Contribuir small-arrow

Jacarandás de Coimbra: a saudade é lilás

Sobrevoamos a Rua Lourenço de Almeida Azevedo depois do abate de mais de duas dezenas de árvores.

Partilha

Fotografia: Vilma Reis

O mesmo percurso que, há poucos meses, mostrava um corredor de copa malva, agora exibe a memória visível de um espaço verde retirado: vazios onde as árvores cresciam, troncos pela metade, e o asfalto exposto ao sol.

Este vídeo nasce da continuação de um trabalho anterior, a que chamámos «Jacarandás de Coimbra: a resistência é lilás» por ser ali que a comunidade se juntou em torno dos jacarandás e tipuanas, e lembrando ainda os plátanos abatidos, pedindo que a árvore não fosse vista como mero obstáculo, mas como parte do património urbano e da qualidade de vida.

Agora, a mesa‑redonda mudou: o que se discute não é como integrar Metrobus e árvores, mas como conviver com a ausência delas.

Durante um protesto à porta da Câmara de Coimbra, o fotógrafo Mário Jaleco colocou a questão de forma contundente: «As árvores são seres vivos, como nós, e não mobília. Não somos donos disto, isto é tudo nosso e nós somos delas.» Para ele, o abate de árvores «a mais» é um sinal de desrespeito por um sistema vivo que sustenta o ar que respiramos, e não um problema de escolha binária entre «metropolitano ou árvore».

O movimento que se formou à volta desta rua denuncia a falta de diálogo com a autarquia, recordando que houve pedidos repetidos de audição, de explicações técnicas e de alternativas concretas, que, em muitos casos, encontraram silêncio até ao momento em que o abate foi anunciado.

Ao mesmo tempo, a Câmara Municipal de Coimbra argumenta que a intervenção é necessária para a construção da via dedicada ao Metrobus, com a promessa de reposição de espécies arbóreas no futuro.

Entre estas duas posições, o que a imagem mostra é claro: a rua que era lilás, agora é saudade.

O que este vídeo nos pede é, sobretudo, olhar de novo para a cidade, e perguntar: que tipo de espaço público queremos deixar para quem vem depois de nós, e até que ponto estamos dispostos a aceitar que a natureza se torne descartável?

Mais Histórias

Para Anabela Marisa Azul, as árvores não são empecilho ao progresso

«O verde exige planeamento sensível e dever cívico, não visões preto no branco», diz a bióloga.

quote-icon
Ler mais small-arrow

Cheias no Mondego: «Incúria humana» compromete sistema hidráulico que tem tudo para ser eficaz, defende Seabra Santos

As cheias recentes no Mondego não resultam de falhas técnicas. Diques e barragens eficazes exigem manutenção urgente e a barragem de Girabolhos.

quote-icon
Ler mais small-arrow

Coimbra em alerta para cheias: reunimos o que precisa saber para ajudar e proteger-se

Com previsão de chuva intensa nas próximas horas e risco elevado nas zonas ribeirinhas do Mondego, voltamos a estar em alerta máximo.

quote-icon
Ler mais small-arrow
Contribuir small-arrow

Discover more from Coimbra Coolectiva

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading