é obrigatório há 10 anos, explica. O responsável diz que os vários elementos da empresa se complementam entre si, dentro dos vários ramos de actividade, e juntos desenvolveram o produto que agora está em fase de angariação de investimento. Precisavamos de amadurecer e transformar isto num produto comercial e viável que ficou pronto recentemente e foi por causa do Web Summit. Jose Pascasio acrescenta que a solução envolve informação via satélite e que o grupo quer lançar-se de Coimbra para a Europa. Apesar de sermos brasileiros não estamos a trazer nada de lá para cá, nasce tudo aqui mesmo. Os profissionais só vêem vantagens em estar em Coimbra, pela pequena escala e proximidade a grandes centros de negócio.

Primelayer

Morada física: Coimbra, Instituto Pedro Nunes (IPN)
Morada online: https://primelayer.pt/

Estão incubados não só no IPN como na Agência Espacial Europeia. A empresa tem 15 anos e nasceu de um outro projecto, um dos primeiros no IPN chamado Pensar Território, e está este ano na Web Summit a lançar um novo produto. A Primelayer faz softwares de apoio à decisão, sobretudo para a protecção civil, baseado em sistemas de informação geográfica, open sources – ou seja, não têm licenciamento, desenvolvem software de código aberto que fornecem aos clientes. Aqui estamos com um produto em que utilizando uma aplicação no smartphone no vidro do carro e os algoritmos de inteligência artificial filmamos a estrada, metemos isto na cloud, o algoritmo de inteligência artificial vai mastigar os dados todos e até 30 dias depois vai devolver a identificação e classificação das patologias das estradas, ou seja, se tem buracos, se tem uma pele de crocodilo, identifica, explica Paulo Pinto. Têm como concorrentes sistemas mais morosos e avaliações subjectivas de técnicos. Nós somos mais baratos, mais competitivos, mais rápidos e, neste momento, o que queremos é trabalhar principalmente em Portugal e Espanha com entidades governamentais que têm competências na gestão e manutenão da rodovia ou empresas de engenharia que têm competências de gestão de autoestradas, continua. A equipa tem 14 pessoas, a maioria com média etária baixa. É aquele tipo de empresas em que ao final da tarde vai beber umas cervejas, às vezes dá para jogar mas quando é para trabalhar estão todos afinados, atira o responsável que está a testar o interesse do produto na Web Summit junto a várias empresas. A Primelayer fornece comunidades intermunicipais, como Viseu Dão Lafões e CIM Região de Coimbra e a ideia é continuar a apostar no local e regional para depois investir na internacionalização, apesar de já estarem em negociações com o governo da Catalunha. Felizmente não estamos em Lisboa, não temos de competir com toda esta malta que debaixo de um vão de escada abre uma empresa e também praticamos preços que são mais baixos – tem naturalmente dificuldades próprias mas hoje em dia se estás ligado à net estás em todo o lado, conclui.

Koonnect

Morada física: Leiria, Portugal
Morada online: https://www.koonnect.com/pt/solucoes/elearning

É um software que tem duas vertentes: dos alunos e das empresas. Serve para gerir formações, sejam presenciais ou de e-learning. Foi completamente desenvolvido por nós, para pequenas e médias empresas, já está implementado numa empresa farmacêutica e um grande grupo de retalho, diz Sérgio Cabecinhas, fundador. É a segunda vez que a empresa está na Web Summit, no ano passado como start up Alfa e este ano já como Beta. Foi muito importante, é difícil chegar à fala com gestores e directores de grandes empresas em Portugal e aqui foi muito mais fácil no mesmo dia gerar 20, 30 ou 40 leads a um custo reduzido, porque tinhamos um apoio para cá estar, diz o responsável. O objectivo do software da Koonnect é ajudar as empresas na integração de novos colaboradores através de formação e-learning e disponibilização de formação sobre a cultura da empresa de uma forma centralizada. Viemos de uma agência de comunicação que desenvolvia websites e lojas online, um cliente da área da segurança um dia pediu-nos para desenvolver uma plataforma de e-learning para dar formação a colaboradores que estavam dispersos pelo país, algo muito simples e intuitivo, conta. Sérgio Cabecinhas diz que não é fácil trabalhar a partir de Leiria por causa da ideia de que não sendo do Porto ou de Lisboa o produto pode ter menos qualidade. O primeiro contacto é difícil mas a partir daí não é uma limitação, assegura.

Sapie

Morada física: 
https://sapie.pt/

É um Sistema de Alerta Precoce do Insucesso Escolar, uma solução tecnológica Simplex focada na prevenção do risco de insucesso e abandono escolar precoce. O projecto foi desenvolvido pela Associação Tempos Brilhantes em parceria com a empresa Educoach, S.A., entidade investidora no âmbito dos Títulos de Impacto Social (TIS), do Portugal Inovação Social. Começou com o desafio lançado dentro da associação de validar cientificamente os projectos que desenvolvemos porque intuitivamente sabemos que eles funcionam, no passa palavra as escolas procuram-nos e encontram diferenciação na nossa abordagem mas precisavamos de algo mais, diz Ricardo Coelho, coordenador de transferência de conhecimento. Quando estamos a falar de inovação estamos a falar de arriscar, por um lado tem de haver uma percepção de onde queremos estar no futuro e por outro esta solidez de pensar que este projecto tem tal impacto, explica. O Sapie foi um dos candidatos do Santa Casa Challenge, da Casa do Impacto da Santa Casa da Misericórdia, e ganhou o 3º prémio precisamente porque anunciava toda uma noção de ser replicável, explica Susana Felício. Foi assim que chegaram ao Web Summit. Este evento tem uma representatividade muito grande, que é chegar a outros investidores, outras comunidades e um conjunto de pessoas que possam fazer mais pela Educação como nós, diz a chefe de operações da Sapie. Ricardo Coealho diz que a cidade de Coimbra reunia todas as condições para que o projecto pudesse surgir, desde a tradição na área da educação à matéria-prima e produção de conhecimento, mas actualmente já 85 agrupamentos de Norte a Sul do país recorrem à plataforma. Independentemente de ter a maior concentração de colaboradores em Coimbra, na região Centro, conseguiu chegar a todo o lado e isso fez-nos acreditar que podemos escalar, remata Susana Felício. 

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