Terá várias fases de implementação e alguma dose de imprevisibilidade, segundo a organização, uma vez que depende da qualidade dos textos produzidos, que depois podem ou não ser publicados e encenados. O Teatrão, em parceria com o Instituto Camões, quer incentivar/estimular/valorizar a criação textos teatrais inéditos em língua portuguesa a partir do universo da Revolução do 25 de Abril e envolvendo todos os países lusófonos. Os autores candidatos só têm de ter 21 ou mais anos à data de inscrição e residência nos países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Guiné Equatorial.
Explicando que sendo William Shakespeare «o maior expoente e a maior prova da importância da dramaturgia na consolidação de uma língua», convocando também o trio de trágicos gregos, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes como «testemunho da fundação da cultura poética ocidental», o Teatrão acrescenta à lista Anton Tchekov e Bertolt Brecht e constata que, desde tempos imemoriais, a escrita dramatúrgica detetou e antecipou grandes transformações sociais que o mundo viria a sofrer. É esse então o argumento para o concurso inédito.
«O cinquentenário do 25 de abril, como modelo basilar de revolução cidadã, é um marco do ocidente. Neste sentido, continua a ser bandeira e horizonte de utopias, humanidades e solidariedades. A Revolução dos Cravos representa também a refundação de uma lusofonia e o programa Fantasia
Futurista também homenageia a musicalidade da poesia, como senha permanente de outros tempos.»
O ponto de partida do concurso, que se chama «A Fantasia Futurista», é uma sinopse/provocação da autoria do escritor Valério Romão revelada apenas aos inscritos e sob compromisso de sigilo. Partindo dessa sinopse, os participantes têm três meses para desenvolver e entregar dramaturgias complementares e/ou autónomas a partir do texto inicial que depois são analisadas e seleccionadas pelo júri constituído por pelos dramaturgos Valério Romão e Jorge Louraço Figueira, os diretores artísticos do projeto Isabel Craveiro e Marco Antonio Rodrigues e um representante do Instituto Camões.
Uma vez selecionados os argumentos, os autores são convidados a desenvolver as respetivas dramaturgias, com uma bolsa no valor de 250€/mês para cobrir algumas ajudas de custo e o prazo para a entrega dos textos finais é de seis meses. O objetivo é promover a encenação, ou pela própria companhia ou por estruturas associadas, e não fica de fora a hipótese de publicação do resultado deste projeto que é financiado pela Direção Geral das Artes.
