A Everything.fi surge de uma colaboração entre o Núcleo de estudantes de Informática da Associação Académica de Coimbra (NEI/AAC) e a JeKnowledge, a Júnior empresa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC. É uma comunidade que tem o objetivo de fomentar a literacia financeira, focada em difundir conhecimento acerca de finanças pessoais e está a organizar um encontro de dois dias com painéis sobre como gerir orçamentos, o que é uma Fintech, motivações de um investidor, entre outros temas.
Miguel Santana, event planner do Everyhing.fi, que decorre nos dias 5 e 6 de Maio, contou-nos que é uma equipa de 22 estudantes universitários apaixonados por tecnologia e finanças que está a organizar este que será «mais do que um evento, visa ser um movimento que crie uma comunidade» interessada em literacia financeira e investimentos. Apesar de ser, na sua maioria, composta por estudantes universitários do sector da Engenharia, aquilo que os uniu foi o interesse por finanças e «uma certa revolta pela inexistência de soluções em Portugal, principalmente em Coimbra». De forma a obter diversidade na equipa, Santana disse que fez questão de integrar pessoas de diferentes faculdades e cursos da Universidade de Coimbra como Economia, Gestão e Marketing.

Ainda no ano passado, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que Portugal ocupava em 2020 a última posição do ranking de literacia financeira dos 19 países da zona euro e não é difícil perceber que a transparência e a partilha de informação são essenciais para fomentá-la. Foi à conversa com amigos e colegas, sobretudo escutando as suas dúvidas, que Miguel Santana se apercebeu do desconhecimento na área financeira na sua faixa etária. Lucas Anjo, também na organização, foi rápido a dizer que as questões mais frequentes são «como investir, em que investir, no que é que eu posso investir». Os dois repararam que existia «receio» no que toca a estimular a literacia financeira, depois de vários anos de desconhecimento, e «de poder criar algo» seu e ser «financeiramente independente», nas palavras de Miguel Santana, que desde cedo gosta de ser empreendedor.
Estar ligado ao associativismo na Universidade revelou-se uma mais valia já que lhe permitiu fazer contactos valiosos, que o ajudariam a tornar o Everything.Fi uma realidade. Não hesita em dizer que, tal como os outros eventos que organiza, o objetivo é «pôr Coimbra no mapa» e este é um dos primeiros encontros no segmento dirigido aos jovens. À UC Business e Portugal Fintech, juntam-se parcerias com o jornal Eco, a Universidade de Coimbra e a Câmara Municipal de Coimbra, que contam que foi «muito recetiva» e rapidamente se disponibilizou para apoiar o projeto. Todas as entidades envolvidas «validaram a falha que há em Portugal» nestes temas.
As inscrições para o Everything.fi, nos dias 5 e 6 de maio no Exploratório – Centro Ciência Viva de Coimbra, estão abertas. O programa gratuito e aberto a toda a comunidade inclui desde conversas sobre o planeamento de um orçamento, a sessões sobre a diversidade de ativos e criptomoedas, em dois dias de mesas redondas e painéis com a presença de oradores e empresas de várias indústrias, como fintech e web3, bem como com especialistas em literacia financeira e educação. O jovem engenheiro informático reforça que quem quiser pode acompanhar a iniciativa nas redes sociais, onde vão sendo anunciados os convidados.
Mas o Everything.fi vai além do dia 6 de maio. Miguel Santana falou com orgulho do projeto complementar em que está a trabalhar, o podcast Pod-FI dedicado à literacia financeira, que vai servir de «repositório de informação» e já conta com um primeiro episódio. A ideia é expandir as fronteiras do evento físico, tornar o podcast regular e contribuir para a construção da comunidade interessada de que Miguel falava inicialmente. Os organizadores avançaram que querem realizar uma segunda edição do evento, já com outra projeção, e Lucas rematou com alegria que o Everything.fi está em conversas com a Universidade e a autarquia no sentido de desenvolver um projeto piloto de um curso para as escolas secundárias com a marca .fi. Porque, como dizem os jovens universitários, «as finanças não são um bicho de sete cabeças» e devem ser encaradas «como algo normal».
