
Vivo no Dubai. Foi a minha primeira saída para viver fora – e única.
Uma das minhas melhores amigas veio para a Emirates, trouxe o marido, e ambos disseram para vir também. Eu disse sempre que nem pensar, até que perdi o trabalho em plena crise da natalidade — sou educadora de infância. Comecei a fazer pesquisa da área educativa cá, enviei algumas candidaturas espontâneas, recebi bastantes convites para entrevistas (presenciais), e como em Portugal a situação não melhorou, comprei o bilhete. Marquei entrevistas.
Cheguei a um Domingo, em menos de uma semana arranjei emprego. Só depois me mentalizei que era a sério.
Tenho uma vida normal. Trabalho, tenho bastantes amigos — mais portugueses do que outras nacionalidades — a nossa filha anda cá no infantário, o meu marido tem o seu trabalho também. Durante a semana às vezes da tempo para um mergulho na piscina, outras para passear no parque…fazemos muitas actividades fora de casa — agora menos, porque estão 50 graus (já estamos a contar os dias para ir de férias para Portugal).
Do que gosto mais: a multiculturalidade que nos faz sentir em casa. Não gosto nada dos 50 mil graus do Verão!
Em relação a Portugal, não tenho saudades de sítios, tenho saudades das pessoas, das minhas pessoas — que estão espalhadas pelo País — do céu azul, e do cheiro a maresia.
Amo Coimbra, mas não sinto saudades — tenho sempre aquela sensação de que a minha cidade está sempre lá!
Vamos duas vezes por ano, pelo menos. Tenho sempre de comer leitão do Santos e sushi do Peculiar.
Voltar não depende de Portugal, depende da qualidade de vida que temos cá e que pelo facto de sermos mal remunerados aí conseguimos melhores hipóteses aqui. Cada vez mais dou valor a Coimbra e a Portugal. Por ser pequeno torna-se mais acolhedor. Adoramos o nosso País. Mas os ordenados continuam baixos e as despesas altas…
Eugénia Nunes
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