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ACADEMIA STORIES | Cientistas estudam o impacto das tempestades solares na rede eléctrica de Portugal

As correntes elétricas geradas pelas tempestades geomagnéticas (variações bruscas do campo magnético da terra com origem em tempestades solares) podem causar perturbações na rede elétrica de Portugal? Para responder a esta questão, primeiro é necessário medir essas correntes, as designadas GICs (do inglês Geomagnetic Induced Currents). Calcular, medir e monitorizar a amplitude destas correntes geomagnéticas […]

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Fotografia: Unsplash/Caglar Oskay, Chorom Park, NASA, Robert T

As correntes elétricas geradas pelas tempestades geomagnéticas (variações bruscas do campo magnético da terra com origem em tempestades solares) podem causar perturbações na rede elétrica de Portugal? Para responder a esta questão, primeiro é necessário medir essas correntes, as designadas GICs (do inglês Geomagnetic Induced Currents). Calcular, medir e monitorizar a amplitude destas correntes geomagnéticas induzidas em Portugal é o objetivo principal do projeto MAG-GIC: correntes induzidas pelo campo geomagnético no território português.

Trata-se do primeiro estudo do género no país, que junta uma dezena de investigadores de dois centros de investigação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), nomeadamente o Centro de Investigação da Terra e do Espaço (CITEUC) e o Laboratório de Instrumentação, Engenharia Biomédica e Física da Radiação (LIBPhys-UC). Conta ainda com a importante colaboração de investigadores do Instituto Dom Luiz, em Lisboa, e de engenheiros da REN – Redes Energéticas Nacionais.

Durante dois anos, a equipa liderada por Alexandra Pais, docente do Departamento de Física da FCTUC e investigadora do CITEUC, trabalhou no cálculo numérico das GICs. Para isso, houve necessidade de recolher informação sobre as caraterísticas da rede de transporte de energia e fazer medições geofísicas que permitiram calcular a condutividade da litosfera na região de Portugal continental. Depois, para testar os valores de GICs calculados, procurou-se compará-los com observações. Para conseguir efetuar medições de GICs, a equipa contou com investigadores do LIBPhys-UC, onde se desenvolveu um sistema de aquisição, análise e registo dos dados, com acesso remoto.

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O sistema agora instalado na subestação de Paraimo (Aveiro), com a ajuda dos engenheiros e técnicos da REN, mede continuamente as correntes induzidas pelas flutuações de campo magnético terrestre nas linhas de muito alta tensão, permitindo a sua monitorização em tempo real e de forma remota, e procura compreender qual o efeito das perturbações do campo magnético terrestre, causadas por tempestades solares, na rede elétrica gerida pela REN, explica Alexandra Pais.

As tempestades geomagnéticas são originadas pela atividade do Sol.  De tempos a tempos são emitidas para o espaço interplanetário nuvens de plasma que, chegando próximo da Terra, interagem com o seu campo magnético. Durante estas tempestades, «ocorrem variações rápidas do campo magnético da Terra, provocadas por correntes elétricas de intensidade da ordem de milhões de amperes. Estas correntes circulam muito acima da superfície da Terra, numa região designada por magnetosfera. Os seus efeitos são, porém, mensuráveis à superfície, concretamente no observatório magnético de Coimbra», esclarece a docente do Departamento de Física da FCTUC.

Ao longo do projeto MAG-GIC, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a decorrer de 2018 a 2022, calculámos a distribuição de GICs nas subestações da rede elétrica da REN, ao mesmo tempo que identificámos os fatores a que os valores estimados são especialmente sensíveis, acrescenta. As medições que estão agora a ser realizadas no âmbito do projeto são essenciais para confirmar quais são os efeitos da meteorologia espacial (Space Weather) na rede nacional de transporte de energia. Por isso, adianta Alexandra Pais, o passo seguinte da investigação será perceber como é que estas correntes afetam individualmente os diferentes elementos do circuito elétrico, em particular os transformadores das subestações da REN.

Esperamos no futuro poder dar continuidade ao trabalho desenvolvido, instalando mais sensores, como o de Paraimo, noutras subestações da REN, conclui.

Mais informação sobre o projeto MAG-GIC está disponível aqui.

*A Autora escreve com o Novo Acordo Ortográfico

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