Olá, meus pantagruélicos coimbrinhas.
Vamos descendo a Alta e ver a cidade repleta de turistas anima-nos o espírito. Entrando na Rua do Quebra Costas através da Fernandes Thomás é ir presenciando um vaivém de pessoas que desfrutam as ruas e pequenas esplanadas repletas a aguardar o almoço, para o qual também nos encaminhamos.
Paramos imediatamente antes do largo que antecipa o Arco da Almedina e esgueiramo-nos no Oak, que podia ser Carvalho, mas é Oak. Senão seria em Antanhol e não no centro da cidade. O ex-líbris são as francesinhas que têm no seu molho 100% de origem vegetal o seu segredo mais bem guardado. Sempre com possibilidade de opções vegan e vegetarianas é ainda possível escolher pela mais tradicional Francesinha de Novilho ou de Frango e Alheira.
Para os que optem fugir do evidente, têm ainda o Peito de Frango Marinado com Salada de Quinoa, a Meia Desfeita de Bacalhau com Gema Curada e ainda Cogumelos Portobello Recheados com Salada Cuscus. Um belo pot-pourri para agradar a tovineiros e meninos de Celas. Um pouco como o Luna Fest que ainda decorre hoje e amanhã, na Praça da Canção. Amanhã de entrada livre, como bem gosta o pedante coimbrinha pé-descalço.
A refeição inicia-se com Figos Grelhados com Queijo de Cabra Curado e Molho Balsâmico, a acompanhar Pão de Massa Mãe. É-nos também trazido uma manteiga de alho para acompanhar com pães de diferentes etnias. Os figos são absolutamente deliciosos, delicadamente equilibrados com o queijo e a fazer parelha com o molho balsâmico, numa macieza única ao toque que torna esta entrada uma subtil introdução ao que está por vir.
Dos pratos principais, iniciemos pela Meia Desfeita de Bacalhau com Gema Curada. É típico prato de verão, servido frio, a fazer refrescar as têmporas a cada garfada. Grão com pimentos e azeite de coentros que se deixa enlevar por lascas de bacalhau. Estes são regados por cremosa gema curada que irrompe de cima. Alguma frescura numa cidade habitualmente tão sufocante, é o TUMO dos pratos – projeto que arranca já em setembro, disposto a limpar alguns cantos à casa.
Entretanto, como não podia deixar de ser, alvoraçamo-nos pelo “prato da casa”: a Francesinha de Frango e Alheira. Além do já referido molho 100% biológico, esta oculta mais umas novidades, pão de
beterraba de entre as suas camadas e o ovo estrelado singularmente substituído por ovo escalfado. E se em relação à primeira, pouco ou nada me surpreendi, já no que à segunda diz respeito, fiquei quase tão surpreendido como quando leio que Coimbra vai investir 700 mil euros em projeto para reabilitar a Escola José Falcão – não sei o que me surpreende mais, se as décadas de atraso neste investimento se, sendo relativo conhecedor do estado de degradação do Liceu, a esmola fornecida que, com boas
intenções, deverá para cobrir intervenções em meio andar daquela instituição.
Regressando ao ovo. Devo confessar, o ovo escalfado, a escorrer pegajosamente, assim que aberto, pela torre de pão e carne, é muito mais prazeroso que qualquer ovo estrelado, por mais bem frito que seja. Fica a dica.
Para terminar poderão escolher entre Mousse Vegan com Whisky, Leite Creme ou Bolo de Maçã e Nozes com Gelado e Caramelo Salgado. Aqueles que pretendam arriscar um pouco mais escolham a Sobremesa Espontânea Oak, elaborada de acordo com a inspiração do chef nesse dia. Inspiração é ainda o que desejamos aos 5ª Punkada (apesar de eles não precisarem) para a sua digressão europeia em setembro.
Pantagruélicas saudações, meus coimbrinhas.

