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Bolsas ajudam e motivam estudantes de São Martinho e Ribeira de Frades

A pensar nas dificuldades das famílias, a União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades lançou, em plena pandemia, uma bolsa que cobre o valor das propinas. Em dois anos, o número de beneficiários mais do que duplicou. Estudantes e famílias falam de uma importante ajuda.

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Fotografia: Mário Canelas

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Quanto custa estudar na universidade

Estudar na universidade pode representar um encargo financeiro de seis mil euros por ano. A pensar nas dificuldades das famílias, a União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades lançou, em plena pandemia, uma bolsa que cobre o valor das propinas. Em dois anos, o número de beneficiários mais do que duplicou. Estudantes e famílias falam de uma importante ajuda.

Juliana Marceneiro está no último ano da licenciatura de Fisiologia Clínica na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra. Prestes a acabar o curso, a jovem de 22 anos tem como principal objectivo entrar no mercado de trabalho. Apesar de considerar que a investigação é crucial para melhores diagnósticos e tratamentos, admite que essa é uma área que lhe dá «pouca motivação». «O que gosto é mesmo de estar com pessoas», justifica para excluir, para já, a possibilidade de um mestrado. Na sua área, Coimbra tem poucas ofertas, mas a cidade continua no topo das suas prioridades e é por cá que espera continuar. É assim agora e já o foi quando se candidatou à faculdade, com o curso de fisioterapia em mente. «As minhas opções foram todas em São Martinho do Bispo. A única coisa que queria era não sair de casa e correu muito bem». 

Juliana é uma das estudantes contempladas com uma bolsa para estudantes do ensino superior da União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades. Aconteceu este ano lectivo, pela primeira vez, graças às alterações no regulamento. Como soube? «Foi coincidência. Tinha ido tomar o pequeno-almoço com a minha mãe e o presidente da junta de freguesia estava lá e perguntou-me se eu não me queria candidatar». Por cumprir os requisitos, Juliana não pensou duas vezes. «As propinas são um encargo bastante grande no orçamento dos nossos pais. Felizmente ao longo dos anos têm vindo a baixar e a situação tem-se tornado um pouco mais fácil, mas não deixa de ser dinheiro por mês gasto que já não sai do nosso bolso. Pago cerca de 70€  [mensais]. Quando entrei pagava 100/120€.»

Os destinatários iniciais da bolsa eram os alunos matriculados pela primeira vez no ensino superior, o que impedia consequentes candidaturas. Uma lacuna, nas palavras do presidente Jorge Veloso, corrigida na segunda edição. «Demos no ano passado [bolsas] a alunos que entraram para a faculdade. Se quisessem continuar a usufruir da bolsa de estudo, já não tinham direito. Pelo que resolvemos alargar [o universo de candidatos abrangidos]», recorda o presidente. 

«Dá sempre jeito»

Este ano lectivo são 32 os alunos a receber bolsa, mais duas dezenas do que na primeira edição da iniciativa. Diogo Vaz é um repetente. «Dá sempre jeito», conta o jovem no segundo ano da licenciatura de Ciências Florestais e Recursos Naturais na Escola Superior Agrária. «Em termos financeiros ajudou muito. Há dois anos que não peço dinheiro aos meus pais». A mãe, Catarina Banaco, faz notar que é uma forma de o filho aprender a gerir o seu dinheiro e ter noção «do que a vida custa».

Por mês, cada estudante recebe 70€, o que, para a União de Freguesias, se traduz numa despesa superior a 2 mil euros. A verba atribuída cobre as despesas com a propina anual, actualmente de 697€, o valor mais baixo dos últimos anos no ensino superior público.

Com o pagamento da propina assegurado, os estudantes admitem que, ao final do mês, a poupança no orçamento familiar permite canalizar esforços financeiros para outras necessidades relacionadas com os estudos. «É dinheiro que pode ser investido num computador ou noutras coisas que nós acabamos por precisar e [para as quais] não temos esse tipo de ajuda», argumenta Juliana Marceneiro. No seu caso, o apoio veio colmatar ainda a inexistência de uma bolsa de estudo da Direcção Geral do Ensino Superior, à qual desistiu de se candidatar.

Famílias agradecem apoio

Catarina Banaco e Daniel Vaz consideram que a bolsa é um reconhecimento pelo trabalho de Diogo e, em simultâneo, uma ajuda importante no orçamento. Quando lhes perguntamos se conseguem contabilizar a percentagem do peso das despesas nas contas familiares, Catarina lança que não vai a esse detalhe. «Percentagem não sei, mas pesa. Nem quero pensar muito nisso porque temos, neste momento, de viver a vida um dia de cada vez». Ainda que sem contabilidade detalhada, a família admite que é «caro» e «não é muito fácil».

Mas vamos a contas. Em média, segundo a Pordata, em 2019, o ganho mensal dos trabalhadores por conta de outrem era de 1182€. E quanto custa estudar na cidade? As estimativas da Universidade de Coimbra apontam para cerca de 6 mil euros por ano, ou cerca de 500€ por mês. As contas incluem despesas mensais com alojamento nas residências da instituição (169€), alimentação nas cantinas universitárias (144€), bem como despesas com material escolar (75€) e com transportes (22€). Esta estimativa prevê ainda 88€ com outras despesas e a estes valores acresce ainda a propina.

Para a família do Diogo Vaz «o facto de ele estar [a estudar] na cidade e de não ter de pagar alojamento nem alimentação é uma mais-valia». A família sublinha ainda a responsabilidade do jovem que, dizem, é controlado no que vai pedindo, sem exigir muito. «Ele também está dentro das nossas dificuldades de vida e tem capacidade de perceber isso», resume o pai Daniel Vaz.  

No caso de Juliana Marceneiro, as despesas aumentaram neste ano, quando, pela primeira vez, teve que se ausentar da cidade por causa do estágio. Após ter passado pelas unidades hospitalares da cidade, esteve um mês e meio no Porto. «Por acaso, nós conseguimos uma casa mais barata muito perto do hospital onde estava, mas, possivelmente, naquele mês, se eu tivesse que pagar propinas e renda de casa não sei como teria sido», desabafa. Esta saída coincidiu com o aumento dos custos dos combustíveis e a jovem recorda que «havia semanas que vinha a casa e os meus diziam-me: «Não sei se tenho dinheiro para te dar para a gasolina». Foi complicado nesse sentido e, por isso, acho que a bolsa foi bastante importante ao poder colmatar os esforços adicionais que tivemos de fazer».

Jorge Veloso acredita que a área social tem de ser uma das «grandes preocupações e prioridades» da União de Freguesias. Daí também este apoio que acabou por chegar em plena pandemia, um período complicado para todos. «Houve famílias que levaram um grande arrombo nas suas economias. Houve pessoas que perderam casas, que têm moratórias que começaram a pagar há pouco tempo e não sabem como é que as vão pagar. E recorrem aqui [à junta] muitas vezes. Penso que as freguesias estão a fazê-lo, e nós não somos excepção, cada vez mais apostamos num melhor e mais eficaz apoio social às famílias, porque elas precisam».

Aguçar a motivação

O curso para o qual Diogo Vaz entrou era a última opção. O primeiro ano foi crucial para se manter: «Gostei e continuei». Com as opções de futuro ainda em aberto, Diogo está dividido entre fazer um mestrado em Lisboa ou seguir o sonho de frequentar a Academia Militar. Para já, e de pés assentes no presente, assegura que o objectivo é terminar o curso e a bolsa que tem é uma motivação para trabalhar mais. «Sabendo que estou a ter uma ajuda, acho que tenho de retribuir.» 

Motivação também não tem faltado a Juliana Marceneiro, uma repetente em candidaturas a prémios da União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades. Desde o 6.º ano de escolaridade que, no final de cada ciclo escolar, recebeu uma bolsa de mérito pelos bons resultados escolares. A compensação monetária valeu-lhe «uma boa conta poupança» e desejo de continuar entre os melhores. «Lembro-me que no 9.º ano atravessei uma fase mais complicada, porque perdi a minha avó. Recordo-me de falar com os meus pais que ou ia para uma explicadora de matemática ou não ganhava o prémio da junta. Eu dizia-lhes: «Eu tenho que ganhar o prémio, sabem que é dinheiro importante»». Uma motivação que deu frutos: não só subiu de uma nota negativa para positiva, como conseguiu ter uma das melhores médias. «As colegas que concorreram tiveram menos um 5 do que eu.»

Jorge Veloso entrega prémios de mérito há cerca de 20 anos. Começou ainda quando era apenas presidente da freguesia de Ribeira de Frades, antes da criação das Uniões de Freguesia. «Já me passaram aqui alunos desde o primeiro ciclo até ao 12.º ano. Alguns estão agora com bolsas de estudo», recorda, orgulhoso dos jovens da freguesia. Na última edição, 60 alunos receberam o prémio de mérito. «Dar condições de aprendizagem e de ensino é bom», confessa, admitindo que é ainda uma forma de reconhecimento dos alunos. «Continuaremos a apostar muito na educação», promete Jorge Veloso.

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