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Aqui só comem (e compram) do bom e do biológico

Há pouco mais de uma década, um problema cardíaco levou Vítor Marques a ‘mudar o chip’, . O engenheiro civil começou a ter uma alimentação muito mais regrada e, como ia muitas vezes a Lisboa a trabalho, era lá que comprava o que preferia comer. O problema é que começou a vir com o carro […]

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Há pouco mais de uma década, um problema cardíaco levou Vítor Marques a ‘mudar o chip’, . O engenheiro civil começou a ter uma alimentação muito mais regrada e, como ia muitas vezes a Lisboa a trabalho, era lá que comprava o que preferia comer. O problema é que começou a vir com o carro cada vez mais carregado com coisas para a família e os amigos. Então decidi abrir uma loja porque já compensava, conta o dono do BioEscolha, o Supermercado 100% Biológico, aberto das 9h às 20h na Rua Bernardo Albuquerque, em Coimbra.

Antes de continuarmos, a pergunta impõe-se: Sabem o que são produtos biológicos e como distingui-los? Os produtos biológicos são produzidos recorrendo a práticas que promovem o ciclo natural dos recursos e o equilíbrio ecológico, conservam a biodiversidade, sem pesticidas ou fertilizantes químicos, nem mão de obra infantil ou ilegal, por exemplo. Há uma certificação europeia que comprova e podem facilmente identificar os produtos pelo logótipo de uma folhinha verde nas embalagens (imagem em baixo). Se não for embalado, o vendedor comprova.

Todos os nossos produtos, mesmo os frescos, são de produção biológica, assegura Vítor Marques. O facto de a fruta e os legumes não estarem embalados às vezes confunde mas isso só acontece porque dentro da loja não há contaminação, ao contrário dos supermercados convencionais. O BioEscolha abriu em 2011 como espaço de restauração, na Av. Calouste Gulbenkian, porque os clientes gostam de provar e depois poder comprar. A missão mantém-se: tornar o biológico acessível a toda a gente. 

Sempre que possível, o BioEscolha opta por ter produtos nacionais e compra a fornecedores locais ou da região, desde que sejam certificados. É o que nos dá mais alegria, só temos produtos de outros países enquanto não for possível não ter, diz o proprietário. Os produtos estrangeiros servem para manter as prateleiras cheias o ano inteiro. As pessoas muitas vezes estão habituadas a consumir transgénicos, produtos que há o ano inteiro nas grandes superfícies, mas é muito mais saudável consumir produtos da época, continua. Aqui não só podem comprar como provar e, avisamos já que são capazes de não voltar a querer outra coisa. 

Restaurante

Está sol, por isso ficámos cá fora. Sem vontade de pensar muito escolhemos o Menu 1 que inclui sopa, prato e café ou chá por 8,60€. Acrescentámos um sumo natural de banana, laranja e cenoura e sentámo-nos na mesa posta mais solarenga da esplanada. A Sopa de Feijão com Couve estava divinal e era bem abundante. Depois veio o Empadão de Cogumelos e Batata Doce e não resistimos a ir pedir a receita à Kamila, que é a responsável pela cozinha. Salada crudívora, feijão verde, bróculos e sementes. Estava tão delicioso que deu vontade de levar uns ingrediente para casa, sobretudo a batata doce. 

Eu e a minha mulher costumamos dizer que a loja é o nosso reflexo: se não gostamos dos produtos não vendemos e ambos nos preocupamos muito com o stress, conta Victor Marques. Bárbara Silva era a cozinheira, agora está apenas Vítor a tempo inteiro e trabalha todos os dias, mesmo ao Domingo, mas faz questão de ter cuidado para não deixar o stress levar a melhor. Diz que o restaurante foi pensado para os clientes também relaxarem e estarem à vontade.

O espaço de retalho associado permite que a tabela de preços seja acessível e o restaurante está aberto das 10h às 20h e tem serviço de take-away das 12h30 às 20h (pedidos até às 10h). Servem pequenos almoços incríveis com coisas como tostas de hummus e caju, iorgurte com fruta e granola, panquecas, bolos, sumos e batidos. Tudo com ingredientes de produção biológica e sem açúcar. 

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Supermercado

São centenas e centenas de produtos e várias marcas próprias como a Casa da Mó, com embalagens de papel e fecho de linha. A maior parte conseguimos vender mais barato do que há neste momento em mercado de plástico, como o arroz integral, por isso isto não é uma questão de possibilidade é uma questão de margens, explica Vítor Marques. O proprietário do BioEscolha sabe que os clientes gostam de comprar nacional e quanto mais barato melhor. 

O que vende mais no Supermercado Biológico são os frutos secos mas há todo um mundo de produtos que vão desde os alimentares aos de cozinha e de limpeza, probióticos, óleos essenciais, maquilhagem, produtos de beleza e mochilas feitas a partir de garrafas de plástico. Também há detergentes a granel, por exemplo, o sistema EcoX desenvolvido com a Universidade de Coimbra – a loja vende recipientes mas podem levar os vossos e encher que depois pagam ao peso. Têm a única marca de compota em Portugal sem açúcar, por exemplo, da marca Casa da Prisca, e o supermercado faz distribuição a comunidades como estudantes Erasmus, por exemplo. Têm hábitos diferentes nos países de origem mas os nossos clientes são de todas as idades e com diferente poder económico, diz Vítor Marques. 

Eventos

O BioEscolha organiza workshops de vez em quando, sobretudo de cozinha, e está previsto para Maio um Festival Sustentável no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra organizado em colaboração com a academia. Vítor Marques acredita que a maior parte dos portugueses muda de hábitos alimentares e de consumo sobretudo devido a problemas de saúde ou outras necessidades imediatas mas em muitos países é mero senso comum, por isso o antigo membro da comissão política do PAN (Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza) defende que basta não ter receio de desbravar caminho. Ainda agora vi uma notícia sobre a obesidade nas crianças, que subiu muito e as razões apontam para a ‘fast food’ e o açúcar, e é por isso que gosto deste negócio, porque lutamos exactamente pelo oposto. Há 4 anos o BioEscolha abriu a segunda casa em Leiria, distribui actualmente para cerca de 2 dezenas de lojas e tem outros desafios na manga como o convite para abrir um restaurante biológico no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. Crescemos devagar mas crescemos, o mercado em Portugal ainda é pequeno em comparação com outros países, remata. Devagar se vai ao longe.

 

Texto e fotos: Filipa Queiroz

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