A Companhia do Estudo (CdE) desafia a comunidade a envolver-se no percurso escolar de crianças e jovens de contextos sócio-económicos desfavoráveis, para que o resultado se traduza no acesso equitativo à educação, no combate ao insucesso e abandono escolares. Este é um dos projectos cool que acolhemos na Coimbra Coolectiva e que acompanhamos.
Conversámos com Patrícia Garcia, coordenadora da Companhia do Estudo e responsável pelo departamento de Sustentabilidade da empresa Critical Software, para saber mais sobre esta iniciativa de voluntariado que, em 2023, chegou a 25 instituições educativas em Portugal, incluindo 8 em Coimbra.

Trabalho de voluntariado
Na Companhia do Estudo, os voluntários podem assumir um papel de mentoria ou de formação. O ingrediente comum é o mesmo: ter vontade de fazer a diferença na vida de jovens de diferentes regiões do país.
O trabalho de voluntariado junto de crianças do ensino básico (3º ao 6º ano), de origem socioeconómica mais desfavorecida, acontece uma vez por semana, presencialmente. São sessões de acompanhamento de cada criança, que ajudam a trabalhar a sua motivação, autoestima, confiança e ambição. Quanto aos jovens do ensino do 3º ciclo e secundário (regular e profissional), os voluntários dão explicações individuais ou para pequenos grupos, em formato presencial ou remoto.
Outros voluntários são responsáveis por conduzir sessões semanais de formação sobre programação e a robótica (Scratch) em escolas primárias. Esta formação em Scratch é especialmente concebida para crianças a partir dos oito anos e contribui para o desenvolvimento das suas capacidades analíticas e metacognitivas.

Turma de inglês
Existe uma turma de mentoria em inglês, designada MOTIVATE+, destinada a jovens de 15/16 anos ou mais, que estão no ensino secundário ou profissional, aberta a voluntários que possam não falar a língua Portuguesa, como língua materna. Patrícia Garcia explicou-nos que “sob a coordenação de Neil Mason, o programa utiliza técnicas de coaching para trabalhar a motivação dos mentorandos. O principal desafio foi a adaptação das metodologias às necessidades linguísticas e culturais, mas o impacto foi amplamente positivo, tendo sido uma experiência muito enriquecedora para mentores e mentorandos.” A ambição é levar este trabalho para além-fronteiras.
Recrutamento
Patrícia Garcia considera-se satisfeita com o processo de recrutamento dos voluntários: “tem sido positivo e, à medida que o programa cresce, estamos continuamente a procurar mais voluntários para garantir que todos as crianças e jovens que nos são identificadas possam ter alguém junto delas que não as deixa para trás, que esteja disposto a ser uma companhia inabalável em todos os momentos.”
Se têm disponibilidade e interesse em participar na Companhia do Estudo, têm até ao dia 30 de setembro para se inscreverem como voluntários. Basta submeter a candidatura, que será cuidadosamente analisada pela equipa de coordenação técnica e pedagógica do projecto.
Parceiros
A CdE também procura empresas “que queiram deixar um impacto positivo no mundo através de um sentido de cidadania activa integrando este programa na sua estratégia de sustentabilidade.”
Patrícia Garcia contou-nos que “este ano, a entrada de dois novos parceiros, LTPlabs e msg INSUR:it Life Iberia, foi crucial para a expansão do programa.” Trata-se de uma colaboração que permite que este projecto de voluntariado corporativo chegue a mais pessoas, os colaboradores das empresas parceiras, e “traz uma riqueza adicional para o programa, pois fazemos tudo em cocriação.”

Principais lições
Com três edições já realizadas, a Companhia do Estudo já aprendeu que “o acompanhamento personalizado e a flexibilidade nas metodologias são fundamentais para o sucesso do programa”. E Patrícia Garcia detalhou ainda que “as parcerias estabelecidas e a experiência adquirida têm moldado uma visão de futuro focada na expansão nacional, sempre com o compromisso de garantir a inclusão e o sucesso educativo dos nossos jovens.”

