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Seminário Maior de Coimbra: descobrimos um dos segredos mais bem guardados da cidade

É museu, monumento, igreja, casa, escola, biblioteca, casa de espectáculos e até se pode lá almoçar.

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Não estava fechado a 7 chaves mas a umas 700. Quando entrámos no escritório de Nuno Santos, reitor do Seminário Maior, o padre supreendeu-nos pedindo-nos para abrir um armário. Dentro, estavam centenas de chaves de todos os feitios. São elas que dão acesso a tudo e mais alguma coisa dentro do gigantesco Seminário Maior de Coimbra. Uma surpresa, até para o sacerdote. Estudei aqui 6 anos e quando me colocaram cá desconhecia algumas coisas e foi isso que me fez abrir o espaço ao público. Pensei: como é que é possível não se conhecer isto? Tem de se mostrar.

Nuno Santos disse-nos que muita gente em Coimbra achava que o edifício, escondido por trás do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e do Jardim Escola João de Deus, era um sítio acabado. Mas há vida no Seminário Maior e mais por vir, como nos revelou. Para já, podem conhecê-lo quando quiserem: há visitas guiadas todos os dias, espectáculos gratuitos e até podem dormir ou almoçar lá, por onde passaram bispos, cónegos e centenas de teólogos ou aspirantes ao sacerdócio.

 

Já alguma vez viram uma máquina de fazer hóstias? E uma umbela? E relíquias de mártires? E frescos no tecto, como os da Capela Sistina, no Vaticano? Estes são alguns dos ex libris do roteiro que passa por salas de aula, capelas, sacristias, escadas para o céu, um faustoso quarto privado que pertenceu a bispos, uma preciosa biblioteca com obras centenárias e a incrível Igreja da Sagrada Família, com altares em mármore feitos à medida e trazidos de Génova, Itália.

Mandado construir por D. Miguel da Anunciação, as obras do Seminário Maior iniciaram às custas da fortuna pessoal do próprio e terminaram em 1765. Um projecto de traço e gosto italiano, da autoria do arquitecto italiano Giovani Tamossi, substituído depois pelo cenógrafo e pintor Giacomo Azzolini, porque morreu tragicamente depois de cair de um andaime quando colocava os sinos numa das torres. Hoje em dia o Seminário não tem as mesmas funções, os últimos seminaristas foram transferidos para o Porto em 2012, mas ainda há aulas de Teologia para os interessados. Também vivem lá alguns padres, há uma escola de música sacra, durante a semana o espaço é visitado por grupos, há encontros religiosos, retiros e outros eventos.

Desde o refeitório – onde freiras de clausura cozinhavam e passavam a comida através de uma roda e hoje, por 8€, qualquer visitante pode almoçar juntamente com os residentes, só precisando de reservar para o cozinheiro estar a contar -, até à varanda, de onde se vê o antigo campo de futebol dos seminaristas e a quinta onde mantinham os animais, à capela relicário de S. Miguel Arcanjo, há mesmo muito para ver. Não tudo. Se mostrássemos tudo as pessoas nunca mais saíam daqui, disse-nos o reitor.

No exterior, há o jardim, a Casa Nova e a Casa Novíssima, mandadas construir pelo Bispo Conde D. Manuel Correia Bastos Pina no século XIX, onde fica o belíssimo salão para os eventos culturais e a biblioteca moderna. Também o interessante Museu Nunes Pereira, com fabulosos trabalhos de escultura e xilogravura de Monsenhor Nunes Pereira, figura ilustre, artista e autor que, segundo o Pe. Nuno Santos, tinha um humor fabuloso. Podem visitá-lo de 2ª a 6ª, das 9h às 18h, mediante marcação.

 

Há obras previstas no espaço que, entre outras coisas, tem programadas 90 camas em quartos duplos para alojamento. Numa primeira linha para peregrinos e grupos ligados à Igreja e, numa segunda linha, para outros grupos que tenham esse interesse, com a noção de serviço e de criar mais recursos para a casa, disse-nos o reitor. Acredito que daqui a 5 anos tudo vai ser muito diferente neste espaço.

Uma dica, para quando lá forem: não se vão embora sem se sentarem uns minutos no miradouro por trás da Casa Nova que até tem um fotogénico baloiço. As visitas guiadas são de 2ª à 6ª entre as 10h e as 18h e este é o site oficial para outras informações.

Texto e fotos: Filipa Queiroz e Inês Fernandes

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