Contribuir small-arrow
Voltar à home

Os melhores Bolo Rei e Rainha são só a cereja no topo desta pastelaria de Coimbra

Suspiros, Bolo Rei Tradicional, Bolo Rei Escangalhado, Bolo Rainha, Sonhos ou as famosas Galantines de Fruta, a receita cheia de fruta cristalizada com mais de 40 anos, por estes dias é um entra e sai de autênticas delícias dos deuses na histórica Pastelaria Briosa, em Coimbra. Entre as várias tentações, muitas são conventuais e fazem […]

Partilha

Suspiros, Bolo Rei Tradicional, Bolo Rei Escangalhado, Bolo Rainha, Sonhos ou as famosas Galantines de Fruta, a receita cheia de fruta cristalizada com mais de 40 anos, por estes dias é um entra e sai de autênticas delícias dos deuses na histórica Pastelaria Briosa, em Coimbra.

Entre as várias tentações, muitas são conventuais e fazem parte da tradição que, conforme revelam estudos, terá começado no século XV nos conventos da cidade, que serviam para  agraciar as ilustres comitivas da Nobreza e do Clero que visitavam ou passavam pela região. Mais tarde estas iguarias doces serviram também de forma de agradecimento das freiras por tributos feitos por estudantes, poetas e fadistas. O nome Briosa faz jus à generosidade e perfeição com que, desde 1955, ali se vende, fabrica e faz salivar mesmo a quilómetros de distância.

Há encomendas a chegar de França, Inglaterra, Brasil e outros países, mimos a serem atendidos mesmo com a distância de um confinamento e momentos de cumplicidade a serem vividos, com uma chávena de chocolate quente ou um copo de Porto na mão, na mesa com vista para o centralíssimo Largo da Portagem, que a pastelaria ajudou a reabilitar. 

Conversámos sobre tudo isso e um caminho que tem sido orgulhosamente trilhado pelas proprietárias Orlanda Duarte e Rosário Carvalho Guerra, ao sabor de uma incrível Talhada de Príncipe. Orlanda explica que é uma fatia de Arrufada, banhada com doce de ovos e coberta com calda de açúcar, que se acredita que as freiras faziam quando sobravam Arrufadas e, por algum motivo, queriam transformar o doce pobre num doce rico. 

Recuperar a história e a qualidade da doçaria conventual é a grande força motriz da Pastelaria Briosa, que acaba de renovar o website: www.pastelariabriosa.pt. É a nossa cultura e quisemos dar isso à cidade, diz Orlanda Duarte. Em 2007, a engenheira alimentar e a sócia, nortenhas de gema mas conimbricenses de coração, descobriram ali mesmo, entre Pastéis de Tentúgal e Barrigas de Freira, o projecto que mudaria não só as suas vidas como a dinâmica da Baixa, através da dignificação do receiturário local, entretanto também impulsionado por iniciativas como as 7 Maravilhas da Doçaria, onde constaram a Arrufada de Coimbra, o Pudim das Clarissas e os Pastéis de Santa Clara.

Doçaria 

Orlanda Duarte diz que despiu a pele das fórmulas químicas para descer ao mais básico, às receitas que vinham de trás, e perceber que se consegue pôr no mercado produtos de altíssima qualidade sem recurso a conservantes e melhorantes (engenharia). Estamos a ir às raízes em muitas coisas, conta, admitindo um fraquinho especial por um doce em particular. A Arrufada de Coimbra estava muito adulterado e agora está belíssima. É um bolo seco que me sabe a verdadeiro pela simplicidade, afinal os doces conventuais não são só doces a transbordar de ovos e este levamos para casa e os miúdos adoram, dura imenso e come-se bem torrado. Junto dos locais, como os Pastéis de Santa Clara e as Queijadas de Coimbra, estão vizinhos como os Pastéis de Tentúgal, Pasteis de Lorvão, Nevadas de Penacova e Ovos Moles. Para além dos doces que a casa tinha começámos a incorporar doçaria dos arredores que vamos buscar à fonte e não imitamos, explica Orlanda. 

[post-ad]

Prémios

Desde o Prémio da Confraria Gastronómica da Panela ao Lume (2015) até às recentes Medalhas de Ouro e Prata no Concurso do Bolo Rei Tradicional Português e Concurso de Bolos Especiais de Natal, as distinções são uma constante, bem como a honra de representar Coimbra em várias mostras do país. Temos conseguido representar bem a doçaria de Coimbra, tanto aqui como fora de portas, com o trabalho com projectos como a Associação dos Doceiros e a representação das 7 Maravilhas, refere Orlanda Duarte. As memórias dos clientes são outra das coisas que mais gostam de trabalhar. Passa aqui imensa gente que estudou em Coimbra como eu, que está fora e que se lembra de nós, das histórias, do que comia aqui, para mim é uma identidade muito grande que gostavamos que não se perdesse. O turismo sempre foi uma grande fatia das receitas da pastelaria mas a pandemia veio impôr um novo fluxo ao negócio, o que não trouxe apenas desvantagens. 

Apesar de tudo estamos satisfeitas com o trabalho que temos conseguido fazer sem turistas, o fluxo de gente fazia com que muitas vezes não conseguissemos captar os residentes; realmente, esta pandemia está a ensinar-nos algumas coisas e a mostrar que quando temos mais tempo e mais espaço as pessoas estão mais abertas a vir e a visitar-nos de novo. Interessante é também o que tem acontecido com clientes longínquos. Temos feito entregas a pessoas que estão fora do país ou de pessoas que estão fora mas querem que entreguemos a quem está cá, como jovens emigrados que pedem para fazermos entregas aos avós; acho que também deixamos a nossa marca nesses pequenos mimos que tornamos realidade. 

A Pastelaria Briosa tem uma caixa de lata da marca que há clientes que usam como embrulho e outros que reutilizam, trazendo de volta a cada ano para encher com novas iguarias. Ainda há pouco enchemos uma de Bolo Rei para uma senhora mandar para França, é um símbolo da casa já, conta Orlanda Duarte. Se o pedido não está feito, também se improvisa. No outro dia pediram-nos Arroz Doce para levar a uma senhora que está em casa, com pouca mobilidade e nós fizemos o Arroz Doce e atrás dele acabaram por ir outras coisas.  

Loja

A Pastelaria Briosa foi remodelada há 3 anos, de forma a que o espaço acompanhasse a qualidade dos produtos. Decorado ao estilo pastelaria francesa, tornou-se mais acolhedora, cosmopolita e aconchegante. A enorme montra para a rua agora é janela de um espaço com dois sofás cor de chocolate e uma mesa baixa, a deixar entrar a luz e a cidade no estabelecimento que gosta de bem receber. Para os que não podem ir pelo seu próprio pé, a Pastelaria Briosa tem serviço de entrega ao domicílio- Serviço Briosa em Casa – aceitam encomendas para entrega no dia seguinte até às 18h -, e está nas plataformas Uber e Glovo. Também fez outro grande investimento: equipamento para fazer a cozedura do pastel de Tentúgal na pastelaria, que permite cozer várias vezes ao dia e ter sempre os produtos, confeccionados por um fornecedor de confiança, a sairem quentinhos e prontos a comer. O Pastel de Tentúgal precisava desse mimo, apesar de não ser de Coimbra é muito próximo, as pessoas apreciam imenso e agora sabem que podem vir na autoestrada, a passar de Lisboa ao Porto, e aqui têm o produto fresco. 

Fabrico

Além dos doces conventuais, não faltam na pastelaria outros ícones irresistíveis, disponíveis todo o ano, como o Cheese Cake de Frutos Vermelhos, a Floresta Branca, o Bolo de Frutos Vermelhos, o Suspiro com Frutos Vermelhos, Bolo de Bolacha e Bolo Brigadeiro. Nesta época, também o Bolo Rei de Chocolate, a alternativa que faz os encantos de quem dispensa frutas cristalizadas e o inacreditável Suspiro coberto com Doce de Ovos que Orlanda e Rosário garantem que faz brilharete em qualquer mesa.

Por trás de cada doce, está um enorme investimento na qualidade das matérias-primas, na monitorização do que se coloca na vitrine e no manter constantemente a uniformidade dos produtos. Quanto mais natural é mais oscilações tem, explica Orlanda Duarte, acrescentando que apesar de todos devermos comer com conta, peso e medida estes são todos doces naturais, sem corantes e conservantes, tradicionais, puros e genuínos.

Confeitos

Atrás do balcão da Pastelaria Briosa está Dulce que é prata da casa. Funcionária mais antiga, foi resgatada por Rosário e Orlanda quando assumiram o comando do espaço que já passou por várias mãos. Quando começou a trabalhar na pastelaria, ainda a confecção era feita na cave, Dulce estava longe de imaginar que hoje ia saber falar japonês. Tudo por causa dos confeitos. O turismo oriental, sobretudo japonês, invade a pastelaria em barda para comprar as pequenas bolinhas de açúcar colorido. Rosário Carvalho Guerra explica que nas trocas comerciais com o Oriente, trocávamos a canela e as especiarias por estas bolinhas de açúcar e ainda hoje, durante o ano, há um mercado muito grande oriental – que lhes chama ‘kompeitō’ – a vir de propósito para comprar. As proprietárias mostram-nos artigos de revistas japonesas que incluiram os Confeitos da Briosa, também usados para atirar ou oferecer em casamentos e baptizados, entre as 10 coisas fundamentais a conhecer em Portugal. Não os inventámos mas recuperámos o nicho que mantém a receita original do século XVII!

Comércio local

Em tempos normais, a Pastelaria Briosa emprega cerca de 12 pessoas na pastelaria e outras 12 na área de fabrico. Encerra apenas um dia por ano: 25 de Dezembro. Quem frequenta a Baixa sabe que o pessoal não tem mãos a medir com quem visita e que ocupa quase sempre toda a solarenga esplanada com vista para o rio, junto à célebre estátua do Mata Frades. Na altura da Queima das Fitas, os estudantes sabem que é ali que se faz a festa antes, depois ou mesmo durante os concertos no Queimódromo. Mas não foi sempre assim. Quando chegámos o largo estava degradado e mal frequentado, conta Rosário Carvalho Guerra. Começámos a fazer montras temáticas e aos poucos conseguimos ir dando um pouco de brilho, despertando o interesse dos residentes e visitantes da cidade. Contaram com a colaboração da Câmara Municipal e da Universidade de Coimbra, comunicando a programação cultural da cidade, e hoje trabalham a par Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra no sentido de atrair a comunidade para o centro histórico e a vivê-lo para que ele viva também nos corações e nas mesa das nossas casas.

E então, vão dizer que não ficaram nem com uma pontinha de apetite?

CONTACTOS
239 821 617 | 961 222 328 | encomendaspastelariabriosa@gmail.com
Facebook | Instagram

Conteúdo Patrocinado pela Pastelaria Briosa
FÁBRICA COOLECTIVA

Mais Histórias

Os mais lidos do ano e uma piscadela de olho para 2022

Mesmo que meio às cambalhotas, com esta pandemia que parece não dar tréguas, chegamos ao fim de mais um ano de coração cheio e com a sensação de missão cumprida. Teimámos em manter as mangas arregaçadas e isso, juntamente com os encontros que foram acontecendo e as boas energias que nos foram chegando desse lado, […]

quote-icon
Ler mais small-arrow

Já viram os Concertos para Bebés programados para 2022?

Na recta final de um 2021 ainda bem desafiante, os Concerto para Bebés renovam as energias com um calendário cheio de coisas boas para descobrir em 2022. Além da programação regular no Convento São Francisco, em Coimbra, a companhia que faz espectáculos para crianças dos 0 aos 3 anos apresenta 11 programas distintos nas salas nacionais. A residência […]

quote-icon
Ler mais small-arrow

ACADEMIA STORIES | Estudo permite descontaminar máscaras de forma simples e barata

Uma equipa multidisciplinar da Universidade de Coimbra (UC) estudou e testou três formas simples e baratas de descontaminação de vários tipos de máscaras de proteção contra a Covid-19, que revelaram uma eficácia de praticamente 100%, permitindo vários ciclos de reutilização. O estudo, coordenado por Marco Reis, docente e investigador do Departamento de Engenharia Química da […]

quote-icon
Ler mais small-arrow
Contribuir small-arrow

Discover more from Coimbra Coolectiva

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading