Olá, meus pantagruélicos coimbrinhas.
Subimos ao topo de Santa Clara – este início não augura nada de bom, mas prometo-vos que assim não será – para nos encontrarmos no espaço que foi em tempo a génese de um dos mais populares restaurantes da cidade, o Cordel.
Agora dá lugar a um espaço renovado, com menos caraterísticas de garagem transformada em restaurante, mais madeirado, confortável e acolhedor. Quem também está a acolher muito bem, é o Mercadona do Atrium Solum, que já iniciou o seu processo de contratação, para aqueles que querem trabalhar de perto com os afamados Gazpachos e Salmorejos.
Inspirou-nos confiança, ao entrarmos, depararmo-nos com duas mesas distintas, ambas folgadamente ocupadas por proprietários de dois dos restaurantes mais concorridos da nossa praça. Não íamos ao engano.
Fogo & Tradição é, acima de tudo, um restaurante de carne, de muito boa carne, de carnes maturadas também. É possível, no entanto, escolher Polvo Grelhado ou Lula na Brasa, mas quem ali vai, tem o seu objetivo bem definido: sentir o odor da carnívora gordura derretida pela brasa.
De entrada cingimo-nos ao habitual couvert e deliciamo-nos ainda com um evolado Presunto de Porco Ibérico. Sabem quando o algodão doce se desfaz na boca?.. Já agora, aproveitem e permitam que o néctar dourado se desfaça também no vosso palato, na 2.ª edição do Strong Beers (Artesanais) que vai decorrer no Mercado Municipal D. Pedro V, de 26 a 28 de janeiro.
Aquando da hora da verdade, a escolha recaiu no Chulleton Simmental 30 Dias – atualmente ao escolher carnes mais parece que estamos a fazer acordos de pagamentos a prazo. Ainda duvidámos sobre o Ribeye Premium, mas optámos por aquele que nos permitiria sobreviver ao mês de janeiro sem a conta a negativos, que para isso já nos chega a chuva.

A carne não veio exatamente como havíamos pedido, que seria no médio, médio-mal. Veio mal, mal-passada, exceção feita às pontas, como é, de resto, inevitável. Apeteceu cantar All My Tears Be Washed Away da Tracy Vandal, que contará com uma matinée de sua autoria, dia 26 na Casa das Artes Bissaya Barreto.
De qualquer forma, visto os comensais serem bom garfo e não se amedrontarem com uma rubescência no alimento, atacámos a peça, que nos surgia com as suas fatias adormecidas umas sobre as outras, à espera de serem suculentamente garfadas.
Estava, deve-se dizer, excecional. O enleado sabor do leve tostado, pincelado com laivos de um quase-fumado da própria carne e natural da maturação. O tenreiro pedaço foi vorazmente consumido. Os acompanhamentos ficaram pela Salada Mista, Ratatouille de Legumes e, a pièce de résistance, um sublime Arroz de Cogumelos.

O final ficou entregue à Torta de Laranja com Gelado de Limão, que cumpriu sublimemente a
sua função. Haverá ainda Tarte de Requeijão e Tarte Tatin de Maçã, para gostos mais refinados.
No cômputo geral, fica uma interessante variedade de carnes que, pela amostra, têm tudo para serem supremas. É ainda a segunda casa que conheço em Coimbra com oferta em carta da proibitiva Wagyu.
No entanto, na hora de escolher, não se esqueçam que o osso também pesa e, como as peças
são vendidas ao quilo, mais leves ficam os bolsos. Demasiado leves.
Pantagruélicas saudações, meus coimbrinhas.

