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O Mundo em Coimbra | Indonésia

A vida em Coimbra é boa. É simples e relaxada. Do que gosto em Coimbra é a calma. Cresci e vivi em Jacarta, a capital da Indonésia, que é uma cidade com praticamente 20 milhões de pessoas. Normalmente levava duas horas a ir para o trabalho, só por causa do trânsito.

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Fotografia: Mário Canelas

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Em Jacarta tudo precisa de ser rápido e no agora. Em Coimbra, tudo é próximo. Podes levar o teu tempo e não andar sempre com pressa, algo que passei a apreciar bastante. Além disso, como mulher, sinto-me segura em Coimbra. Podes andar à vontade sem te preocupares com assédio na rua.

Durante a semana, trabalho numa empresa tecnológica em Lisboa, mas desde a pandemia estamos a trabalhar a partir de casa. Aos Sábados, vou com o meu marido vender legumes e produtos locais no Mercado do Calhabé. Quando não estou a trabalhar, gosto de cozinha, sair com os meus amigos ou ficar em casa com o meu gato.

Também gosto do tempo em Coimbra. Venho de uma terra tropical, onde o tempo é sempre quente e húmido. Aqui o ar é fresco. Não é tão húmido como a Indonésia. Ainda estou a gostar do Inverno. Não obstante, a minha estação do ano favorita é o Outono.

Claro que há sempre dois lados de tudo. Uma cidade grande, como Jacarta, oferece um conforto diferente. Podes ter qualquer coisa, a qualquer altura, com facilidade. Às vezes sem sequer ter de sair de casa. Consigo ir aos sítios facilmente, mesmo não tendo carro. O transporte público não é muito conveniente, mas leva-te longe. Em Coimbra, ainda tenho dificuldade em fazer coisas. Cada vez que quero ir a algum lado, se o meu marido não me pode levar, tenho de depender de autocarros (com os quais, a maioria das vezes, não se pode contar). E para uma cidade multicultural, Coimbra ainda é estranhamente limitada em opções de alimentação. Apesar de notar que está a ficar melhor, acho que há lugar para crescer.

Provavelmente, a cidade precisa de ser mais aberta e abraçar o multiculturalismo e oferecer mais oportunidades de trabalho a pessoas que não falem português. Um dos meus desafios desde que vivo em Coimbra é arranjar trabalho. Para uma pessoa que fala apenas um português básico (quase nada mesmo), é muito difícil arranjar trabalho aqui. E no final de contas, os lugares que oferecem mais oportunidades de emprego para pessoas que não falem português são as cidades grandes (como Lisboa e Porto). Como no meu caso. Por isso, quando o período de trabalho a partir de casa acabar, posso ter de me mudar para Lisboa para trabalhar. Não estou muito entusiasmada com essa hipótese, mas uma pessoa tem de fazer o que é preciso.

Venho da Indonésia, nascida e crescida em Jacarta. Lá trabalhava como tradutora de legendas numa empresa de localização. Até que um dia decidi mudar-me para outra cidade, Yogyakarta (Java Central). Em Yogyakarta apaixonei-me pela cena artística. Comecei a trabalhar como gerente de um programa de residência artística. Tive a oportunidade de conhecer artistas de todo o mundo. Observar o seu processo criativo, ajudá-los a organizar a exposição e aprender sobre outras culturas através da arte. É um emprego de que gostei mesmo muito.

Então, em Março de 2016, conheci um homem português (que agora é o meu marido), a magia aconteceu e o resto é história. Vim para Coimbra em Dezembro de 2018 e casámos em Janeiro de 2019.

Coimbra é o primeiro sítio além-fronteiras onde vivo. O amor trouxe-me aqui. Vim para Coimbra em Dezembro de 2018 apenas com uma mala e o ukulele. Na altura, pensava que ia voltar à Indonésia três meses depois para tratar do meu visto. Mas, surpreendentemente, o meu pedido de residência correu bem e não precisei de voltar à Indonésia para pedir a prorrogação do visto! Três meses tornaram-se em três anos. Só voltei à Indonésia em Dezembro passado. Vou foi a primeira vez que visitei o meu país depois de vir para Coimbra. Foi a altura perfeita para matar saudades.

Daquilo que tenho saudades é sem dúvida da minha família e amigos. Da familiaridade de tudo. Do lugar onde tenho amigos em todos os sítios a que vou. Da comida — a comida picante. Do conforto do GOJEK. GOJEK é uma daquelas coisas de que mais tenho saudades. É uma aplicação online em que podemos pedir qualquer coisa para nossa casa. Desde táxis online, compras, entregas de comida, serviços de limpeza, serviços de biscates, até massagens! Oh, como tenho saudades de massagens. Na Indonésia, tinha o hábito de fazer massagens pelo menos duas vezes por mês. É tão acessível e fácil de encontrar.

Tenho consciência que nesta vida que escolhi, terei sempre saudades de qualquer coisa. Quando estou aqui, tenho saudades de tudo em casa, e quando estou lá, tenho saudades de tudo daqui.

Aquilo que traria para cá é sem dúvida nenhuma o GOJEK. Não veem como torna a vida mais fácil? Numa nota mais séria, gostava de trazer a minha família e amigos para cá. Acho que eles iam gostar de Coimbra, também!




* Texto originalmente escrito em língua inglesa, traduzido por Ana Sousa Amorim.

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