Olá, meus caríssimos coimbrinhas,
Carolina Michaelis. Só o nome é espetacular. Melhor só Carolina Micaela.
Quem foi Carolina Wilhelma Michaëlis de Vasconcelos?
Antes de mais, localizar a rua que lhe dá o nome: o final do Cidral, lá ao fundo na rotunda, até à Rotunda da ACIC, rasgada agora pelo traçado do grandioso Metro Mondego.
Foi uma crítica literária, escritora, lexicógrafa, seja lá o que isso for, e professora universitária, tendo sido a primeira mulher a dar aulas numa Universidade em Portugal, neste caso primeiro em Lisboa e só depois em Coimbra. Foi ainda uma importante promotora da interculturalidade germano-portuguesa e deve ter por cá deixado bastantes aficionados para as consequentes décadas, tendo em conta ter morrido em 1925, no Porto.
Nasceu a 15 de março de 1851 em Berlim, na altura Prússia, agora Alemanha e é no ano de 1876 que se perde de amores (e ele por ela) de Joaquim António da Fonseca de Vasconcelos, musicólogo e historiador de arte português, após uma longa e intensa troca de correspondência. Que devia ser um secante deserto, de um lado uma lexicóloga do outro um musicólogo…
É nesse mesmo ano que se decidem casar e mudar para Portugal. E como uma desgraça nunca vem só, dividem o seu tempo entre Braga, Porto e Lisboa, desencantando ainda uma casa de férias em Águas Santas – melhor, só fazendo praia em Taveiro.


O seu conhecimento e doutíssimo interesse pela história, língua e literatura portuguesas, levou-a a travar conhecimento com a grande intelectualidade da altura: Eugénio de Castro, Antero de Quental, João de Deus, Teófilo Braga, Alexandre Herculano e muitos outros.
Divulga e enriquece a língua portuguesa, fazendo um trabalho de fundo constante, de estudos aprofundados, onde se destaca a direção da revista Lusitânia e a docência em Filologia Germânica, Românica e Portuguesa e ainda de Literatura Alemã, dando os primeiros passos em Lisboa e pedindo depois transferência para lecionar em Coimbra.


É por esta divulgação, consistência, coerência, esforço, disseminação e obra feita que receberá a insígnia de oficial da Real Ordem Militar de Santiago da Espada e que, postumamente, verá (apesar de ser difícil ver postumamente) ruas em Lisboa, Oeiras, Águas Santas, Porto e, claro está, em Coimbra, levar a sua insígnia numa placa toponímica. Mais recentemente, em 2005, teve a mesma honra ao ter uma placa descerrada, em seu nome, em pleno centro de Berlim.
Ainda uma curta curiosidade, os famosos dicionários Michaelis com que todos nós, nascidos antes de 1990, nos deparámos uma vez que seja em casa dos paizinhos são da autoria de sua irmã, Henriette.
A lexicógrafa com nome de cantora pimba figurará para sempre como uma das grandes mulheres da emancipação, empoderamento e intelectualidade feita em feminino, em Portugal. Só podia ser alemã, pois claro.
Bem hajam, meus inverosímeis coimbrinhas e até daqui a 15 dias.
Desafiámos os estudantes do TUMO Coimbra a retratar cada crónica do Tatonas — e eles devolveram-nos, através das suas lentes, o que veem e sentem em cada rua escolhida. As imagens são o resultado desta parceria. Participaram nesta edição os jovens tumonautas do percurso de Fotografia sob a orientação dos workshop leaders Mário Canelas e Paulo Calhau: Felipe Castro, Alice Laurel, Isabella Silva, Afonso Ferreira e Diego Cortez.
