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Coimbra apresenta diagnóstico para Estratégia de Inovação no terceiro ano de mandato

A Estratégia Municipal de Inovação da Câmara Municipal de Coimbra pretende intervir em cinco ecossistemas chave para o desenvolvimento do município. Quais os resultados do diagnóstico e o que se pode esperar do Plano de Ação?

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Fotografia: Nuno Ávila

Um dos objetivos da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) é criar um ecossistema de inovação e um modelo de atuação em rede que contribua para a concretização da Agenda 2030 das Nações Unidas.

Para tal, a CMC desenvolveu a Estratégia Municipal de Inovação (EMI ou Estratégia), coordenada pelo Centro de Inteligência de Coimbra, da autarquia, com o apoio da Sociedade Portuguesa da Inovação (SPI). Ontem, 30 de setembro, foi apresentado o diagnóstico prospetivo e visão estratégica, um documento que retrata o concelho, aponta as suas fragilidades e serve de base para um futuro Plano de Ação.

Estratégia Municipal de Inovação

O desafio de definição de uma estratégia de desenvolvimento do concelho não é novo. Em 2007, foi feito outro diagnóstico pelo consórcio formado pela Deloitte e Vasco da Cunha que resultou no Plano Estratégico de Coimbra de 2009. Em outubro de 2020, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro criou a Visão Estratégica para a Região Centro 2030. Em 2021, o Instituto Pedro Nunes criou a Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial da CIM Região de Coimbra no período 2021-2027. Todos estes documentos representaram, em diferentes momentos no tempo, propostas com a mesma ambição: um concelho e uma região mais inovadores e sustentáveis.

De acordo com a nota de imprensa da CMC, “a EMI é um processo chave para o concelho e vai contribuir para implementar uma visão inovadora do concelho, com uma estratégia de longo prazo, criar um instrumento dinâmico, suscetível de adaptação e evolução e posicionar o Município como o principal agregador e impulsionador do ecossistema de inovação existente à escala concelhia”.

Coimbra é retratada com base em cinco “ecossistemas” – território, administração, cultura e capital humano, ensino e investigação, e tecido económico. São ainda traçados eixos estratégicos que passam pela eficiência administrativa, cooperação e comunicação, talento e qualidade de vida, ativação e densificação económica, e sustentabilidade e transformação digital. De momento, os trabalhos relativos a esta Estratégia encontram-se na fase 3, e falta apenas implementar a fase 4 “Plano de Ação: Concretização da visão estratégica”, planeada para dezembro.

Susana Loureiro, consultora na Sociedade Portuguesa da Inovação

Fragilidades no concelho de Coimbra

Através das contribuições de cerca de 300 pessoas, foi possível compreender quais são as fragilidades que afetam o município. Relativamente ao território, destaca-se a falta de gestão de riscos ambientais/alterações climáticas, a degradação do centro histórico e do tecido urbano e o aumento do peso da habitação nos encargos das famílias e falta de habitação a preços acessíveis (estudantil inclusive).

Quanto à cultura e capital humano, aponta-se problemas na democratização do acesso, no apoio a projetos culturais internacionais, na comunicação, na criação de sinergias entre entidades, entre outros. No tecido económico existe um desconhecimento sobre a atividade empresarial local, o que leva a comunidade a percecionar este setor como pouco dinâmico e centrado nos serviços de saúde e educação.

O conservadorismo no sistema de ensino, a frágil ligação entre o ensino superior e as empresas, a não promoção de estágios e incorporação de recursos humanos (RH) nas empresas, e o ténue alinhamento entre áreas de formação académica e áreas de formação de RH em que as empresas têm necessidade de mão de obra são as principais debilidades.

Por fim, na administração, existem constrangimentos no acesso à informação no site do município, na resolução de pedidos, na comunicação com os munícipes e na divulgação de informação.

Francisco Veiga, vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra

Um consenso considerado “inesperado”

Segundo Susana Loureiro, consultora na SPI, o processo de elaboração da Estratégia arrancou há seis meses, após a abertura de concurso público pela CMC. A EMI assenta numa metodologia muito participada pelos diversos interessados, tendo sido realizadas entrevistas ao executivo municipal e a personalidades e especialistas, bem como reuniões com a equipa de trabalho interna do município e com a equipa do Laboratório Municipal de Experimentação de Coimbra, e ainda foram auscultados os serviços da CMC, dos SMTUC (Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra) e da Águas de Coimbra através de um questionário online. A comunidade teve também a possibilidade de apresentar os seus contributos, opiniões e ideias.

Não sendo substancialmente diferente dos últimos diagnósticos realizados no município, os resultados obtidos mostram uma comunidade uníssona nos desafios locais e no caminho a seguir. A consultora admitiu que nenhuma das conclusões foi surpreendente, “o inesperado foi o consenso sobre certas temáticas. Estando a trabalhar e ouvindo pessoas de quadrantes tão diferentes, esperávamos ter visões diferentes sobre determinados assuntos.”

O inesperado foi o consenso sobre certas temáticas. Estando a trabalhar e ouvindo pessoas de quadrantes tão diferentes, esperávamos ter visões diferentes sobre determinados assuntos.

O grupo de trabalho da EMI espera que os trabalhos sejam concluídos em outubro. No próximo dia 4 de outubro, no Convento São Francisco, terá lugar o workshop “Da Visão estratégica à Ação | Contributos para o plano de ação da EMI”, para uma auscultação pública final. “Precisamos de pensar como é que nós conseguimos concretizar aquilo que queremos ser, ter e alcançar”, referiu Susana Loureiro.

Diagnóstico no terceiro ano de mandato, um Plano de Ação a caminho

Com eleições autárquicas à porta, este diagnóstico é apresentado no terceiro ano de mandato do atual executivo municipal. Francisco Veiga, vice-presidente da CMC, acredita que “não podemos afinar o nosso trabalho meramente pelos mandatos, senão ficaríamos completamente limitados e, ao fim de dois anos, não fazíamos mais nada porque corríamos o risco de estar a trabalhar para um mandato que não sabemos se é nosso ou não”.

Reconheceu que estão “um pouco atrasados no tempo” porque o processo arrasta-se há seis meses e ainda têm mais alguns pela frente até à sua conclusão, o que deixa o próximo ano para a implementação da EMI. Segundo o vice-presidente da CMC, independentemente de quem venha a compôr o próximo executivo, sentiram a necessidade de criar a EMI porque é uma “ferramenta que fazia falta para que, a curto e médio prazo, algo aconteça em Coimbra”.

Tal como Susana Loureiro, Francisco Veiga assumiu que o diagnóstico não traz consigo nenhuma novidade, trata-se de uma sistematização que permite saber exatamente o que têm de fazer. “Tudo isto está estudado e existe noutras áreas, municípios e contextos”. Realçou a vertente da internacionalização do município que considera de extrema importância. “Temos que passar além das fronteiras do concelho, do distrito, da região e até do país”. Relacionado com esse eixo, assume o objetivo de captar talento de outros países para se estabelecerem em Coimbra.

José Manuel Silva, presidente da Câmara Municipal de Coimbra

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