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Nesta república a saudade tem sabor e é de chorar por mais

Imaginem que sentem saudades do Talasnal. Subindo a serra, ao sabor de uma Terrina de Xara, avistam as casinhas de xisto que, na mesa da República da Saudade, em Coimbra, são feitas de Entrecosto em Vinha d’alhos com Arroz de Carqueja e Grelos. A rematar, só se lembra dos caminhos velhos saboreando um Leite-creme com […]

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Imaginem que sentem saudades do Talasnal. Subindo a serra, ao sabor de uma Terrina de Xara, avistam as casinhas de xisto que, na mesa da República da Saudade, em Coimbra, são feitas de Entrecosto em Vinha d’alhos com Arroz de Carqueja e Grelos. A rematar, só se lembra dos caminhos velhos saboreando um Leite-creme com Aroma de Tomilho do Monte e Gelado de Framboesa. Por 15€ (sem bebida), esta é uma das experiências gastronómicas possíveis no espaço onde querem que cada iguaria seja o princípio de algo, com propostas que partem das histórias de cozinhas já bem conhecidas e vão mais além: propõem surpresas, experiências. Ao Talasnal, juntam-se a Figueira da Foz, a Viagem, a Queima das Fitas e a Universidade de Coimbra.

Pedro Lopes, proprietário, explica que o espaço abriu em 2005 como O Porquinho ali, no nº 1 da Quinta da Ribeira (Coselhas) mas, a partir de 2011, começaram a mudar o conceito. Músico, ligado a vários projectos na cidade, explica que a Canção de Coimbra também está sempre presente e não é só na decoração. Sessões ao vivo encantam quem conhece e quem não fazia ideia ao que vinha, sobretudo grupos de visitantes que se arrepiam entre sabores e acordes, mesmo que servidos em pequenas doses. É um tipo de música que é muito bonita mas 15 a 20 minutos está bom, diz. Distinguido com o selo Clean & Safe pelo Turismo de Portugal, o República da Saudade é amplo, tem esplanada e aceita reservas em exclusividade para grupos a partir de 4 pessoas seja na Adega, no Jardim ou na sala Estudantes.

Outras delícias

Aberto todos os dias das 12h às 23h (ao domingo até às 15h), a decoração do República da Saudade é inspirada no imaginário coimbrão, marcado pelos valores do companheirismo, convívio e saudade. Lá dentro parece o cenário de um filme onde inevitavelmente o negro impera e podemos ver imensas fotografias, cartolas de estudante e outros objectos.

É um lugar de memórias com uma carta divinal. Provámos entradas como o Ceviche de Camarão (4,50€) e a Punheta de Bacalhau (4,50€) e delirámos com o Polvo Panado com Arroz de Tomate (14,50€), o Salmão com Especiarias e Esmagada de Batata (11,50€), Lombo de Bacalhau c/ Puré de Grão e Pak-choi (14,50€). Diriamos que é irresistível provar o Entrecosto em Vinha d’alhos com Arroz de Carqueja e Grelos (12,50€) mas também recomendamos a Bochecha Tenra com Puré de Batata Doce (13,50€). A opção vegetariana é Cataplana de Cogumelos (9,50€) e há menus infantis. 

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Como sobremesa, provámos o Abade de Priscos com Pão de ló de Noz e Gelado de Tangerina e o Brownie de Alfarroba com Sorvete de Tangerina que sabem tão bem como soam mas todas as outras opões parecem igualmente sedutoras. Aqui têm a carta, inclusive dos vinhos, e também podem seguir o restaurante no Facebook e Instagram mas ficam desde já avisados: é possível que o serão acabe em amena cavaqueira. É esse o espírito deste espaço, onde a saudade não significa propriamente tristeza e o encanto se nota mais no encontro do que à despedida, com umas guitarradas à mistura. 

Texto: Filipa Queiroz
Fotos: República da Saudade 

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