
No ano passado foi um fim-de-semana com 9 concertos de bandas locais, mas este ano vira uma autêntica mostra cultural da Região Centro. De 27 de Março a 24 de Abril, Coimbra é o Epicentro do teatro do Kalash, do livro da Rita Nabais com a Joana Raimundo, da estreia do filme do Rui Portulez e do Ricardo Clara Couto e do som dos Stone Dead de Alcobaça, dos Birds Are Indie de Coimbra e dos Moonshiners de Aveiro. Tudo assim, tu cá tu lá. Estendemos a programação e a oferta, não só em termos de actividades mas também em relação ao conceito que temos do Epicentro, de ser estendido a toda a região em termos dos convidados, dos criadores, diz João Silva, director do Epicentro.
Os parceiros também aumentam. Entra o Museu Nacional de Machado de Castro, por exemplo, que abre com Guarda-Chaves de ouro o programa. É um convite que fazemos, uma sessão de abertura onde vamos ter vários convidados, músicos, escritores que depois estarão presentes nas várias actividades do Epicentro, continua o mentor do evento organizado pela agência e produtora Blue House. Ricardo Kalash faz a visita guiada ao Criptopórtico no dia 27 de Março, Dia Mundial do Teatro, e também há Oficina de Teatro de 30 de Março a 3 de Abril.
O Epicentro abre oficialmente no dia 3 de Abril e continua ao longo de dois fins de semana: 9, 10, 11 e 16, 17 e 18 de Abril, com concertos no Salão Brazil, Teatro da Cerca de São Bernardo e Teatro Académico de Gil Vicente e DJ sets a animar o resto da noite. Durante o dia há Cinema ligado à música e nós também fazemos uma perninha – a Coolectiva lança uma série de Conversas com artistas, comunicadores e agentes culturais. O que nós queremos mesmo que isto seja é a mostra de cultura do centro, bastante centrada na criação que é feita por cá e por pessoas que se identificam ou que são naturais daqui, diz João Silva, ele próprio (também) músico da banda A Jigsaw.
Localidades como Alcobaça, Leiria, Aveiro, Caldas da Rainha, Guarda, Viseu e Castelo Branco estarão representadas e o público também se quer diversificado. Dia 18 de Abril há outra oficina que volta a chamar os mais novos ao barulho, Rádio Tremor, para além da apresentação do livro A História do Rock para Pais Fanáticos e Filhos com Punkada (2017) – de que falámos aqui. O sismógrafo musical que faz questão de ter a Baixa de Coimbra como espaço-âncora promete surpreender. Coimbra tem espaço para fazer muita coisa, remata João. Querem ver?

Conversas
A Blue House lançou-nos o desafio e nós agarrámos. Nas tardes dos dias 3, 9, 11, 17, 18 e 24 de Abril, a Coolectiva apresenta no Epicentro uma série de Conversas com agentes culturais, comunicadores e artistas da região ou com ligação a ela. Os temas vão andar à volta da criação, produção, programação e comunicação cultural. É preciso mais programação, mais oferta, mais espírito crítico, atira João Silva. A ideia é o Epicentro ser o sítio onde mostras coisas pela primeira vez, tentar que sejam coisas que pela sua qualidade e pelas pessoas que participam, com as suas características, possam agitar um pouco e fazer algo a que não se fique indiferente, completa. A primeira conversa e abertura oficial do Epicentro é no dia 3 de Abril, pelas 16h, no Museu Nacional de Machado de Castro, e o resto do programa vai ser revelado em breve.

Concertos | 9 de Abril
Salão Brazil
Senhor Doutor
Coimbra
Com o fantasma do sentimento de pertencer a outro lugar, Senhor Doutor veste fados, bossas e outros roques com um dandismo de roulote e nódoas na jaqueta. Canta quem quer parecer, fazendo relatos dos mais típicos males da vida, ao ritmo de um burlesco optimismo. Com letras que pretendem arrancar sorrisos, dúvidas e, se possível, alguma vergonha maquilhada, salpica as suas palavras com um pop-folk harmoniosamente envenenado.
Ouvir | Ver
Birds are Indie
Coimbra
Nasceram em Coimbra, entre Ricardo Jerónimo e Joana Corker, que se apaixonaram há 22 anos e aos quais se juntou Henrique Toscano, um amigo de longa data. Banda independente com uma forma peculiar de estar em palco, afirmou-se junto do público e da crítica, tocou por todo o país e Espanha. Depois de vários EPs e 4 álbuns, os Birds Are Indie assinalam no Epicentro o 10º aniversário e estreiam o 5º longa-duração, gravado na Blue House e com selo da editora Lux Records.

Filmes
O Centro de Estudos Cinematográficos, na Associação Académica de Coimbra (R. Padre António Vieira), abre as portas a 4 documentários musicais, um a estrear em Coimbra. O Uivo, de Eduardo Morais, é o primeiro a passar, dia 10 de Abril, pelas 15h. O filme segue os passos de António Sérgio, figura mítica da música alternativa em Portugal. No mesmo dia, às 17h30, passa Tecla Tónica, do mesmo realizador. Seguem-se Os Filhos do Tédio, de Rodrigo Lacerda e Rita Alcaire, e Farewell, de Rui Portulez e Ricardo Clara Couto, sobre a banda Sean Rilley & The Slowriders. Passam no dia 16 de Abril, pelas 15h e 17h30.
Concertos | 10 de Abril
Salão Brazil
Palmers

Caldas da Rainha
Fiéis a riffs eletrizantes e ritmos acelerados, os Palmers surgem nas Caldas da Rainha horas depois de um concerto de uma das suas bandas preferidas. Raquel Custódio (bateria), Cláudia Sofia (baixo) e Vasco Cavalheiro (guitarra) trazem do sótão da avó uma promissora e marcada sonoridade que junta Garage, Surf e Punk Rock.
Gary Yamamoto e Saci Pererê
Sabugal/Guarda
Tudo começou em 2017 mas Gary Yamamoto e Saci Pererê começaram rapidamente a dar cartas abrindo concertos para bandas como Mata-Ratos e The Parkinsons. Assinam no ano seguinte com a Tomba-Lobos, registos phonográficos da Beira Interior e fazem o lançamento físico do álbum de estreia Nice People, Nice Food, Nice Weather. Toda a poesia remete para o universo dadaísta e da poesia experimental, as letras usam um inglês desorganizado e completamente erróneo tanto a nível gramatical como lexical.
Stone Dead

Alcobaça
Quem disse que o rock estava morto não ouviu Stone Dead. O ciclo electrificante do rock, com a guitarra em punho a puxar na mesma direcção que um baixo proeminente e detalhado com vários apontamentos de melodia, encontra uma nova vida no registo da banda que parece ter frequentado todas as escolas de riffs de 66 a 77.
Livros
As autoras Rita Nabais e Joana Raimundo apresentam o delicioso A História do Rock para Pais Fanáticos e Filhos com Punkada (2017), da editora Escafandro, de Alcobaça. A sandes favorita de Elvis Presley e o recorde do Guiness de Madonna são algumas das curiosidades sobre os quase 150 músicos que constam na deliciosa obra de que falámos aqui. Tem sido um enorme sucesso e vai já na segunda edição (aumentada). Vai ser no dia 18 de Abril, às 16h30, no Colab. Antes disso, dia 9 de Abril, no mesmo sítio, Pedro Miguel apresenta Uma Cena ao Centro (2018), o livro que mergulha nos loucos anos 90 para revelar a fotografia definitiva sobre a primeira vaga de explosão de bandas em Leiria, Marinha Grande, Alcobaça e Caldas da Rainha.

Concertos | 11 de Abril
Salão Brazil
Castilho
Viseu
Castilho constrói as suas canções de forma simples e harmoniosa, oferecendo-lhes um toque pop da década de 70. O single de estreia Come Back trouxe os primeiros concertos em 2018 e airplay nas rádios nacionais portuguesas. Seguiram-se Moving Fast, Moving Slow e Lucky Ones, que nos abrem as portas do seu primeiro disco, editado no início de 2020, que se pode esperar uma continuação da estética apresentada nas anteriores canções.
Mr. Gallini
Alcobaça
Dizem que quem passa por Alcobaça não passa sem lá voltar A não ser que já se seja de lá e que se saiba que, para além da adoração à arte da doçaria conventual, também vai perdurando a veneração por outra arte menos antiga, a de fazer rock n’roll. Terá sido mais ou menos assim com Mr. Gallini, nascido em Pisões, a quem os pais deram o nome Bruno Monteiro. Começou na vida rock enquanto baterista de outros irmãos da mesma região, os Stone Dead. Sem esquecer a casa-mãe mas procurando também encontrar o seu próprio espaço enquanto artista a solo, Gallini lançou Lovely Demos, o álbum de estreia, em 2018, e apresenta agora o sucessor – que é, também, o segundo tomo de uma trilogia anteriormente anunciada. The Organist mostra o lado mais pop de Gallini, seguindo um método sempre rock (refrões,juventude, electricidade) mas deixando espaço para que outras ferramentas mais eletrónicas (teclados, theremins e vocoders) possam também respirar, num álbum que bebe tanto à brit-pop dos anos 90, como à space era dos anos 50, mas que soa vivaço e actual,sem cair nos pantanosos terrenos da mera nostalgia.
Mooshiners
Aveiro
Os Moonshiners, constituídos por Gamblin’ Sam (voz e harmónica), Susie Filipe (bateria) e Vítor Hugo (voz e guitarra), surgem em Aveiro, no início de 2012. Sob a alçada de influências como Bob Dylan e Morphine, a sua música destaca-se por riffs frenéticos e ritmos galvanizados. Entre 2013 e 2015 editaram dois EPs. O primeiro é homónimo e inclui 6 canções originais sobre whisky e cerveja, conversas entre Deus e o Diabo e réquiens de amor falhado. O segundo, intitulado Good News For Girls Who Have No SexAppeal, contou com a participação especial de Paulo Furtado (The Legendary Tigerman) e revelava 10 novos temas, desde uns caóticos e eléctricos, até outros mais melódicos. No ano de 2017 a banda circulou pela Europa, com passagem pelos festivais Eurosonic Noorderslag (Holanda)e Veszprémi Utcazene (Hungria), aos quais se juntou uma digressão no norte de Espanha. Finalmente, em 2018, além da distinção com o prémio espanhol Pop Eye, lançaram o álbum Prohibition Edition, cuja tour de apresentação, além de diversas salas portuguesas, já passou pela Suécia, Canadá, Espanha e Holanda.

DJ Set
Para quem ficar com vontade de mais no final do(s) dia(s) e noite(s) de concertos, há DJ Set a partir da meia-noite em casas com o Pinga Amor, Odd e Aqui Base Tango, geralmente já frequentada pelos suspeitos do costume, artistas e agentes culturais locais, mas nestes dias ainda mais. Jay Jay (Joana Dias & João Tiago), Rita Nabais, João Nuno & Nuno Ávila, Jetro Tuga, Sonic Daddy e Eduardo Morais vão ser alguns dos culpados pelas noites bem passadas ao som de diversos estilos de música.
Concertos | 18 de Abril
Teatro da Cerca de São Bernardo
JP Simões

Cantor, compositor, letrista, contista e dramaturgo, JP Simões edita álbuns desde 1995, com Pop Dell’Arte, Belle Chase Hotel, Quinteto Tati e a solo ou em colaboração com outros compositores. O seu último álbum em nome próprio, Roma, foi editado em 2013 e mereceu uma longa digressão nacional e internacional. Em finais de 2016, lançou Tremble Like a Flower, em nome do alter-ego Bloom. Depois da participação no Festival da Canção de 2018 com Alvoroço, que venceu o prémio de melhor tema de música popular na Gala Prémio Autores 2019 da Sociedade Portuguesa de Autores, JP Simões voltou para a estrada para apresentar, de Norte a Sul, um espectáculo com reportório que atravessa diferentes fases e facetas da sua carreira.
Raquel Ralha e Pedro Renato

Raquel Ralha e Pedro Renato trabalham juntos desde o tempo dos Belle Chase Hotel. Prosseguiram caminho com Wraygunn, Azembla’s Quartet e, mais recentemente, com Mancines. A convite do programa Cover de Bruxelas, que emite semanalmente na Rádio Universidade de Coimbra, juntaram-se na Blue House, pela primeira vez como um duo, para gravar três ‘covers’. Assim surgiram as versões de Nerves (Bauhaus), Peek-A-Boo (Siouxsie and The Banshees) e Right Now (Herbie Mann / Mel Tormé), que funcionaram como motor de arranque a The Devil’s Choice, Vol. I, um disco integral de versões, editado pela Lux Records. Raquel Ralha & Pedro Renato atenderam às escolhas do Diabo com The Devil’s Choice vol.1 e voltaram para a última penitência com The Devil’s Choice vol. 2.
Concertos | 24 de Abril
Teatro Académico de Gil Vicente
Animais

Decorria o ano de 2003 e Coimbra, então Capital da Cultura, viu subir ao palco do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) o espetáculo Mondego Chase, com base em alguns dos mais emblemáticos temas de Carlos Paredes. Independentemente das encorajadoras críticas que gabavam o projecto, e da benção de um Carlos Paredes emocionado, o trabalho ficou guardado nas memórias de quem o ouviu e dos músicos que o conceberam. 15 Anos mais tarde, arquitectaram o projecto que ressuscita e completa a aventura musical pelo universo sombrio e vibrante da figura mais carismática da guitarra portuguesa.
José Valente

Considerado um dos violetistas mais inovadores da sua geração, José Valente continua a desenvolver uma intensa actividade musical definida pela irreverência, virtuosismo e contemporaneidade das suas composições e concertos. Desde o seu regresso de Nova Iorque que o premiado violetista tem vindo a explorar os limites do seu instrumento através da simbiose de diversos estilos musicais, raramente associáveis ao repertório tradicional para viola d’arco, estabelecendo assim uma linguagem e visão musical únicas que, através do seu disco “Serpente Infinita”, lhe valeram o recente Prémio Carlos Paredes.
Texto: Filipa Queiroz com Epicentro
Fotos: Salão Brazil, Epicentro, A História do Rock para Pais Fanáticos e Filhos com Punkada, banco de imagens





