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José Almeida foi em crescendo até ao World Youth Choir

A história do jovem cantor conimbricense sobre o seu percurso musical, desde as aulas do maestro Virgílio Caseiro, no ACM, passando pelo Orfeon, até ao coro dos melhores jovens de coral do mundo.

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Fotografia: Mário Canelas

Pelas janelas da sala do Orfeon Académico de Coimbra entram os raios de sol que aquecem a manhã fria de início de dezembro. Rodeado de posters comemorativos do coro de vozes mistas, José Almeida, estudante de Canto na Escola Superior de Música de Lisboa, conta-nos a sua viagem pelo universo musical, desde a infância até representar Portugal no World Youth Choir (WYC), “um conjunto internacional dos melhores jovens cantores de coral de todo o mundo”, fundado em 1989.

Uma vida marcada pela música

O jovem de 24 anos deu os primeiros passos desta jornada aos seis anos, altura em que começou a frequentar as aulas do maestro Virgílio Caseiro, na Associação Cristã da Mocidade (ACM). Daí seguiu para o Conservatório de Música de Coimbra, de onde saiu no 10º ano porque “queria melhorar as notas”.

Passou cinco anos sem explorar o seu amor pela música, até que entrou para o Orfeon Académico de Coimbra (Orfeon), em 2020. Desde então nunca mais parou. Este percurso culminou na participação na sessão de verão de 2024 do WYC, algo que nunca imaginou conseguir alcançar.

Desta experiência “incrível” trouxe amigos de todo o mundo e uma maior clareza quanto ao talento que tem. “Todo aquele projeto não foi tanto uma questão musical, foi uma questão de congregação”, declara José.

Apesar de não estar seguro de que gostava da área, quando ingressou no Ensino Superior, escolheu Design e Multimédia na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Foi no segundo ano da licenciatura que decidiu entrar para o Orfeon e percebeu que design e multimédia não era a sua paixão. Após a conclusão do curso, fez um ‘gap year’ em que se dedicou ao Orfeon e entrou para o Coro Sinfónico Inês de Castro.

2024 foi marcado pela decisão de seguir a carreira musical, o que o motivou a regressar ao Ensino Superior. Esse ano também se revelou especial pela participação no World Youth Choir, uma experiência que aconteceu entre 18 de agosto e 8 de setembro.

A adaptação nos primeiros dias revelou-se difícil, também pelo diagnóstico de ansiedade generalizada mas, a meio da primeira semana, já se sentia totalmente integrado no coro. Essa primeira semana foi “muito intensa”, pois o grupo ficou “preso” em Weikersheim, uma cidade rural na Alemanha, em período de ensaios. Seguiu-se uma digressão de duas semanas, que passou pela Alemanha, Países Baixos e Itália, com a apresentação de 11 concertos.

Apesar da intensidade da experiência, José quer participar na sessão de verão de 2025. O desejo de “aprender e querer mais” motiva-o a dedicar-se profissionalmente à música e continuar a participar em projetos internacionais, nunca esquecendo as suas raízes.

Os desafios de seguir uma carreira musical em Coimbra

Para um cantor que está a iniciar a sua viagem, não há nada melhor do que entrar num coro ou num grupo musical e descobrir a sua voz, o seu estilo”, aconselha José. Contudo, admite que também é preciso sorte e conseguir conquistar contactos para entrar neste mundo profissional.

“É preciso gostar-se daquilo que se faz para trabalhar na arte. Se não, não se vai a lado nenhum. O sistema educativo de artes, apesar de não te dar isso, destranca-te muitas portas para depois as poderes abrir sozinho”. (José Almeida)

Apesar de reconhecer falhas, José considera que o sistema educativo está bem construído. No entanto, aponta que seguir uma carreira artística requer muito trabalho, iniciativa e dedicação, porque “as oportunidades não se apresentam” espontaneamente. Acredita que faz falta a Coimbra educação superior em música, pois as pessoas chegam à universidade e deixam de ter o acompanhamento do Conservatório. Além disso, são obrigadas a ir estudar para outras cidades caso desejem seguir uma carreira musical, como lhe aconteceu.

Para o jovem, Coimbra tem muitos coros e grupos em larga escala, mas tem pouca oferta para cantores que desejem seguir carreira a solo, sem ser a marcação de aulas privadas.

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