
A ideia surgiu entre conversas de criadores e pensadores. Wagner Merije conta que o Ecos do Mondego – Literaturas, Artes e Diálogos foi organizado porque temos muita gente boa criando nessas margens do Mondego e por todo o Portugal, com ideias afirmativas e úteis para a colectividade, mas com pouca visibilidade, com pouco apoio ou escuta. O co-curador, que é activista cultural e criador multimédia brasileiro, doutorando em Literatura Portuguesa na Universidade de Coimbra, diz que o objectivo é afirmar que a multiculturalidade é uma riqueza, em todos os sentidos.
A 1ª edição do ECOS DO MONDEGO – Literaturas, Artes e Diálogos apresenta-se em Lisboa no Sábado, dia 23 de Novembro, em Coimbra no dia 26 e no Porto dia 28 de Novembro reunindo escritores e artistas de Portugal, do Brasil e de Angola. Começa com uma tertúlia litero-musical, com abertura para o público participar, seguido de lançamento de livros e autógrafos, até porque terão exemplares à venda. Também vai ser prestada homenagem a João José Cochofel, em comemoração do primeiro centenário do nascimento do poeta de Coimbra.
Mondego
O evento vai buscar o nome ao 5º maior rio português, primeiro de todos os que têm curso inteiramente em Portugal, a nascer na serra da Estrela e percorrer toda a região do Centro até ao Atlântico, além de banhar Coimbra e ser o mais cantado na poesia e cancioneiro português. Wagner Merije diz que, no que toca aos livros, há gente para sensibilizar por toda parte mas a literatura é incrivelmente agregadora, encanta desde as crianças até os adultos. O que faz falta, na opinião do promotor do evento, é um circuito maior e mais estratégico para que todas as literaturas de Coimbra continuem sendo reconhecidas por cá e pelo mundo. Merije garante que a literatura faz parte da espinha dorsal da cidade e que há muito para se falar, da mesma forma que há muito para se descobrir. Mas para isso precisamos criar pontes para chegar aos leitores e leitoras. O projeto Ecos do Mondego é isso, “nóis é ponte e atravessa qualquer rio”, como dizia um poeta. Nessa nau encantada, voadora, tem escritores e escritoras, músicos, performers, artistas plásticos, uma trupe boa e louca para conquistar novos corações e mentes.
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Leitores
Perguntámos a Wagner Merije como é que a literatura se pode tornar mais sexy neste quase incontornável braço de ferro com as redes sociais e leitura rápida e instantânea actual. Sendo trans… ou multi… (risos)… ou seja, transdisciplinar, multidisciplinar, transgênero, atenta, disposta a conversar mas também a ouvir, a abrigar as muitas verdades que existem, a deixar a gente de todos os gêneros, origens, classes e idades aparecer e poder ser ouvida, percebida, respondeu. Veja bem, já estamos conversando, e isso é muito bom, já demos um passo, dois, dez, essa pergunta é muito provocadora. Ser sexy é uma boa proposta. Mas o que nos deixa sexy mesmo é o conhecimento, a disposição de aprender nos faz mais interessantes e os livros estão repletos de coisas para serem descobertas.
Programa
Tertúlia com: Paulo Branco Lima, Hélder Grau Santos, Wagner Merije, João Rasteiro, Aurelino Costa, Alexandre Valinho Gigas, Xana Eloy Nogueira, António Azenha,
Lucília Raimundo, Ricardo Vaz Trindade, Júlia Zuza, Manuel Pessôa-Lopes, Alexandre Moutinho, Lucerna do Moco, Manuella Bezerra de Melo, Carla, Tó Rui, Lima & Nash, Ulysses & Orpheu + surpresas
Lançamento dos livros:
– Breve, de João José Cochofel
– Peregrinação Crioula, de Paulo Branco Lima
– Psyché e Hamlet vão para Hodiohill, de Wagner Merije
– Equinócio, de Alexandro Valinho Gigas
– Brilha quando foge, Júlia Zuza
– Pés pequenos pra tanto corpo, Manuella Bezerra de Melo
– Coimbra em Imagens, de vários autores
Datas:
– Lisboa | 23 Nov | 16h30 às 18h30 | Lugar Específico
– Coimbra | 26 Nov | 20h às 22h | Liquidâmbar
– Porto | 28 Nov | 21 às 23h na Unicepe
Texto: Filipa Queiroz
Fotos: Cartaz, oficiais de Hélder Grau (capa), Wagner Merije, Xana Eloy Nogueira e Pires Laranjeira com Paulo Branco Lima e João Rasteiro



