Contribuir small-arrow
Voltar à home
Conheçam

Dia Mundial do Brincar

Descubram

Ludoteca O Dragão Brincalhão

Vejam

«Super Natural», de Jorge Jácome

Há 11 anos que a APCC está para brincadeiras – com crianças com e sem deficiência

Fomos ao Coimbra a Brincar, iniciativa que a Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra organiza todos os anos, porque os mais pequenos e os amigos e familiares podem não brincar da mesma forma mas têm o mesmo direito.

Partilha

Fotografia: Laurisa Farias

Conheçam

Dia Mundial do Brincar

Descubram

Ludoteca O Dragão Brincalhão

Vejam

«Super Natural», de Jorge Jácome

Em seu livro Itinerário de Pasárgada (Global, 2012), publicado pela primeira vez em 1954, o poeta Manuel Bandeira, nascido em Pernambuco, afirma que tem três gostos. «Gosto de ser musicado, de ser traduzido e de ser fotografado. Criancice? Deus me conserve as minhas criancices!». Bandeira tinha 68 anos quando escreveu esta singela prece e tornou público um pedido aos céus tão inusitado. Estimular e dar espaço para todas as criancices, de miúdos e miúdas mas também de graúdos e graúdas, tem sido o objetivo do Coimbra a Brincar há mais de uma década, pois «brincar é intergeracional», como ressalta Teresa Paiva, psicóloga e membro da direcção da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC).

Nos dias 28 e 29 de maio, a Escola Secundária D. Duarte encheu-se de crianças e adultos com vontade de brincar na 11ª edição do Coimbra a Brincar. A festa acontece em diversos locais, afinal, as crianças não brincam todas da mesma maneira. Estava previsto que o principal fosse o Parque Verde, mas a chuva alterou os planos, no entanto além da escola houve atividades no Museu Machado de Castro, no Exploratório – Centro Ciência Viva de Coimbra, no Museu Municipal de Coimbra (Edifício Chiado) e no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.

A celebração do brincar sempre acontece durante dois dias. Mesmo durante a pandemia, o evento aconteceu, por um par de dias, de forma virtual. O primeiro é obrigatoriamente a 28 de maio, Dia Internacional do Brincar. É voltado para promover o brincar em família, entre pais, avós e filhos. O segundo dia é direcionado para a participação das escolas.

Nas partes internas e externas do ginásio da Escola D. Duarte as crianças faziam tudo menos estarem quietas. No exterior, alguns jogavam basquetebol, como Francisco, de seis anos, que está a fazer terapia da fala. Sua mãe, Joana Perpétua, levou-o para que pudesse interagir com outras crianças e divertir-se. Ela conhece bem o trabalho da APCC, onde tirou dois cursos – um de apoio a crianças com deficiência e o outro sobre cuidados geriátricos.

Outros estavam a pintar, como a pequena Clara, de três anos, ao lado do pai, Danilo Silva. A mãe, Gabriela Claro, cuidava do simpaticíssimo Théo, com apenas três meses e sempre a sorrir. Os pais procuram sempre incentivar a pequena a realizar atividades artísticas. Clara está a gostar tanto que não quer ir embora e o bebé foi «já para sentir a vibe», como disse a mãe, do Dia Internacional do Brincar.

Nelson Grilo e Luisa Cruz levaram as filhas Maria Beatriz, de três anos, e Maria Inês, de nove meses. Foi a primeira vez que participaram do Coimbra a Brincar e faziam grupo das escolas de Pombal. «É tudo muito giro. Achei que teria só insufláveis», disse a mãe, encantada com a quantidade de brincadeiras oferecidas. Elisa, de cinco anos, é uma pequena usina de energia. Sempre a ir de uma atração a outra, sob o olhar atento de sua mãe, Joana Mamaia diz que costuma levar as filhas à iniciativa para se divertirem. Júlia, de oito anos, veremos mais à frente o que estava a fazer.

Ao lado do ginásio fica uma instalação de madeira. Foi lá o espaço destinado aos jogos tradicionais e de tabuleiros onde adultos e crianças brincaram juntos, como a família Furtado: Sara, de cinco anos, e seus pais, Miguel e Susana. Uma atividade que não lhes é estranha pois os três o fazem com certa regularidade em casa.

Uma equipa do Museu Escola do Brinquedo Tradicional Popular Português ensinava como utilizar itens comuns e cotidianos como botões para fazer o bufa-gatos, também conhecido como nique-nica, como explicou Alice Veríssimo. Ela mostrou também como elementos da natureza, como cascas de nozes e , folhas e um pedaço de batata para fazer um barquinho, ou giestas para entrelaçar e formar uma cadeirinha.

Participar do Coimbra a Brincar é gratuito e para todos, como ressaltou Teresa, inclusive para as instituições que lá estiveram presentes. Como a Liga Portuguesa Contra o Cancro, que sempre participa. Os voluntários Paulo Costa e Christine Marote envolviam as crianças em jogos para educá-los sobre a necessidade de sempre usar protector solar para prevenir cancro de pele. «Quanto mais cedo se educa, mais elas se consciencializam da importância da prevenção», salienta Paulo. Christine tem vasta experiência em voluntariado. Morou na China por 16 anos e lá também dedicava parte do tempo a ajudar as pessoas. Quando o marido se aposentou, vieram morar para Coimbra, há dois anos. Queria voltar ao voluntariado e foi através de uma reportagem da Coimbra Coolectiva que descobriu como.

Júlia, filha da Joana e irmã da Elisa, mencionadas em cima, estava no espaço de uma empresa participante, digamos, pouco usual para o tipo de iniciativa: gadgets e ecrãs de uma escola de programação e coding para crianças. A Sharkcoders é a mais recente parceira do Coimbra a Brincar, como informou Teresa Paiva.  A formação dos sócios do empreendimento ajuda a entender. Alexandre Almeida é mestre em Educação e sua mulher, Helena, é socióloga. «Por trabalharmos com crianças não faria nenhum sentido não estarmos aqui», explicou Alexandre, que apoia a APCC. A escola mantém uma equipa interdisciplinar, como o coordenador de professores, João Arruda, que é psicólogo.

Ouro parceiro de sempre é o Portugal dos Pequenitos. Quem estava a representar o parque temático era  uma personagem que atraiu todas as crianças. Antonieta Carrapeta, uma palhaça interpretada por Marli Silva, criada por ela em 2007, no primeiro ano em que tirava licenciatura em Teatro e Artes Performativas – ela tem ainda outras oito personagens, masculinas e femininas, todas ligadas à história de Portugal, como a Rainha Santa e a Padeira de Aljubarrota. Mas a ligação de Marli com a APCC é mais profunda. Foi lá que ela realizou seu primeiro estágio, quando ainda estudava Animação, com as crianças do jardim e do 1º ciclo na Ludoteca O Dragão Brincalhão.

O poeta Manuel Bandeira explica por que é que pede aos céus que lhe conserve suas criancices: «Talvez neste gosto (de ser criança) o que há é o desejo de me conhecer melhor, sair fora de mim para me olhar como puro objeto».   

Que sejamos todos Manuel.

Mais Histórias

Jacarandás de Coimbra: a saudade é lilás

Sobrevoamos a Rua Lourenço de Almeida Azevedo depois do abate de mais de duas dezenas de árvores.

quote-icon
Ler mais small-arrow

Há ossos (novos) no Beco do Forno

Rui Manuel dos Ossos, liderado por Rui Ferreira, promete manter os sabores tradicionais e trazer novidades. A abertura do novo restaurante está prevista para breve, numa das ruas mais emblemáticas da Baixa.

quote-icon
Ler mais small-arrow

Falta de transparência marca evento Coimbra Tech Challenge

Eventual envolvimento de empresas israelitas no Coimbra Tech Challenge, apoiado pela Câmara Municipal e pelo Instituto Pedro Nunes, motiva protestos e pedidos de esclarecimento. Entidades organizadoras respondem com um comunicado otimista, mas sem detalhar orçamentos nem participantes.

quote-icon
Ler mais small-arrow
Contribuir small-arrow

Discover more from Coimbra Coolectiva

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading