Foi a 1 de junho deste ano que a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) iniciou o projeto piloto de recolha seletiva de resíduos orgânicos, associado à campanha de sensibilização “Zero Desperdício”, com a disponibilização de contentores de proximidade e domésticos para deposição de biorresíduos (desperdícios alimentares). Neste momento, a iniciativa abrange zonas da Freguesia de Santo António dos Olivais e da União de Freguesias de Coimbra, que foram escolhidas por serem massificadas e propícias às dinâmicas dos circuitos de recolha.
A visão cidadã
Paula Mota, moradora do Bairro Norton de Matos, está entre as 15 mil pessoas que aderiram a este sistema. Foi através da divulgação porta-a-porta da campanha “Zero Desperdício” que tomou conhecimento do projecto e, apesar de não conhecer o nível de adesão junto de outros moradores, admite que a iniciativa a cativou desde o início.
De acordo com a munícipe, no dia de divulgação foi-lhe explicado o funcionamento do sistema e fornecido um contentor doméstico, ao qual pode aceder com a aplicação eGate Digi. Os contentores de proximidade para os biorresíduos podem ser utilizados através da mesma aplicação ou de um cartão.

As sobras alimentares devem ser colocadas num saco de plástico, o que é importante para Paula Mota. “Eu sei que noutros municípios também implementaram este tipo de sistema, mas não podem utilizar o saco plástico. Esse pequeno pormenor fez com que as pessoas tenham desistido de continuar”, menciona.
Apenas é possível colocar resíduos alimentares sólidos, como restos de legumes, cascas de fruta, carne, peixe, ovos, restos de pão e bolos, borras de café e saquetas de chá. Não é possível colocar resíduos líquidos, embalagens, talheres, loiça, papéis impressos, películas de plástico ou de alumínio, fraldas, caricas e rolhas, beatas, têxteis, lâmpadas, pilhas, medicamentos, fezes e areias com excrementos de animais.

Paula Mota considera que esta forma de gestão de resíduos é eficaz, o que a levou a adoptar este novo hábito: “é menos lixo que vai para o aterro sanitário e, através da compostagem, conseguimos, de forma bastante eficiente, arranjar fertilizantes naturais”, acrescenta. A moradora entende ainda que a melhoria do ambiente e a produção de biogás são algumas das vantagens deste projeto.
Até ao momento, ainda não encontrou desvantagens, mas admite que, se não fosse possível colocar os resíduos num saco de plástico, já teria abandonado o projeto. A adesão fê-la tornar-se mais consciente da separação entre biorresíduos e os restantes resíduos.
Paula Mota defende que a “divulgação porta a porta pode ser mais convincente, pois as pessoas têm acesso imediato ao recipiente onde devem depositar de forma cómoda e prática as suas sobras alimentares”.
Uma política preocupada com o ambiente

Carlos Lopes, vereador do Ambiente da CMC, considera que a necessidade de caminhar para uma política de biorresíduos e de zero desperdício surgiu naturalmente e é “fundamental para ganhar outras batalhas”. Até ao momento, 15 mil pessoas já aderiram e, na visão do autarca, a tendência é crescer no sentido de alcançar o concelho todo. A expansão deste projeto é “uma oportunidade de receita importante para o município melhorar esta política e sustentá-la”, reflete.
Através da colaboração com este projecto de recolha seletiva de resíduos orgânicos, as pessoas têm a capacidade de contribuir, a partir de casa, para melhorar o sistema de recolha. “Queremos diminuir os indiferenciados, alavancar os biorresíduos e implementar os contentores castanhos no concelho todo”, reforça o vereador.
Relativamente ao alcance da campanha de sensibilização, Carlos Lopes admite que muita gente não estava em casa, pelo que tiveram de reforçar o contacto porta-a-porta, o que ajudou a chegar a mais pessoas. Ainda assim, e pela mesma razão, o contacto porta-a-porta também não foi totalmente eficaz, estando previsto um novo reforço na campanha de sensibilização e adesão a esta iniciativa.
Carlos Lopes lamenta que, aquando da implementação do sistema, alguns cidadãos tenham dito que os contentores castanhos eram elitistas porque é necessário usar um código para lhes poder aceder. “Aquilo é tudo menos elitista, tem um sistema de proteção para as pessoas não usarem aqueles contentores para outras coisas”, esclarece.

A Câmara Municipal de Coimbra estima alargar gradualmente a rede nos próximos meses, pelo que novos contentores estão a ser adquiridos. Apesar de ainda não estar definido, o vereador do Ambiente da CMC prevê que este alargamento geográfico comece pela zona norte do concelho.
Quanto ao impacto que pretende causar na cidade, Carlos Lopes refere que a preocupação é “fomentar costumes que as pessoas têm de perceber que são bons para todos e criar as melhores condições para que [o projeto] se difunda o mais depressa possível”.
Por ser um projeto recente, a CMC ainda não tem indicadores sobre o seu sucesso ou sobre as mudanças de comportamento dos cidadãos. “As pessoas aderiram e estão a cumprir as regras”, acrescenta.
