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Objectivos e Actividades do Humanizar a Saúde em Coimbra

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Movimento Humanizar a Saúde em Coimbra

Há um movimento para Humanizar a Saúde em Coimbra

O projecto do médico João Pedroso de Lima foi um dos vencedores da Geração Coolectiva e vai ser publicamente apresentado no dia 27 de Abril, às 15h, no Seminário Maior de Coimbra.

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Fotografia: Mário Canelas

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«Quando trabalhava no serviço de medicina nuclear, era habitualmente o primeiro a entrar e por isso não havia ninguém quando eu chegava. Uma vez lembrei-me de, logo à entrada do serviço, me deitar no chão e fotografar. À medida que ia avançando pelo corredor de entrada, depois na sala de espera e por fim na sala de exames, ia tirando fotografias de baixo para cima, para ilustrar como um doente percepciona o serviço quando entra deitado numa maca.»

Na memória de João Pedroso de Lima permanece este retrato fiel da dificuldade dos utentes perante os serviços médicos, com as ânsias e receios latentes de quem tem uma doença grave, bem como dos que acompanham alguém nessa situação. Um desconforto nítido e manifesto, como comprovam os resultados de um inquérito que o médico lançou nas redes sociais e via email.

Com um total de 497 respostas e relatos, ficou evidente para o médico que «as pessoas estão bastante descontentes relativamente à maneira como muitas vezes são tratadas nos serviços de saúde da cidade». A preocupação aumentou ao ler as descrições de mais de 300 «episódios específicos em que as pessoas verificaram terem sido tratadas elas próprias – ou os seus parentes e amigos próximos – de uma maneira que era deficiente em termos de humanização».

Com 98% dessas respostas a indicar uma necessidade de mais humanização nos cuidados de saúde prestados em Coimbra e 74% dos relatos a enunciar experiências negativas em instituições de saúde da cidade, 96% das vozes demonstraram apoiar a criação de um movimento cívico. O júri independente da Geração Coolectiva também ficou convencido e o Movimento Humanizar a Saúde em Coimbra foi um dos projectos vencedores do programa que terminou em Fevereiro, depois de cinco semanas de programa de capacitação.

«Ser médico, enfermeiro ou técnico de saúde é muito mais do que ser um mecânico. É um ser humano a querer ajudar outro dentro das suas competências e portanto deve ter sempre presente essas diferenças de sentimentos e percepções para poder prestar a ajuda médica a quem precisa.»

João Pedroso Lima, médico

Distinguido pelo nível de exequibilidade e premência, a iniciativa presta-se a consciencializar um teor humanístico nos cuidados de saúde, de modo a dar a relevância indispensável de que tem carecido nos últimos anos. Nuno Santos, elemento da Comissão de Ética do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) – onde conheceu Pedroso de Lima -, explica que «há uma dupla visão sobre a humanização, que é da parte das pessoas que acedem aos serviços de saúde e, por outro lado também de quem está a prestar esses serviços».

Ambas as frentes vivenciam actualmente cenários insatisfatórios. Os utentes por terem mais informação e, por conseguinte, maiores exigências de cuidado e atenção. Já os profissionais estão esgotados devido ao cansaço, um desgaste que se reflecte também na parte institucional, por haver mais exigências laborais e menos recursos humanos. «No entanto, eu diria que estamos preocupados mais com a pessoas que com as instituições».

Doente invisível

João Pedroso de Lima defende que a carência humanista advém sobretudo da enorme evolução tecnológica da medicina que, não obstante a sua utilidade no diagnóstico e tratamento das patologias, «veio-se interpor um pouco entre o profissional de saúde e o doente, o que cria dificuldades de relacionamento pois a tecnologia não consegue fazer esta ligação humana que é necessário existir nos cuidados de saúde».

«Nas consultas presenciais os doentes queixam-se meritoriamente da interposição de uma coisa tão simples como o computador entre a sua cadeira e a do médico», acrescenta o médico, e sublinha o problemático enfoque dos exames técnicos de diagnóstico enquanto principal acção médica, que levam à quase inexistência de uma visão holística sob o paciente e a sua saúde. «O cuidar é tão ou mais importante do que propriamente o curativo», remata.

«Há uma dupla visão sobre a humanização, que é da parte das pessoas que acedem aos serviços de saúde e, por outro lado também de quem está a prestar esses serviços.»

Pe. Nuno Santos, reitor do Seminário Maior de Coimbra

Foto: Frederic Koberl via Unsplash

Além da lacuna empática que parece prosperar na medicina moderna, o mentor do Movimento Humanizar a Saúde em Coimbra aponta que outra parte do problema se deve à atenção dada ao volume numérico, em detrimento da virtude médica: «no campo das administrações hospitalares e semelhantes serviços de saúde, aquilo que se valoriza mais são as estatísticas, como o número de consultas feitas ou de cirurgias efectuadas feitas. Não há uma preocupação tão marcada na grande maioria das instituições com a qualidade do serviço que presta».

«Mais do que os números, o importante é nós não perdermos de vista as pessoas», concorda Marcela Matos que aceitou quase imediatamente o convite a participar na coordenação deste movimento, dado o seu ânimo profissional e compassivo. São sete as personalidades de Coimbra que constituem a equipa em crescimento – ver pop up em cima – e também está prevista a criação de uma assembleia de colaboradores. «O trabalho que tenho vindo a desenvolver nos últimos anos foca-se precisamente na compaixão, na importância de sermos sensíveis ao sofrimento em nós e nos outros à nossa volta e, a par disso, de realizarmos acções concretas na tentativa de aliviar e prevenir esse sofrimento e essas dificuldades.»

É neste prisma de introspecção social que Pedroso de Lima salienta convictamente como a humanização dos serviços de saúde deve estar no mesmo patamar de importância que se dá à vertente técnica: «Ser médico, enfermeiro ou técnico de saúde é muito mais do que ser um mecânico. É um ser humano a querer ajudar outro dentro das suas competências e portanto deve ter sempre presente essas diferenças de sentimentos e percepções para poder prestar a ajuda médica a quem precisa.»

Independência Coolectiva

Não é a primeira vez que João Pedroso de Lima advoga uma iniciativa em torno das disfunções profissionais que referimos. O Movimento Humanizar a Saúde em Coimbra vem na sequência do Projecto H2 – Humanizar o Hospital, empreitada que esteve também a seu cargo até 2021, mas cujo âmbito ficou circunscrito ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, tendo eventualmente levado à criação do seu Gabinete da Humanização Hospitalar.

João Pedroso Lima no Programa de Capacitação da Geração Coolectiva
Foto: Mário Canelas

Para que este novo movimento sem fins lucrativos – e cujo trabalho será feito à base de voluntariado – possa ir mais além, mostra-se essencial a sua independência de qualquer estrutura administrativa existente no campo dos serviços de saúde. «As pessoas foram muito claras na resposta ao dizerem que devia estar ligado a uma instituição independente. Por isso a nossa ligação se veio a consumar na ligação com a Coimbra Coolectiva.»

Elo que encantou muitos dos actuais coordenadores do Humanizar a Saúde em Coimbra, entre os quais Nuno Santos que, logo ao entrar em contacto com a iniciativa, apercebeu-se da sua amplitude proactiva: «uma das coisas que mais me motivou era poder ter uma abordagem maior que não só dos CHUC mas também de outros organismos e unidades que há na cidade, pois há tanta gente envolvida nestas áreas que ainda não tiveram a oportunidade de se cruzarem e criarem pontes benéficas.»

«É importante existir um movimento que tenha na sua base esta preocupação de promover a sensibilização e também investir numa intervenção que seja colaborativa com as instituições de saúde e com os profissionais de saúde, identificando as boas práticas já existentes e reforçando-as.»

Marcela Matos, investigadora na Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra

Marcela Matos classifica como «fundamental» o papel impulsionador da Coimbra Coolectiva na criação destas sinergias, pois «é importante existir um movimento que tenha na sua base esta preocupação de promover a sensibilização e também investir numa intervenção que seja colaborativa com as instituições de saúde e com os profissionais de saúde, identificando as boas práticas já existentes e reforçando-as.»

Pedroso de Lima entende a distinção da Geração Coolectiva não apenas como uma vitória, mas sobretudo como «um compromisso que temos que respeitar, pois não só este é um assunto que é transversal a toda a sociedade, mas aquilo que vimos nesta investida da Coimbra Coolectiva foram muitos projectos que mostram a vitalidade da cidade e o interesse das pessoas por ideias que valorizem o seu bairro, a sua profissão e as suas necessidades.»

Linhas de solução

Actualmente em fase de lançamento, o Movimento já comporta linhas de acção ambiciosas, que se inauguram numa base positiva e construtiva ao enveredar por uma enumeração dos bons exemplos que existem em Coimbra em termos de humanização: «Embora o exemplo paradigmático nacional da importância que se dá a nível hospitalar para este aspecto seja o [Hospital Universitário] São João no Porto, há também em Coimbra exemplos claros de boa humanização dos cuidados a ter e é por aí que se deve começar.»

«O interesse objectivo é publicitar e discutir este desconforto de maneira a motivar cada um de nós e as instituições a fazer algo para o resolver.»

João Pedroso de Lima, médico

A iniciativa visa também trilhar pela provedoria dos doentes, através de um processo de diálogo com base em email e redes sociais: «se nos chegarem informações de situações que não são as mais adequadas em termos de humanização nós queremos estudá-las, queremos discuti-las e se necessário intervir junto às instituições onde essas situações se verificaram. O interesse objectivo é publicitar e discutir este desconforto de maneira a motivar cada um de nós e as instituições a fazer algo para o resolver.»

Tanto a promoção de uma maior humanização na saúde como a provedoria dos doentes dependem da vertente preventiva a desenvolver de maneira pedagógica pelos vários estratos etários, desde os mais novos até aos estudantes universitários. «Porque eles serão depois os médicos e os técnicos de saúde e os enfermeiros do futuro, queremos ir à raiz do problema que é à formação para a sensibilização para esta vertente de empatia e compaixão nos cuidados que eventualmente irão prestar.»

Há igualmente uma abordagem mais genérica para a população que se presta a divulgar a importância desta «outra metade da medicina» – relativa à humanização –, tantas vezes esquecida quer no dia-a-dia da prestação do cuidados, quer no respeito devido às classes profissionais que trabalham na área. «Quanto mais nós respeitarmos o outro, mais nos sentimos no direito de sermos respeitados pelo outro também e é nessa base que devemos assentar toda a nossa participação social em comunhão com os outros. Tal como a Geração Coolectiva mostrou que poderia ser uma realidade.»

Apresentação pública

No próximo dia 27 de Abril, às 15h, no Salão de São Tomás do Seminário Maior de Coimbra, realiza-se a apresentação pública deste movimento cívico, que contará com a participação de Paula Moura Pinheiro, Padre Nuno Santos e João Pedroso de Lima.

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