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Era uma vez 4 Capuchinhas e uma marca de roupa de encantar

Há 31 anos, Ester e Henriqueta, da Serra do Montemuro, viajaram até ao Porto para fazer uma formação de corte e costura e outra criação do próprio emprego, na altura através da Comissão da Condição Feminina. Tinham 18 anos e a terra natal não tinha grande tradição de emigração. Queriam ficar mas também queriam trabalhar […]

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Há 31 anos, Ester e Henriqueta, da Serra do Montemuro, viajaram até ao Porto para fazer uma formação de corte e costura e outra criação do próprio emprego, na altura através da Comissão da Condição Feminina. Tinham 18 anos e a terra natal não tinha grande tradição de emigração. Queriam ficar mas também queriam trabalhar e resolveram aproveitar as técnicas, os saberes e as matérias primas da terra natal para o fazer. Aprendemos comercialização, design e a parte de contabilidade, um bocadinho de tudo, conta Ester. Foi assim que nasceram as Capuchinhas, marca inspirada na capucha que é a capa castanha tradicional da serra. 

Com o apoio de amigos e familiares, as artesãs começaram por fazer fatos para os ranchos locais e depois passaram a inovar e a usar o burel para fazer casacos e outras roupas mais modernas. Fomos buscar os saberes às nossas mães e depois trouxemo-las para cá para nos ajudarem, elas é que eras as pioneiras, as grandes tecedeiras. Agora têm uma colecção Primavera/Verão e Outono/Inverno em burel, linho, lã tecida em tear manual e malhas e vendem online aqui. Visitámos Ester, Henriqueta, Engrácia e Isabel que este ano estão pela primeira vez representadas na gigante L’artigiano in Fiera de Milão, com o apoio da Câmara Municipal de Castro Daire. 

Roupas

Sendo modernas, as peças têm sempre um ar rústico e muitas vezes os padrões e cores vão buscá-los à natureza. Às árvores, às pedras, ao musgo. As pessoas olham e associam às peças antigas, diz Ester, orgulhosa com a presença na feira de Milão, ma non troppo. Esperamos que corra bem mas sabemos que hoje em dias as pessoas vão muito ao artesanato mas não é para comprar, é para dar uma volta. As Capuchinhas trabalham com lã natural da Serra da Estrela que tingem com líquen das árvores, barbas dos carvalhos, entre outros recursos 100‰ naturais. Esta aqui castanha é folha de nogueira e esta é amora, aponta Engrácia, que posou para nós com uma capucha vestida para demonstrar. Para um kilo de lã temos que arranjar 2 kilos de folhas para fazer nos fornos a lenha, ferver lentamente durante 1 hora e meio, depois fica em repouco durante a noite e no dia seguinte lavamos e secamos. Onde foram buscar as fórmulas? Os nossos pais já faziam, as meias dos homens eram brancas, sujavam-se muito e as mulheres tingiam-nas (risos). Mas há mais, a folha tem de ser apanhada na altura da queda mas não pode estar nem muito seca nem muito verde. A peça mais cara é um sobretudos que demora 4 a 5 dias a fazer e custa 400€. Podem deliciar-se com os modelos todos aqui, assinados pela estilista Paula Caria. 

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Cooperativa Capuchinhas CRL

São 6 sócias mas uma é a mãe de Ester que já se retirou do ofício por motivos de saúde. Trabalham numa antiga escola mesmo à porta da aldeia de Campo Benfeito e devidamente sinalizada, como se vê na imagem. A maior parte das vendas as Capuchinhas fazem-nas directamente na própria loja/ateliê durante todo o ano. Das 9h às 12h30 e das 13h30 às 18h trabalham e atendem o público, mostram modelos e tiram medidas aos interessados para fazer modelos por medida. Temos que aproveitar esta altura porque de Janeiro a Junho são meses mais mortos em que vendemos menos e produzimos mais, as horas que for preciso, dependendo das encomendas. Também têm representações em lojas de Lisboa, na Nazaré e outras localidades. 

Futuro

A filha de Isabel, a tecedeira, tem 9 anos e já tem o próprio mini-tear. Adora e gosta muito de vestir as peças das capuchinhas, todos os anos temos de fazer peças para ela de linho, agora não sei se quando crescer vai querer estar aqui, conta Isabel. A artesã diz que o interesse das novas gerações é pouco, quando escolas as visitam as crianças reclamam. Dizem que o trabalho é parado e demasiado minucioso. É preciso bastante amor à arte porque se trabalha muito e nem sempre se é recompensado da maneira que devia ser, mas fazemos um trabalho que gostamos, criámos o nosso próprio emprego e demos trabalho às nossas mães, atira Ester. Há 30 anos era bastante importante as mulheres ganharem o seu dinheiro, seja muito ou seja pouco, recorda. As Capuchinhas ganharam o prémio internacional de Criatividade para Mulheres em Meio Rual da Women´s World Summit Foundation, em 2007.

Texto e fotos: Filipa Queiroz

Viajámos a convite do Turismo do Centro e a propósito do lançamento dos roteiros “Road Trips Centro de Portugal – 1 é bom, 2 é ótimo, 3 nunca é demais”. Podem ver o da Região Viseu Dão Lafões aqui

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