Contribuir small-arrow
Voltar à home
Informem-se

Metrobus

Conheçam

Petição

Leiam

A opinião de Vasco Paiva

Leiam também

A opinião de Cláudia Cavadas

Manifestem-se

Câmara Municipal de Coimbra

Jacarandás de Coimbra: a resistência é lilás

Sobrevoamos a Rua Lourenço de Almeida Azevedo para captar a beleza dos Jacarandás em perigo: eles podem ser abatidos a qualquer momento.

Partilha

Fotografia: Fábio Pedro (FB_rotors)

Informem-se

Metrobus

Conheçam

Petição

Leiam

A opinião de Vasco Paiva

Leiam também

A opinião de Cláudia Cavadas

Manifestem-se

Câmara Municipal de Coimbra

A Rua Lourenço de Almeida Azevedo começou a ser aberta em 1891 e pavimentada treze anos depois. Esta é uma artéria importante em Coimbra, que liga a Praça da República a Celas e que, entre maio e julho, exibe-se com a floração intensa dos seus Jacarandás que formam um corredor de copa malva, com tons azul-lavanda que se transforma numa profusão de cor lilás.

Coimbra tem cerca de setenta espécies de árvores nos seus arruamentos. Porém, destas, apenas cerca de uma dúzia são nativas de Portugal, as outras são árvores de outras paragens. Foi Félix Avelar Brotero quem trouxe os Jacarandás do Brasil para Portugal, no início do século XIX. Nas terras brasileiras, este naturalista, pai da Botânica em Portugal e que foi lente de Botânica e Agricultura na Universidade de Coimbra, aprendeu com os indígenas que «jacarandá» vem da palavra tupi-guarani «y-acá-ratá» e quer dizer «árvore do centro duro», é das poucas árvores cujo nome se diz da mesma maneira em todo o mundo.

Em Lisboa, Avelar Brotero dirigiu o Jardim Botânico da Ajuda entre 1811 e 1826 e foi aí que plantou as primeiras mudas. Ele foi o responsável pelo início da dispersão do Jacarandá em Portugal porque dava sementes para quem quisesse e a sua preocupação era manter muito bem aclimatadas aquelas primeiras árvores e, assim, poder mostrar aos portugueses a explosão roxa que aquela espécie é capaz de produzir na primavera. Conseguiu.

Mas os Jacarandás de Avelar Brotero não têm tido uma vida fácil. Em Lisboa, Porto e agora Coimbra, as câmaras municipais insistem em abatê-los para priorizar a conveniência e minimizar os transtornos ao trânsito em detrimento dos direitos e necessidades das pessoas.

O debate sobre como equilibrar a proteção dos espaços verdes da cidade com as suas necessidades de transporte intensificou-se em Coimbra. Muitos moradores levantaram-se contra os planos de derrubar os Jacarandás da Rua Lourenço de Almeida Azevedo, como resultado da construção da Estação da Sereia do Metro Mondego, uma das paragens da Linha Av. Aeminium – Hospital Pediátrico da Rede Metrobus.

Na opinião de moradores locais, o corte de árvores em artérias urbanas não dignifica o importante papel deste conjunto de fábricas despoluidoras do ambiente e produtoras de oxigénio, fonte de sombreamento e de matéria orgânica que serve de alimento a muitos seres vivos. Por outro lado, a natureza em contexto urbano é particularmente restauradora, já que proporciona um descanso da atenção direta e forçada que a vida moderna e os ambientes urbanos exigem cada vez mais.

Quisemos captar estes quatro minutos de contemplação da copa das árvores na Rua Lourenço Almeida Azevedo, como celebração silenciosa da natureza, porque a resistência da comunidade cria raízes que merecem ser registadas. Já contámos várias histórias que fogem das árvores: primeiro foram os Plátanos centenários, agora os Jacarandás.

E perguntamos: caminhamos para uma cidade cada vez menos habitável?

Mais Histórias

Cheias no Mondego: «Incúria humana» compromete sistema hidráulico que tem tudo para ser eficaz, defende Seabra Santos

As cheias recentes no Mondego não resultam de falhas técnicas. Diques e barragens eficazes exigem manutenção urgente e a barragem de Girabolhos.

quote-icon
Ler mais small-arrow

Opinião | Dar voz às comunidades para planear o território depois das cheias de 2026

Por Nuno Pinto

quote-icon
Ler mais small-arrow

MENSAGEM CIDADÃ | Viaduto do IC2 sobre o Choupal: diagnóstico certo, solução errada

Por Miguel Dias

quote-icon
Ler mais small-arrow
Contribuir small-arrow

Discover more from Coimbra Coolectiva

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading