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Roteiro para um fim-de-semana bem passado em Viseu

Os pretextos podem ser vários: escapadela romântica, passeio cultural, descoberta do património histórico, natureza ou gastronomia. A Cidade-Jardim ou Cidade de Viriato, líder dos Lusitanos entre 147 e 139 a.C., é umas das maiores da região Centro e tem ganho uma nova vida nos últimos anos graças ao florescimento de novas dinâmicas culturais e lifestyle.  […]

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Os pretextos podem ser vários: escapadela romântica, passeio cultural, descoberta do património histórico, natureza ou gastronomia. A Cidade-Jardim ou Cidade de Viriato, líder dos Lusitanos entre 147 e 139 a.C., é umas das maiores da região Centro e tem ganho uma nova vida nos últimos anos graças ao florescimento de novas dinâmicas culturais e lifestyle. 

Capital da Gastronomia em 2019, da Street Art à literatura com o festival Tinto no Branco passando pela música, dança, teatro e vinhos do Dão até à mítica Feira de São Mateus, a noite de Viseu também é bem animada. Estas são as algumas notas do nosso passeio pela cidade num fim-de-semana tranquilo, de Inverno, na cidade do Interior.

Rossio

É assim que lhes chamam os viseenses, mesmo que na verdade se chame Praça da República. É o novo centro de Viseu e onde fica a própria Câmara Municipal, num edifício imponente de finais do século XIX que vale a pena visitar gratuitamente para ver os azulejos que decoram as paredes e contam a história da terra, juntamente com as pinturas de Almeida e Silva, os retratos de 24 personalidades, o candelabro de Arnaldo Malho e a cadeira onde se terá sentado a rainha D. Amélia. Foi aqui que ouvimos falar de Francisco Almeida Moreira, o vereador, professor, coleccionador de arte e director do Museu Grão Vasco que desenvolveu muito a cidade cultural e turisticamente, nomeadamente os famosos jardins que lhe deram a alcunha de Cidade-Jardim da Beira. 

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Cidade-jardim

Podem começar mesmo pela Praça da República e descobrir o pequeno Jardim Tomás Ribeiro e a sua doce glorieta, com azulejos antigos cravejados no chão. Disseram-nos que na Primavera e Verão por vezes transforma-se em mini biblioteca pública de rua. Mesmo ao lado fica também o Jardim das Mães, acima do célebre painel de azulejos de Joaquim Lopes. Noutros pontos da cidade encontram o Jardim de Santa Cristina, de Santo António e do Soldado Desconhecido. Entre os anos 20 e 30 do século XX, diversos executivos municipais promoveram melhoramentos a nível dos espaços públicos da cidade e as manchas florestais do incrível Parque Natural do Fontelo e Cava de Viriato conjugaram-se com os diversos jardins. Os guias e os primeiros cartazes turísticos da cidade fizeram o resto. 

Parque Aquilino Ribeiro 

Também junto ao Rosseio encontram o Parque Aquilino Ribeiro que tem uma história centenária. Fez parte da Quinta de Maçorim, onde foi construído o convento de Santo António dos Capuchos, em 1635. Tem imponentes exemplares de carvalho-alvarinho que terão sido plantados pelos frades Capuchos de S. Francisco na cerca que resguardava este convento. Foi convertido em parque urbano em 1955 e é um espaço onde os viseenses vão respirar ar puro, divertir-se, passear, fazer desporto ou simplesmente de passagem. Se apreciarem arte sacra e azulejo não percam ao lado a Igreja dos Terceiros de S. Francisco

Street Art 

Há alguns que a arte urbana se tornou uma das bandeiras de Viseu, sobretudo através do festival Tons da Primavera. Já conta com meia centena de intervenções nos 7 cantos da cidade assinados por artistas como Lula Goce, Miquel Wert, Hazul, Regg, Pedro Raposo Mendes, Oker & Asno, Glam e a dupla Draw & Contra e nomes locais como Rosália Marques, Rosário Pinheiro, YouthOne, Luís Daniel e o colectivo Ergo Bandits. Vale a pena descobri-los pela cidade, por exemplo na interessante e bem importante historicamente Rua Direita onde se destaca o mural de Samina com o rosto do escritor Aquilino Ribeiro, natural de Viseu. A Rua Direita é, desde há muitos séculos, a principal artéria comercial da cidade beirã. Há 2 mil anos, no período romano, era o principal eixo viário da urbe, definindo, no sentido norte/sul, o Cardo Maximus. 

Museu de Viseu

Se quiserem conhecer rapidamente a história da cidade, vale a pena passar, também na Rua Direita, pelo novo espaço museológico que dizem ser a primeira encarnação do Museu de História da Cidade. Tem vídeos, réplicas e várias curiosidades e está aberto às terças das 14h às 18h e de 4ª a Domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h. Mas se gostarem mesmo de museus não percam o Museu Nacional Grão Vasco e têm aqui mais alguns para descobrir. 

Catedral

Uma visita a Viseu nunca ficaria completa sem explorar um dos pontos mais altos da cidade e uma das uma das mais belas praças do país, onde fica a Catedral de Santa Maria de Viseu. Edificada nos inícios do século XII, associada a um paço condal e a um castelo, a Sé de Viseu sofreu, entre os séculos XIII e XVII, inúmeras transformações. Dentro podem ver o primeiro claustro renascentista de Portugal e a abóbada de nós do século XVI e o bizarro braço relicário de São Teotónio, primeiro santo português. No piso superior, na antiga Sala Capitular, fica o Museu dedicado ao Tesouro da Sé, cujo acervo retrata os mais de 900 anos da catedral e o Passeio dos Cónegos, uma loggia com uma bela vista da cidade. Percam-se nas ruelas à volta desta zona monumental, cheias de casa bonitas e com miradouros com uma boa perspectiva sobre a cidade.

O Cortiço

Paragem obrigatória em Viseu, é considerada uma das mecas locais da gastronomia regional. Comecem com morcela e chouriça frita e um prato de queijo do pastor e presunto enquanto decidem se querem peixe (recomendamos o bacalhau na broa) ou carne (o cabrito assado no forno à Pastor da Serra, a vitelinha na púcara, o arroz de carqueija e as feijocas com todos à maneira da criada do Sr. Abade têm muita saída). Aliás, a casa existe desde 1967 e o proprietário Serafim Campos está aos comandos do restaurante desde 1995, o que faz com que muitos clientes habituais já nem peçam a ementa porque sabem exactamente o que querem. Na nossa visita, tivemos a oportunidade incrível de provar um arroz de míscaros que nos ficou na memória. Também há opções vegetarianas como tofu à brás. Guardem espaço (se conseguirem!) para as sobremesas onde brilha a doçaria regional. As salas estão decoradas com adereços alusivos à região do Dão e repletas de testemunhos, escritos e fotográficos, de clientela famosa que já por ali passou.

Avenida Boutique Hotel

É uma das unidades de alojamento de uma referência na cidade pela longevidade e história. Ponto de partida ideal para explorar a pé todos os sítios de que falámos, o Avenida Boutique Hotel era conhecido como Grand Hotel Avenida e foi um dos primeiros hotéis da cidade, no início do século XX. Foi recentemente remodelado e está bem elegante, moderno, hospitaleiro e (muito importante) quentinho. Às vezes até recebe eventos culturais como show cases de música. Custa a partir de 60€ a noite.

Texto e fotos: Filipa Queiroz e Joana Pires Araújo
Fotos: Visitviseu.pt

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