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O que é a Critical Software

Companhia do Estudo e do coração de centenas de miúdos e mentores

Já são 75 os voluntários do projecto lançado pela tecnológica Critical Software de acompanhamento de crianças e jovens desfavorecidas do ensino básico e secundário em Portugal, inclusive em Coimbra.

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Fotografia: Cortesia Companhia do Estudo

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O que é a Critical Software

A ligação foi combinada, mas quando Patrícia Garcia atende o telefone parece surpreendida. Percebemos um sorriso nervoso do outro lado, além do sotaque do Norte. A coordenadora do programa Companhia do Estudo, que faz parte do departamento de Pessoas & Sustentabilidade da empresa tecnológica Critical Software, está no Porto, onde começa por confidenciar que viveu quase toda a sua vida, mas admite que trabalhando na gigante tecnológica com sede em Coimbra, a cidade acaba por ser incontornável. «É quase impossível estar na Critical e não ir a Coimbra, é como a nossa Meca». 

Achamos piada ao termo e continuamos a conversa para saber o que é a Companhia do Estudo. A voz de Patrícia treme de novo. Foi então que percebemos que o problema não é o nosso telefonema mas o assunto, que a comove. «A Companhia de Estudo é um projecto emocionante e que surgiu de uma forma emocionante. Houve aqui uma chamada do Gonçalo Quadros, que disse que tinha uma ideia e me pediu ajuda para a concretizar», confidencia, mal sabendo que ia concretizar um sonho que nunca tinha conseguido concretizar na sua cabeça. Gonçalo Quadros é empresário, co-fundador da empresa Critical Software SA, sediada em Coimbra, com escritórios em Lisboa, Porto, e subsidiárias nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Brasil, Angola e Moçambique.

A ideia era a de lançar um programa de voluntariado em que colaboradores da empresa pudessem acompanhar uma criança de um contexto mais frágil e, se possível, proporcionando o sucesso dela a todos os níveis. «Acompanhar a criança academicamente mas não só, também dar-lhe um cunho de inspiração, de motivação, de abertura de horizontes, porque muitas vezes as crianças não têm alguém que lhes proporcione isso», conta Patrícia. A profissional formada em ensino de inglês e alemão admite que o estágio como professora mostrou-lhe que «cuidar do ser humano que está na nossa frente, não é só transmitir conhecimento» e que «a educação tem de ser muito mais abrangente. Há muitas crianças que só precisam de um olhar atento e interessado, atenção e espaço para falarem sobre o que lhes vai na alma. Esse sempre foi um anseio meu». 

O projecto piloto da Companhia de Estudo foi construído rapidamente, com muita gente entusiasmada e um apelo ao coração. Arrancou em Março de 2021, durou três meses e contou com três dezenas de colaboradores da empresa tecnológica, desde engenheiros a pessoal dos Recursos Humanos, que apoiaram individualmente mais de 30 jovens alunos do fim do 1.º ciclo e em início de escolaridades pluridocentes. Na génese, está uma parceria entre membros da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), que ajudaram na conceção do projeto e na preparação e acompanhamento contínuo dos mentores, e da Portugal Inovação Social, que identificou as oportunidades de implementação do projecto. Foi montado um programa formativo de 20 horas e, em finais de Abril, os voluntários ou mentores já estavam a conhecer as crianças que iam apoiar. Em Coimbra, elas estavam no Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, Agrupamento de Escolas Coimbra Oeste e no Agrupamento de Escolas Martim de Freitas.

«A educação tem de ser muito mais abrangente. Há muitas crianças que só precisam de um olhar atento e interessado, atenção e espaço para falarem sobre o que lhes vai na alma. Esse sempre foi um anseio meu». 

Patrícia Garcia, coordenadora do programa Companhia do Estudo

«Quando recebemos a primeira confirmação foi emocionante, porque era tudo novo para nós, inclusive como chegar às crianças», diz Patrícia Garcia. As crianças foram seleccionadas pelas próprias escolas identificadas pela Companhia, em cidades onde a Critical Software tem escritórios como Lisboa, Porto, Tomar e Viseu. Desde crianças de diferentes nacionalidades a meninos e meninas cegas, surdas e do espectro autista, há de tudo um pouco, inclusive imigrantes com dificuldades na integração. «Aqui o objectivo dos mentores é ajudar a tornar esse caminho mais suave». 

Em Setembro de 2021, a Companhia de Estudo bateu à porta de algumas empresas parceiras como a Nest Collective, a Present Technologies, Bluepharma e Critical Techworks (joint venture da Critical Software com a BMW) e fez uma open call pública. O resultado foi: mais mentores e duas dezenas deles em nome individual. Nenhum voluntário entra em contacto com uma criança sem um escrutínio e uma formação rigorosas. Pela primeira vez, pessoas fora da Critical Software puderam inscrever-se, mas tinham de ter frequentado ou concluído formação superior. A empresa alargou o âmbito do projeto com o intuito de chegar a até 200 crianças, de norte a sul do país e agora, além do apoio a crianças no 1.º e 2.º ciclos, a iniciativa passa também a incluir sessões de mentoria para jovens do 3.º ciclo e secundário. 

Há outros dois programas, um focado em ensinar programação (Scratch) e robótica nas escolas primárias — que de acordo com Patrícia arranca muitos «Uau!» nas salas de aulas —, e outro que, contando com a colaboração de entidades e outras empresas, pretende organizar eventos que levem a cultura, a ciência e o desporto até às crianças. Em todos os programas, a missão é inspirar, motivar e apoiar, contribuindo para uma formação inclusiva e enriquecedora. Num contexto pandémico que apresentou desafios no acesso à educação, agravando as desigualdades sociais e prejudicando o interesse e compreensão das matérias, a Companhia sentiu que fazia sentido criar uma iniciativa que ajudasse a contrariar a tendência.

O envolvimento e dedicação ao projeto tem tido resultados «muito positivos» que se reflectem, desde logo, na motivação e determinação das crianças em relação ao estudo. «No final do projecto piloto, por exemplo, foi possível conhecer os encarregados de educação de algumas das crianças e vê-los abraçar os mentores e pedirem para eles voltarem a acompanhar os filhos no ano lectivo seguinte», nota Patrícia Garcia. «Tivemos essa recepção muito positiva e nós conseguimos manter esse acompanhamento à maior parte este ano também. A felicidade deles ultrapassa-nos e dá-nos a certeza do impacto positivo da iniciativa.» 

«Vivemos numa sociedade muito individualista mas nós somos uma aldeia. Quando cuido de uma criança, mesmo que não seja minha, sinto que estou a cuidar de uma aldeia inteira».

Patrícia Garcia, coordenadora do programa Companhia do Estudo

Questionada sobre se a Companhia de Estudo vem complementar ou preencher uma lacuna no sistema educativo nacional, a responsável afirma que muita coisa é feita e o objectivo do projecto não é imiscuir-se no sistema educativo e «dizer que é assim que deve ser feito». «Acho que a expressão: “É preciso uma aldeia para educar uma criança” aplica-se. Vivemos numa sociedade muito individualista mas nós somos uma aldeia. Quando cuido de uma criança, mesmo que não seja minha, sinto que estou a cuidar de uma aldeia inteira».

Hoje são 75 os mentores com que Patrícia fala diariamente e o que começou por ser um piloto, hoje é apenas de quatro pilares. Patrícia nota que estão a levar a literacia digital «a locais muito ermos como Casconha, Cernache e São Bartolomeu» e explica que estão a apoiar crianças surdas, contando até com um voluntário surdo». Assegurando a parte operacional, Patrícia diz que ainda hoje o projecto «é um sonho tornado realidade» para ela. «Digo muitas vezes que o faria voluntariamente, sem que fosse o meu trabalho profissional, porque há aqui um impacto na vida da outra pessoa e de outras pessoas. Sentimos que estamos a ajudar famílias que estão a passar por situações graves e poder saber que com um bocadinho do meu tempo posso fazer essa diferença, não há nada que se equipare.»

A próxima chamada da Companhia de Estudo está prevista para Setembro de 2022, os interessados devem ficar atentos à página da Critical Software na internet e à informação divulgada entretanto pela comunicação social. Este é um dos projectos cool que acolhemos na Coimbra Coolectiva e que vamos continuar a acompanhar e divulgar.

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Quem quer fazer parte da Companhia do Estudo?

Estão abertas as inscrições para fazer a diferença na vida de uma criança ou jovem através da iniciativa da Critical Software e parceiras Bluepharma, Critical Techworks, Nest Collective e Present Technologies.

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