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E da ponta da caneta saiu o Portugal de Vasco Mourão

Até 3 de Maio podem ver a exposição Vasco Mourão, na Casa Museu Bissaya Barreto. Desde obras anteriores até à mais recente peça, encomendada especialmente pela Fundação Bissaya Barreto e feita em residência artística no Portugal dos Pequenitos, onde vai ser futuramente instalada. Apreciar o trabalho de Vasco Mourão, ou Mister Mourão, é uma viagem por […]

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Até 3 de Maio podem ver a exposição Vasco Mourão, na Casa Museu Bissaya Barreto. Desde obras anteriores até à mais recente peça, encomendada especialmente pela Fundação Bissaya Barreto e feita em residência artística no Portugal dos Pequenitos, onde vai ser futuramente instalada.

Apreciar o trabalho de Vasco Mourão, ou Mister Mourão, é uma viagem por um mundo que é real e, ao mesmo tempo, uma interpretação do artista, que deixou de lado a arquitectura para se dedicar à ilustração e à arte. Mourão tem uma carteira de clientes notável que vai desde publicações como a Wired US, The New Yorker e o The Washington Post, ao Museu Picasso Barcelona e a gigante Apple.

Residente em Barcelona (quando não está a viajar pelo mundo), o artista português projecta no papel, ou outros materiais como a madeira e o metal, interpretações pessoais de edifícios e complexos arquitectónicos observados em áreas urbanas. O resultado são autênticos desafios visuais, edifícios inclinados, torcidos e encaixados uns nos outros, a fazer lembrar a obra do holandês Maurits Escher. Um jogo de formas e perspectivas que pode ser apreciado de perto na galeria da Casa Museu Bissaya Barreto (que se não conhecem e tiverem tempo devem visitar também, que foi o que nós fizemos).

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Na exposição patente na Casa Museu Bissaya Barreto, o centro das atenções é então a gigante folha de liga de zinco e cobre que se desdobra na parede esquerda, que Vasco Mourão pintou no final do ano passado. O desenho, feito à mão sobre a chapa de metal oxidado, demorou cerca de 2 meses a fazer e entrelaça as dezenas de pequenas réplicas do parque inaugurado em 1940, nascido pela mão e pelo génio de Bissaya Barreto e projectado pelo arquiteto Cassiano Branco. Desde os solares da Beira Alta aos pavilhões das ex-colónias, os edifícios surgem ligados entre si ao longo dos 8 metros de painel em forma de desdobrável. O processo foi gravado em vídeo, que também está em exibição na galeria. Só de Coimbra são 33 edifícios, desde a Porta Moçárabe até à Igreja de Santa Cruz.

A encomenda teve a curadoria de Alexandre Lemos, que nos acompanhou nesta visita. O projecto começou com a discussão de construir uma figura volumétrica que se libertasse da parede, com uma dimensão que pudesse completar a narração de uma coisa como o Portugal dos Pequenitos, explicou o curador. É a primeira obra do Vasco com estas características, em termos de dimensão e de materiais, e até por não se referir à primeira leitura de uma cidade e sim a uma leitura de uma leitura de uma cidade, ou de um complexo arquitectónico, continuou. Desafiamo-vos a observá-lo a partir de diferentes pontos de vista porque, por exemplo, as cores mudam devido ao efeito do metal, entre outras curiosidades que não revelamos para não estragar a surpresa. Ainda não há uma data mas a ideia é que a peça volte para o Portugal dos Pequenitos, onde foi feita, assim que estiverem concluídas obras de requalificação do parque lúdico-pedagógico .

Na galeria estão outras obras do artista português, Ouroborus em Madeira (2016), Ouroborus  em Latão (2017), Ouroborus em Papel (2017) e Matsudo Perceptions (2016). A última está exposta pela primeira vez ao público e é resultado de uma residência artística de Vasco Mourão no Japão. É a memória dele de uma cidade concreta, referiu Alexandre Lemos, que diz que o trabalho do artista é claramente muito obsessivo. Os Ouroborus são uma série focada no conceito de infinitude, de algo que não tem princípio nem fim, sequências de edifícios imaginários e construções que crescem umas nas outras num loop contínuo. Uma delas integrou recentemente uma exposição a solo na Underdogs Art Store, em Lisboa.  É um trabalho feito noutro material e uma abordagem já escultórica, porque não tem uma posição fixa, aponta o curador.

Alexandre Lemos disse-nos que a intenção da Fundação é aumentar o espaço expositivo da Casa Museu e assegurar que tenha programação mais regular. Ficamos à espera. Entretanto, já sabem, a exposição Vasco Mourão está patente, com entrada livre, até ao dia 3 de Maio, todos os dias das 11h às 13h e das 15h às 18h.

 

ATÉ 3 DE MAIO | EXPOSIÇÃO VASCO MOURÃO
Casa Museu Bissaya Barreto – Rua da Infantaria 23, Coimbra
Contactos: casamuseu@fbb.pt | 239 853800 | 239 853806

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