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Até o vento vai cantar Sons da Cidade no fim-de-semana de São João

Foto de João Duarte Imaginem um excerto de um poema de Herberto Hélder. Ou Miguel Torga, ou Ruy Belo. Imaginem que esse poema é cantado – ou dito, ou assobiado -, enquanto percorrem as rua dos Palácios Confusos, com o gato que se esconde debaixo do carro, a estudante que fuma um cigarro à janela […]

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Foto de João Duarte

Imaginem um excerto de um poema de Herberto Hélder. Ou Miguel Torga, ou Ruy Belo. Imaginem que esse poema é cantado – ou dito, ou assobiado -, enquanto percorrem as rua dos Palácios Confusos, com o gato que se esconde debaixo do carro, a estudante que fuma um cigarro à janela e a velhinha que põe o lixo à porta. Imaginem uma ideia, a ideia de convidar as pessoas em Coimbra, não necessariamente de Coimbra, não necessariamente de Portugal sequer, convidar essas pessoas para aprenderem a respirar, aprenderem a usar a voz, aprenderem a analisar um poema e depois contá-lo, contá-lo ou cantá-lo, ou então encantá-lo, a Coimbra. A performance deambulatória Já Só o Vento Canta, de Américo Rodrigues, é um dos destaques do Sons da Cidade 2018.

Foi um desafio muito grande que me foi proposto, mas posso dizer que desde logo soube que queria fazer algo com a comunidade, contou-nos o poeta, encenador e artista multifacetado da Guarda. Em Janeiro, foi lançada uma convocatória pública para quem quisesse participar no “coro heterodoxo” de Já Só o Vento Canta, com base em textos de poetas ligados à cidade como Herberto Hélder, Fernando Assiz Pacheco, Manuel Silva Terra e Ruy Belo. Mais de duas dezenas  de pessoas, entre elas estudantes de doutoramento e estrangeiros, responderam ao chamado, e foram preparadas com formações de dicção, voz e expressão corporal. É o que me agrada mais, foi durante meses ir trabalhando com pessoas que nunca tinham trabalhado a voz, vencer dificuldades, e enquanto isso eu próprio conheci recantos de Coimbra que desconhecia completamente. Foi um processo em que as pessoas aprenderam – por exemplo, a respirar e a analisar poesia -, e é o que fica quando isto terminar, é o processo. O espectáculo surpreendente, nas palavras do criador, vai contar com a participação do actor José Neves e da cantora Vânia Couto, e pode ser visto nos dias 23 e 24 de Junho a partir das 18h30.

Mas esta é apenas a ponta do icebergue do Sons da Cidade 2018, a iniciativa que celebra a inscrição da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia na lista do Património Mundial da UNESCO. Neste que é o 5º ano do evento, a Universidade de Coimbra (UC), a Câmara Municipal de Coimbra, o Jazz ao Centro Clube,  a Direcção Regional da Cultura do Centro e o Turismo do Centro de Portugal quiseram promover a reflexão e intervenção artística. Posto isto, entre 22 e 24 de Junho, o património classificado convida a uma (re)descoberta dos espaços cruzando vários patrimónios, da língua à música, da imagem à palavra, propondo novas leituras da cidade. 

Desde a Praça do Comércio, onde vai acontecer a criação musical ECOimbra, de Carlos Alberto Augusto, até à Rua da Sofia, com o ensaio corrido do espectáculo Sofia Meu Amor, passando pelo Jardim Botânico e a peça Jungle Red, de Carlota Lagido – também conversas e apresentações várias -, e o Pavilhão de Portugal, onde vai ser feita uma caminhada inclusiva, Recriar Caminhos. Ainda na Baixa, o Largo do Poço vai receber uma Festa Joanina organizada pela Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros (APEB), juntamente com a Secção de Escrita e Leitura da Associação Académica de Coimbra, e uma novidade: a Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC) preparou um Roteiro Gastronómico SONS DA CIDADE, para os restaurantes, pastelarias e cafés do Centro Histórico se juntarem à festa.

Na hora da despedida, quem (en)canta é, mais uma vez, a Embaixadora da Língua Portuguesa da Universidade de Coimbra, Adriana Calcanhoto, ou devemos dizer A Mulher do Pau Brasil. Sobe ao palco do Teatro Académico Gil Vicente com Grabriel Muzak e Ricardo Dias às 21h30 do dia 24, com um concerto inspirado nas próprias experiências da cantora na UC e o movimento modernista brasileiro dos anos 20.

Só este último espectáculo e a Festa Joanina é que são pagos, todos os outros eventos do programa são gratuitosPodem ver em detalhe e ir acompanhando aqui.

 

22/23/24 JUNHO | SONS DA CIDADE 
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