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Martim de Freitas é um «caldo cultural» onde a integração é a regra

De «galinheiro» a exemplo de acolhimento e inclusão, a Escola Básica de Celas que fez 50 anos tem hoje alunos de mais de 20 nacionalidades e contextos socio-económicos e é referenciada para crianças e jovens alunos com transtornos do espectro do autismo.

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Ao longo de meio século, foram milhares os alunos que passaram pela Martim de Freitas. Uma história que começou em 1971 num espaço a que chamavam o «galinheiro», onde está actualmente o parque de estacionamento do Pingo Doce de Celas. Ganhou este nome porque a escola era composta por um conjunto de contentores cercados por uma vedação. «Aquilo visto por quem passava parecia um galinheiro», recorda Filipe Mendonça Ramos, antigo aluno [1983 – 1985], agora proprietário de uma agência de viagens na ilha de São Miguel, nos Açores, e que estudou na Martim de Freitas.


O edifício actual começou a ser utilizado em 1984 e Filipe Mendonça Ramos foi um dos primeiros a frequentá-lo. «Foi uma mudança muito grande. As condições melhoraram bastante em relação ao que havia anteriormente», lembra. A zona envolvente é que tinha pouco a ver com o que é hoje. «Não havia estradas, era tudo lama», afirma, completando que os Hospitais da Universidade de Coimbra ainda estavam em construção.

Quem também se lembra de Celas desse tempo é Salvador Arnaut, gestor de empresas. Já não andou no «galinheiro», mas recorda uma zona envolvente muito longe do que se conhece, entre 1985 e 1987. «Para trás do Mosteiro de Celas não havia nada. Celas ainda não era a zona nobre que é actualmente», recorda. Nas memórias de Salvador Arnaut está uma quinta próxima da escola e um caseiro que não gostava nada que as crianças para lá fossem brincar.


Onde brincavam muito era num descampado junto à escola, onde actualmente estão os centros comerciais Mayflower e Primavera. «Grande parte do tempo era passado lá, sempre a jogar à bola ou a fazer corridas com carros de rolamentos», revela o advogado João Cunha Vaz, sendo essas as maiores memórias que guarda dos dois anos que estudou na Martim de Freitas, de 1976 a 1978. «E lembro-me de professores, como o senhor Vidago e a professora Helena Maranha», conta. Nuno Ventura, 44 anos, engenheiro civil e administrador da consultora de construção TUU, admite já não ter muitas lembranças, mas recorda os jogos de ping-pong nos bancos da escola. «Foram dois anos, já não há assim tantas memórias», completa.

Estas foram as memórias ao longo de cinco décadas. Hoje, a escola cresceu e já tem um campo de jogos onde, no dia da nossa visita, alguns alunos estão a jogar, enquanto outros estão sentados a mexer no telemóvel. Um chuto mais descuidado quase acertou no director, Alberto Barreira, que brincou com a situação. Foi este o cenário que encontrámos na Escola Básica 2,3 Martim de Freitas, um espaço que celebrou 50 anos em 2021 e que, no entender de Barreira, tem na integração dos alunos uma das chaves do sucesso.

Ao todo, a Martim de Freitas tem 1054 alunos, divididos por mais de 20 nacionalidades, «desde China, Bangladesh, Síria, Paquistão, Sudão do Sul. A escola é um autêntico caldo cultural», assegura o director. Já Armando Semedo, presidente do conselho geral da instituição, explica que os alunos nacionais vêm de vários pontos do concelho e até de fora. «Esta escola está numa zona da cidade muito particular. Tem alunos de uma zona nobre, outros de zonas mais problemáticas, outros das aldeias até de fora do distrito, uma vez que são filhos de trabalhadores do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. É uma escola com características muito especiais», lembra.


E como se consegue integrar alunos tão diferentes? Alberto Barreira tem a resposta pronta: «Há duas formas importantes na integração: a primeira é tratar todos com respeito. Outra é o nosso cuidado na constituição das turmas. Não temos a turma dos repetentes ou a dos bem comportados. Queremos que as turmas sejam heterogéneas e fazemos por isso», salienta, destacando um elogio recente vindo de fora. «Recentemente tivemos a visita de professores espanhóis, que ficaram espantados com a forma como integramos os alunos nas turmas», revela. Quanto ao acompanhamento, o director lembra que alunos diferentes têm necessidades diferentes. «Não damos o mesmo a todos. Temos de dar o que cada um precisa. É quase um serviço à la carte. Tentamos permitir a inclusão de todos os alunos», conclui.


A escola acolhe, desde há vários anos, refugiados oriundos de zonas do globo onde há conflitos. Durante a nossa visita, vimos uma aluna ucraniana a ter uma aula de Português. Alberto Barreira sublinha que, ao passar na escola, não encontramos distinção entre estes alunos e todos os outros. «Alguns estão cá há 3 anos e são os que estão a acolher os novos. Dou-vos um exemplo: há um sírio que está cá desde 2019 e está a ser o parceiro de integração de um iraniano que chegou agora», aponta. Uma procura grande é por parte de investigadores da Universidade de Coimbra, que querem matricular os filhos. «Sabemos que a escola está referenciada», justifica o director.

A dedicação à Educação Especial

A EB 2,3 Martim de Freitas é uma escola referenciada para alunos com transtornos do espectro do autismo, aos quais é dada uma atenção especial. Têm uma sala de actividades dedicada, que frequentam  para além das aulas normais. «Estes alunos já vieram da Escola do 1º Ciclo de Coselhas, que também pertence ao nosso agrupamento. Estão connosco desde os 6 anos», como sublinha o director da escola. Completa ainda que os colegas são os primeiros a ajudá-los em caso de dificuldades.

Sintonia com os pais e alunos reivindicativos

Armando Semedo lembra que a escola é muito mais do que o que se cinge às quatro paredes do estabelecimento de ensino, havendo uma preocupação com o percurso do aluno, mesmo depois de sair da escola. Quer o presidente do Conselho Geral quer o director destacam que um factor importante é a inclusão dos pais dos alunos. No final do ano lectivo, por exemplo, há um dia aberto com dezenas de actividades organizadas por eles

Semedo continua dizendo que «a escola não é uma ilha, não pode ficar isolada do resto do mundo», e enumerando as parcerias que a Martim de Freitas tem com várias entidades como a Critical Software, o Instituto de Ciências Neurológicas Aplicadas à Saúde ou o Centro Ciência Viva, que desenvolvem regularmente actividades na escola.


Estas actividades, para o director e o presidente do conselho geral, contribuem para a formação cívica dos alunos. «E eles são bem reivindicativos», aponta Alberto Barreira. Como exemplo, destaca o Orçamento Participativo, em que os delegados e sub-delegados de turma apresentam propostas de melhoramento da escola num valor até 500 euros. «Para além disso, todos apresentam o que acham que está bem e o que está menos bem na escola, e temos tido algumas apreciações bastante interessantes», revela.

Festejos em período difícil

O semblante de Alberto Barreira torna-se mais carregado quando falamos dos últimos dois anos lectivos, período em que o mundo se viu a braços com a pandemia de Covid-19. Um período que devia ter sido de festa para a Martim de Freitas, uma vez que comemorou o 50º aniversário nessa altura.

«A pandemia foi um desafio que só a História ajudará a perceber. Nenhuma instituição estava preparada para o ensino à distância e, numa semana, alterámos práticas pedagógicas com mais de meio século. Distribuímos 150 computadores e demos formação a professores que nunca tinham feito uma videochamada», conta. Alerta ainda para as consequências que este período tem nos alunos, que terão de ser compensados com acompanhamento mais próximo e um ensino mais individualizado. «Os alunos aprenderam menos e pior, porque a casa não é a escola e os pais não são os professores», entende.

Apesar da dificuldade do período, os 50 anos da EB 2.3 Martim de Freitas ainda foram marcados com o lançamento de uma edição especial da sua revista, Artefactos, que contou com testemunhos de antigos professores e alunos, e com a inauguração da nova sala de ginástica, num espaço junto ao Pavilhão que era uma antiga lixeira.

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