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A Marionet faz 20 anos e podemos todos soprar-lhe as velas no teatro

Depois de dois adiamentos por causa da pandemia, a Marionet estreia esta 5ª e 6ª feira, no Teatro Académica de Gil Vicente (TAGV), a peça LED — Viagem ao Interior Num Smartphone. Inicialmente era a 3 de Junho, quando fazíamos o 20.º aniversário; depois, em Abril, quando se percebeu que as coisas iam continuar fechadas […]

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Depois de dois adiamentos por causa da pandemia, a Marionet estreia esta 5ª e 6ª feira, no Teatro Académica de Gil Vicente (TAGV), a peça LED — Viagem ao Interior Num Smartphone. Inicialmente era a 3 de Junho, quando fazíamos o 20.º aniversário; depois, em Abril, quando se percebeu que as coisas iam continuar fechadas e nós íamos começar os ensaios o TAGV suspendeu a programação, então marcámos para Janeiro mas fechou tudo a 15 e nós íamos estrear a 28, conta a produtora Francisca Moreira. Tivemos algum azar mas pronto, não somos os únicos.

Quem somos? Para que existimos? E como existimos? LED — Viagem ao Interior Num Smartphone propõe olhar para o ser humano a partir do interior de uma máquina, primeiro um computador e agora um smartphone. Escusado será dizer que a adaptação do original, de 2006, ganhou pertinência. Nunca antes estivemos, em muitas vertentes das nossas vidas – seja no trabalho ou no entretenimento – numa relação tão próxima e permanente com as máquinas.

A Marionet é uma companhia de teatro de Coimbra com um trabalho continuado de cruzamento das artes performativas com a ciência. Está desde o início do ano passado a (tentar) celebrar os 20 anos de vida com 3 espectáculos, entre eles a adaptação de LED, cuja primeira versão também estreou no TAGV e configurou um momento de charneira na estética teatral da companhia e na sua relação com temas científicos. Foi a primeira vez que trabalhámos vídeo, com a Letícia Morais, que utilizou um programa que interage com o som e com o movimento, explica Francisca Moreira.

Mário Montenegro, co-fundador da Marionet, confessa: É um bocadinho surpreendente para mim estar a 20 anos do momento em que decidi com um colega fundar a companhia e ter todo este percurso feito, com todo este futuro à frente também. Ao telefone durante uma pausa nos ensaios, o encenador conta que fundou a Marionet com o actor Nuno Pinto, colega noutra companhia teatral da cidade, A Escola da Noite. A ideia era fazerem o que lhes apetecia mas no segundo espectáculo, A Revolução dos Corpos Celestes, as estrelas alinharam-se e a Ciência entrou na equação para nunca mais sair. 

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Público

Segundo Mário Montenegro, a adesão à peça A Revolução dos Corpos Celestes provocou a sensação de estar a preencher um espaço que não estava preenchido a nível de temática no teatro. Desde então, a companhia tem desenvolvido criações artísticas originais a partir de temas científicos mas também investiga na área da intersecção artes performativas-ciência, promove trabalhos artísticos colaborativos com cientistas, participa em projectos de formação avançada em centros de investigação científica e está envolvida em projectos de ciência participativa. Em 2010, foi selecionada para companhia residente do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, no âmbito do Programa Rede de Residências da DGArtes e Agência Ciência Viva. 

Fizemos um espectáculo sobre a memória e o esquecimento que esteve em cena durante 3 semanas no Centro de Neurociências e Biologia Celular; funcionava em percurso, em diferentes espaços e o público ia fazendo o percurso e conhecendo o espaço, conta Montenegro. Em 2012, iniciou com o Centro de Documentação em Artes Performativas e Ciência um repositório de peças teatrais e ensaios sobre o cruzamento entre as duas áreas do conhecimento e, em 2015, a actividade da companhia foi financiada pelo cientista e escritor norte-americano Carl Djerassi. Mais recentemente, começaram a participar, de raiz, em projectos de investigação científica que incluem a vertente da comunicação de Ciência, uma vez que o teatro tem sido considerado um bom meio de aproximar a Ciência das pessoas e vice-versa, nas palavras de Mário Montenegro.

Espaço 

A Marionet é uma das associações fundadoras da MAFIA – Federação Cultural de Coimbra, uma estrutura criada para resolver problemas de espaço e de equipamento. Foi conseguido algum apoio mas falta à companhia um espaço próprio, com condições para ensaiar e apresentar espectáculos. Acabamos por ter de construir os espectáculos mais na nossa cabeça do que num espaço físico como agora, que estou sentado aqui no TAGV, a ver o cenário da peça que vamos estrear amanhã e nós só chegámos aqui ontem! A Marionet teve apoio sustentado do Ministério da Cultura em 2018 e 2019, mas (inicialmente) não no biénio seguinte. Ficaram na lista dos elegíveis bem pontuados e, graças à extensão dos apoios devido à pandemia de Covid-19, conseguiram afinal receber a verba que lhes permite continuar a actividade. É paradoxal mas [a pandemia]  acabou por funcionar ao contrário para nós, apesar de 2020 ter sido um ano muito complicado, diz Mário Montenegro. A expectativa agora é de ver como é que as pessoas reagem à reabertura destes espaços de cultura, ver se acontece como com as esplanadas.

A Marionet apresentou em Outubro o espectáculo A Máquina dos Sonhos, uma apresentação científica misturada com performance sobre a apneia obstrutiva do sono, tema sobre o qual a companhia vai continuar a debruçar-se, sempre com a nossa ideia de tirar certas temáticas do laboratório e dos espaços de investigação e levá-las ao público em geral. Sinto que estamos a fazer cada vez mais isso, com esta questão da apneia do sono então tem sido extremamente gratificante, diz Francisca Moreira.

A Glândula Secreta, espectáculo mais direccionado para crianças, foi um êxito entre a comunidade escolar e não faltam projectos à companhia que, em Novembro deste ano, (dias 25, 26 e 27) organiza o colóquio Theatre about Science: theory and practice. Por agora, LED — Viagem ao Interior Num Smartphone sobe ao palco do TAGV nos dias 22 e 23 de Abril, às 19h e é acompanhado pela exposição Marionet x 20 — O Futuro é Daqui Para a Frente que podem ver gratuitamente até 14 de Maio na Sala Branca e Café TAGV.

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: Francisca Moreira

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