Contribuir small-arrow
Voltar à home
Saibam

Actividades de verão do CASPAE

Scratch 4All: a combinação perfeita de educação, diversão, autonomia e criatividade

Além de levar os mais novos a dar os primeiros passos na programação, o projeto com financiamento público que já formou mais de quatro mil alunos do Ensino Básico promove a motivação para aprender, contribuindo para a autonomia na construção do conhecimento e aprendizagem.

Partilha

Fotografia: Mário Canelas

Saibam

Actividades de verão do CASPAE

Uma visão encantadora e a borbulhar de excitação. Uma atmosfera que não deve ser muito comum no Auditório do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC). Mas foi exatamente esta doce efervescência que marcou, na manhã do dia 21 de junho, o solene espaço, quando dezenas de crianças do 1.º ciclo do Ensino Básico participaram no encerramento do ano letivo do Scratch 4All. O projecto contou com 34 equipas, de diversas escolas de Coimbra – apenas uma era de fora. Entre elas estava a da Escola Espírito Santo Touregas, composta por oito crianças – seis miúdas e dois meninos.

Promovido pelo Centro de Apoio Social de Pais e Amigos da Escola (CASPAE) que tem entre seus objetivos implementar ações de apoio a indivíduos e/ou famílias em dificuldades e risco de exclusão social, o Scratch 4All é um projeto para as crianças finalistas do Ensino Básico, com financiamento do Portugal Inovação Social. É baseado na linguagem de programação Scratch que desenvolve o pensamento lógico, mas de forma criativa.

Auditório do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC)

Desde janeiro de 2023, que o projeto é cofinanciado pelo Município de Coimbra e tem como parceiro o ISEC/IPC e financiamento do Portugal Inovação Social. Até 2022, foi desenvolvido pelo CASPAE em parceria com a Inova-Ria Associação de Empresas de Aveiro, com patrocínio e co- financiado pela União Europeia. Em seus quatro anos de funcionamento, o Scratch 4All já formou mais de quatro mil crianças, divididas em mais de 200 turmas, tendo por base o currículo letivo e interligação dos saberes teóricos escolares com aspetos de uma educação mais ampla e mais presente no cotidiano das crianças e de seus familiares, como cidadania, ambiental, rodoviária, entre outros.

A eficácia do projeto pode ser constatada nos temas dos trabalhos dos participantes. A equipa da EB1 de Casais explicou-nos o que são energias renováveis, a de São Martinho do Bispo ensinou-nos como cuidar da água, a de Coselhas educou-nos sobre os idosos na tecnologia, a da Quinta das Flores mostrou-nos como se dá o desenvolvimento sustentável, a de Santa Cruz iluminou-nos sobre musicoterapia para autistas, entre outros temas de grande importância.

«O Projeto Scratch4All procura melhorar a qualidade e inovação do sistema educativo, contribuindo para a prevenção e redução do abandono escolar precoce e promover a igualdade de acesso à educação, associando-se o desenvolvimento de competências específicas fortemente valorizadas em termos educativos, profissionais e sociais», referiu um dos coordenadores, Ricardo Almeida.

Quem ensinou as crianças a utilizar o aplicativo que as introduz ao universo da programação informática e codificação foi um corpo de quatro professores, que ia às escolas uma vez por semana para aulas com uma hora de duração. Este trabalho incluía ainda aproximar os pequenitos dos investidores sociais, que apoiam o projeto. Esta aproximação pode ser tão marcante e positiva que, como resultado, os miúdos desenvolvem seus trabalhos inspirados naqueles apoiadores. Foi o caso da E1 de Montes Claros que nos repassou o que aprenderam sobre direitos humanos com profissionais da FAF Advogados, com matriz em Coimbra e escritórios no Porto e Lisboa. O Projeto conta com 23 investidores sociais e mais de 60 parceiros.

Segundo Rui Ferreira, que também coordena o Projeto e é um dos professores, «a implementação das atividades resulta em diferentes aplicações, como histórias interativas, jogos, entre outros exercícios, definidos pelos alunos e de forma a abranger conteúdos de todas as áreas disciplinares». O que permite relacionar esses novos saberes tecnológicos com questões relacionadas com educação ambiental, educação para a saúde, educação financeira, educação rodoviária, educação para a cidadania, entre muitos outros temas.

«Fez-me pensar sobre criatividade e fiquei mais extrovertida», disse Laura Gonçalves, de 9 anos, em resposta sobre o que mais gostou do Scratch4All. Ela é uma usina de energia, de simpatia e de vigor, que resulta na mais perfeita produção orgânica de alegria e uma incontestável capacidade de liderança. Título, líder, que ela rejeita com veemência. O que atesta ainda mais esta sua soft skill, em português habilidade comportamental na condução das suas atividades diárias, que envolve inteligência emocional, capacidade de motivação e de inspiração, entre outros atributos.

Laura liderou sua equipa, seis meninas e dois miúdos, com idade média de 9 anos, da E1 Espírito Santo das Touregas, mas dois não quiseram dar entrevista. Foi ela também que apresentou, juntamente com Júlia Alves, o trabalho que desenvolveram usando o Scratch sobre as águas do Centro Litoral, que foi um dos finalistas.

Júlia diz que desenvolveu novas habilidades, entre elas «pensar antes de fazer» e também a divertir-se com o seu computador portátil de forma bastante criativa. Quem também apreciou o «pensar» foi Lara Costa. Mafalda Fortunato gostou imenso de ter aprendido a ter «ideias diferentes, ideias mais divertidas, por exemplo, criando uma gota de água que faz muitas coisas». Carolina Carvalho ficou encantada com o processo de criar uma personagem, dar-lhe um nome, Rubi, que tem cabelos longos encaracolados como os seus.

Eduardo Brito estava com uma t-shirt onde se lê: «I am the boss». Tem cara de nerd e não se importa que achem isso dele. Já estava familiarizado com aplicativos de programação para crianças, porque estava sempre a brincar com o Lego Boost, mas dá nota positiva ao Scratch 4All por permitir aprender muito mais.

Enquanto aguardava o início do evento, a criançada estava no pátio. Nenhum olhava para o telemóvel. Apenas conversavam. Já as alunas da Escola do Espírito Santo das Touregas faziam coreografias, subiam na árvore próxima, faziam perguntas umas às outras. Falavam sobre como «ele é um ele ou ele é uma ela?», a propósito de uma pessoa cujo género elas não conseguiam identificar. O retrato irretocável de uma bela manhã de verão.

Mais Histórias

Jacarandás de Coimbra: a saudade é lilás

Sobrevoamos a Rua Lourenço de Almeida Azevedo depois do abate de mais de duas dezenas de árvores.

quote-icon
Ler mais small-arrow

Há ossos (novos) no Beco do Forno

Rui Manuel dos Ossos, liderado por Rui Ferreira, promete manter os sabores tradicionais e trazer novidades. A abertura do novo restaurante está prevista para breve, numa das ruas mais emblemáticas da Baixa.

quote-icon
Ler mais small-arrow

Falta de transparência marca evento Coimbra Tech Challenge

Eventual envolvimento de empresas israelitas no Coimbra Tech Challenge, apoiado pela Câmara Municipal e pelo Instituto Pedro Nunes, motiva protestos e pedidos de esclarecimento. Entidades organizadoras respondem com um comunicado otimista, mas sem detalhar orçamentos nem participantes.

quote-icon
Ler mais small-arrow
Contribuir small-arrow

Discover more from Coimbra Coolectiva

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading