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Por Adelino Gonçalves

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Nos últimos tempos, a Metro Mondego renovou a «frota» de plantas esquemáticas das estações do metro-bus e a Estação Mercado não é exceção. Uma nova planta (imagem A) recheada de círculos verdes que representam árvores, algumas que já existem e oito plantadas no tabuleiro de uma «mega-rotunda pseudo-ovaloide».

Dado que a Metro Mondego descobriu recentemente a possibilidade de transplantar árvores, será este o caso destas árvores? Serão porventura transplantados os plátanos que assinalo na imagem B com o círculo de linha tracejada branca? É que esses plátanos parecem estar condenados, não para se criarem as vias de circulação dedicada do Metrobus (representadas a bordô na imagem A), mas para fazer aquela mega-rotunda pseudo-ovaloide, que nada tem a ver com o Metrobus.

Se os plátanos não forem transplantados, serão «simplesmente» abatidos como foram os da Avenida Emídio Navarro.

Imagino…«É impossível transplantar os 3 plátanos em causa e vão ser plantadas oito árvores no mesmo local. Só não percebe que há um ganho quem tem mau feitio.»

O problema é que não se trata de contas de somar e subtrair. Trata-se da qualidade do espaço público resultante destas intervenções. Ide à Lousã ver um exemplo e assustai-vos.

O abate destes plátanos tem vários impactos.
Ilha de calor? Sim, será mais uma.
Aves e outros animais que têm uma relação simbiótica com aquelas árvores? Vão ficar sem casa.
Ruído? Sim, vai aumentar, nomeadamente na Escola Básica de Santa Cruz.

Mas pode não ser assim.

Basta querer.

Adelino Gonçalves é arquitecto e professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

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