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Se gostam de brownies e brigadeiros têm de bater a esta porta

As escadas do Quebra Costas, que ligam a Alta e a Baixa de Coimbra, desafiam o equilíbrio ou o fôlego do comum mortal. Seja porque se preparam para a descida íngreme dos degraus coçados pelo tempo ou porque conseguiram superar o esforço hercúleo da subida, merecem uma pausa para uma pequena glicose de amor. A […]

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As escadas do Quebra Costas, que ligam a Alta e a Baixa de Coimbra, desafiam o equilíbrio ou o fôlego do comum mortal. Seja porque se preparam para a descida íngreme dos degraus coçados pelo tempo ou porque conseguiram superar o esforço hercúleo da subida, merecem uma pausa para uma pequena glicose de amor. A expressão é de Lucas Saueia de Souza, o rosto por detrás da Doce Amor, uma pequena browneria instalada n.º 53 desta escadaria emblemática e que funciona das 12h às 21h30, de Segunda a Sábado.

A carta da Doce Amor tem cunho brasileiro e exibe uma lista de brigadeiros, brownies, bolos, gelados e diversos toppings e bebidas quentes e frias.

Se quiserem explorar para além do sabor clássico e mais reconhecível, Lucas recomenda o brigadeiro paçoquinha (inspirado num doce típico do Brasil, feito com amendoim), o amor na panela (fondue de brigadeiro) ou um dos brownies: o clássico com Nutella ou o que vem recheado com doce de leite ou chocolate branco. Uma das novidades é o bolo vulcão, um bolo furado com uma cobertura que é preparada na hora e resulta numa explosão de chocolate.

Como nem sempre apetece um doce, ali também encontram alternativas salgadas: wraps com queijo, fiambre e chouriço, ou então o caldinho de feijão brasileiro que Lucas prepara às sextas-feiras (também conhecido por feijão amigo no Rio de Janeiro).

Se gostam de uma boa combinação de sabores, não podem deixar de acompanhar a pausa doce com um dos cafés especiais. Antes da gerência assumida por Lucas, aquela loja costumava trabalhar com grandes marcas de café mas que foram substituídas por um fornecedor de café de Coimbra. Quando falei com ele, disse-me que é um pesar ter que vir um brasileiro para dar valor. Na Doce Amor também se vende cerveja produzida na cidade. Se crescemos, crescemos todos juntos. Sei que isso tem o seu valor.

Experimentem pedir o café brasileiro (um café coado, passadinho na hora) ou o cappuccino preparado com jeito brasileiro e que leva natas, canela e chocolate. A carta das bebidas tem ainda opções refrescantes para o tempo quente como o milkshake de brownie e outras que ajudam a combater o frio como o chocolate quente cremoso.

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Lucas acredita que o segredo é a dedicação e que, sem querer, encontrou um dom. De sorriso aberto, explica-nos que gosta de vender sonhos, a cada vez que satisfaz um cliente com os seus doces.

Antes de vir para Portugal e de assumir as tarefas da Doce Amor, estava a estudar para ser sacerdote. Numa viagem a Portugal em família, todos se apaixonaram pelo país e decidiram vir para cá. Lucas foi o primeiro a avançar com a mudança de vida. Nos planos estava a decisão de fazer um mestrado mas descobriu a vocação para a doçaria e acabou por apostar neste caminho. 

O começo em Coimbra foi atribulado mas Lucas sentiu-se muito bem acolhido por dois portugueses do ramo do comércio que lhe deram várias dicas importantes para o negócio: o senhor Augusto do restaurante Recanto e o senhor Amadeu, da farmácia Vilaça.

Lucas disse-nos que tem um gosto meio antigo porque ouve fado e costuma ir ao Diligência mas, ao mesmo tempo, também gosta muito de samba. Aos finais de semana, a cada 15 dias, costumo caçar e ver onde há uma roda de samba. Lucas também cultiva o gosto pela leitura, sobretudo de obras de filosofia e da história de vida dos Santos (Santa Teresa, Santo Padre Pio, São João Bosco, entre outros). Sou um jovem totalmente estranho. Todo o mundo no Harry Potter e eu nos santos, desde os 12/13 anos.

Texto: Joana Pires Araújo
Fotos: Joana Pires Araújo e Doce Amor

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