Olá, meus pantagruélicos coimbrinhas.
Na Rua Irmã Lúcia, o pecado mora ao lado e dá pelo nome de Tú Taquería Wey.
O que primeiro nos apercebemos assim que entramos é que este não é um espaço dado a depressões, lamentações, saudade e todas essas coisas que perpetuam esta cidade na sua lassidão. Aqui, o Dário (em espanhol Dario, sem acento) recebe-nos com uma esfuziante alegria que irá dar o mote para o que nos espera. Salsa, cor, música, tacos e margueritas, muitas margueritas, demasiadas quiçá…
A vibrante sala recebe-nos primeiramente com Guacamole e Totopos (tortilhas em forma de triângulo fritas, facilmente confundidas com nachos), Chili Rico de Carne e Aguachile de Camarón. Entrada triunfante, tal como havia sido a do programador do Convento São Francisco, que anunciava nem há um mês a melhor programação de sempre daquele espaço e sai agora ao final de quatro. Muda mais rápido o Convento de programador que a Académica de treinador. Hélas.
Dos iniciáticos pratos a destacar o Chili, leguminoso creme envolvendo a feijoada carne,
harmoniosamente temperado, que nos faz perder os modos em indecente glutonaria. Para os menos familiarizados com estas coisas da culinária mesoamericana, o Aguachile de Camarón assemelha-se a um ceviche de camarão, mas regado a água, pepino, coentros e pepinos. Um saudável e refrescante prato.
Deixemo-nos de entrantes e rumemos ao que aqui nos traz: os tacos. Falando em rumar, a Emirates vai contratar tripulantes de cabine, em Coimbra, para voar daqui para fora. Consta que será a partir do Aeroporto Internacional de Cernache. Começamos pelo Taco Birria. Como descrevê-lo? Carne que se desmancha na boca, tal e qual uma promessa política, com a tortilha intimamente conjugada e que nos faz sentir o tépido molho a escorrer pelo queixo enquanto saboreamos mais uma trinca daquele rolo, encaminhando-nos a uma pueril voracidade. Deleite na ponta dos dedos.
O segundo taco é, à partida, uma inusitada combinação, assim um pouco como a taxa turística de 1€ que querem cobrar aos turistas, por dormida. Já temos taxa, só nos falta o turismo. Taco Pescado. Tamboril – sim, leram bem – tamboril embrulhado em tortilha e salsa e que faz todo o sentido na efusiva festa de sabores que é este estabelecimento. Aconselharia ser o último a consumir, porque, apesar de tudo, ligeiramente mais delicado, um pouco como corta-sabores, limpa-palato, como vos aprouver nomear.
Para finalizar, que tudo o que é bom tem um término, só há uma sobremesa – bem, na verdade existem duas, mas verdadeiramente apenas uma. Churritos! Churros em modo Portugal dos Pequenitos, que se mergulham em pequenas taças, seja de chocolate, seja de doce de leite. É como ter as Farturas da Tânia em tamanho mindinho, quebrante crocância (é assim que se diz agora, não é?) de sacarose que nos vai fazer lembrar porque vamos ao Phive todas as semanas.
E tudo isto, é sempre bom recordar, regado a margueritas, muitas margueritas.
Na Tu Taqueria Wey redescobre-se o contentamento do que é estar à mesa, a satisfação do momento partilhado, os dois dedos de conversa que entremeiam os besuntados dedos da regozijante refeição.
Tal como o primeiro TUMO do país, que irá ter lugar no devoluto edifício dos C.T.T., aqui não entram almas velhas. Se não vamos à Riviera Maya vem a Riviera Maya até nós. E do mesmo modo que o Sport Club Conimbricense celebrou esta semana 113 voltas ao sol, esperemos que estes rapazes por aqui permaneçam muitos e bons anos.
Pantagruélicas saudações, meus coimbrinhas.

