Olá, meus pantagruélicos coimbrinhas.
Vamos à província, saíamos da cidade. Já não é a primeira vez que o fazemos. Por vezes temos
de revisitar os nossos antepassados rurais.
Passamos o açude, rotunda do Almegue, esse remendo mal acabado, como alguns lhe chamam
e rumamos a oeste. Destino: Taveiro. Mais concretamente: MARC, que tanto podia ser Polo
como Paulo. Mas é apenas MARC, Mercado Abastecedor da Região de Coimbra. No seu complexo reside um dos mais subestimados e olvidados estabelecimentos da cidade: O Mercado. Mas, ainda assim, não tão ostracizado como o cargo de programador do Convento de São Francisco que viu esta semana ser nomeado o quarto Diretor Artístico em pouco mais de um ano.
A sua localização, qual verdejante oásis num deserto alcatroado, tendo como vista os atrelados que por ali jazem quedos e mudos à hora de jantar. No mínimo excêntrica, esta paisagem suburbana, o que lhe confere um esdrúxulo e cativante toque. Para entrada, aparte o habitual couvert de azeitona, broa, pão e patê, convém focarmo-nos nas enguias fritas, que em nada ficam a dever às, já nesta rubrica referidas, do D. Franguito, e as Lulinhas, também elas fritas, que isto é um restaurante e não um bistrô ou um gastro-bar.
Mas debrucemo-nos sobre o que aqui nos trouxe. O peixe da família Clupeidae que, dizem algumas fontes, talvez tenha origem no nome da ilha da Sardenha. O nacional prato de verão, sardinha. O Mercado, fruto de se encontrar no âmago do fornecimento de produtos frescos da cidade tem obrigação de contar com os melhores produtos para a sua confeção, e não defrauda nesse particular.
A sardinha necessita três requisitos para passar no exigente tribunal popular. Primeiro, gotejante gordura, que lhe imprima o desejado sabor e humidifique a fecunda carninha. Segundo, que a salgada e escamosa pele salte ao primeiro entrincheirar de garfo ou faca. Terceiro, o filete deve sair inteiro, de uma só vez. Assim como alguns executivos camarários deviam ter feito em tempos.
Esta primeira apanha da época, exemplarmente assada, cumpriu com os três. Tendo como
companhia, batata cozida e uma refrescante salada de pimentos. E como esta refeição pede uma cerveja a acompanhar, a estalar diretamente do congelador, recordemos que Toy, o fenómeno, nos irá brindar dia 4 de Julho, na Feira Popular, que decorrerá de 30 de junho a 16 de julho.
Arrisco dizer que O Mercado é, atualmente, a melhor casa de grelhados cá do burgo. Carne ou peixe (exceção feita à sardinha que, mesmo grelhada, é apelidada de assada – vá-se lá saber porquê).
Por isso, quem o visitar terá no seu cardápio diversificadas escolhas de ambos os lados da
barricada. Desde robalo, naco e, numa terceira via, uma boa tachada de amêijoas como alternativa ao
sazonal prato.
Terceira via parece ser também o Luna Fest (16 a 20 de agosto) que viu, entretanto, serem confirmadas as presenças do ex-Velvet Underground e fundador da banda, John Cale, e do atual baixista e o ex-baterista dos Franz Ferdinand, Dino Bardot e Paul Thomson, com as suas respetivas bandas. Já que não podemos ter as bandas originais, fiquemos com as suas sobras. É um pouco como o nosso metro. Um sucedâneo.
Para o remate final, podíamo-nos inclinar para uma queijadinha de Pereira, que esta semana inaugurou uma escultura evocativa, bem no centro da rotunda que introduz a vila: uma queijada gigante, que no fundo se assemelha mais a uma de Tentúgal. No entanto, aquela não consta nas opções. Assim, aconselhamos o aveludado Mil Folhas de Requeijão com Doce de Abóbora. Não se deixem enganar pelo Fora da Caixa, é tão somente o doce do dia – desta feita era Pudim. Com nome tão promissor e uma resposta tão dececionante.
Ah, Coimbra do Metro Mondego.
Pantagruélicas saudações, meus coimbrinhas.
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