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Coimbra tem História de bondade e não precisa de um milagre para ficar mais bonita e cuidada. O São Flores, Coimbra mapeou canteiros e floreiras do centro da cidade e procura voluntários para lhes dar nova vida.

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Fotografia: Filipa Queiroz

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«Gostas de flores, mas não tens espaço na tua varanda? Sentes um arrepio na espinha de cada vez que sais de casa e nos poucos canteiros que vês só há beatas de cigarro e plantas secas? Ajuda-nos a mapear estes espaços e equipamentos degradados!» – este é o convite do São Flores, Coimbra à comunidade conimbricense. O projecto saiu da incubadora da Geração Coolectiva 2024 e está literalmente no terreno a criar Brigadas de Profissionais da Jardinagem Amadora, com vontade de meter as mãos na terra e revitalizar canteiros e floreiras abandonados do centro da cidade.

No sábado, o espaço Há Baixa recebeu duas dezenas de aprendizes de ollas, a técnica ancestral árabe, também usada pelos romanos, que ajuda a reduzir o desperdício de água em até 70%. Foi uma espécie de warm up para a primeira acção do São Flores, Coimbra prevista para 9 de junho, no restaurante O Cantinho dos Reis, no Terreiro da Erva. «É um espaço incrível que está muito abandonado e as plantas vão dar ali uma vida nova.» Quem vão ser os jardineiros? As crianças do Jardim de Infância do Centro Social Cultural 25 de Abril, que funciona do outro lado da rua.

A rega é um dos aspectos mais críticos na manutenção de plantas saudáveis, daí a actividade conduzida pela ceramista Juliana Marcondes (Ceramicar-Te), voltada sobretudo para os elementos das Brigadas, mas aberta a toda a comunidade.

Catarina Maia é o único elemento do grupo presente. A coordenadora do projecto ambiental Jardim Monte Formoso, que vimos nascer há dois anos e que tem apostado sobretudo na renaturalização dos espaços abandonados do seu bairro em colaboração com as juntas de freguesia e privados, foi agente de contexto no evento de arranque da Geração Coolectiva e acabou por se juntar a João Loureiro e Sílvia Castro, do Flower Lab, Leandro Cordeiro, Marta Mateus e Giovanni Allegretti para dar vida ao São Flores, Coimbra que estava na gaveta. Cláudia Acabado também se juntou. «Sentia sempre receio, por estar a lidar com seres vivos. É preciso compromisso das pessoas», diz Catarina.

Leandro Cordeiro e Catarina Maia no evento de arranque da Geração Coolectiva 2024

Catarina explica que «as cidades antigas são muito pavimentadas, ou tens prédios colados uns aos outros ou calçada e cimento, e as floreiras, canteiros são uma espécie de ilhas de biodiversidade que não servem só para embelezar, mas cumprem funções no ecossistema». O grupo quer que a comunidade as conheça e ajude a prosperar. «Estão muito descuidados e não é só por desinteresse, é porque é difícil manter esses espaços vivos, por causa das temperaturas e pela fraca escolha das plantas.»

A botânica autodidacta refere que, apesar de Coimbra ter 1800 espécies nativas e muitas com potencial estético, o município opta pela plantação de espécies exóticas e mais efémeras, que têm de ser regularmente substituídas, como os amores perfeitos. Outro exemplo de desperdício de recursos são as floreiras adquiridas por cerca de 50 mil euros, para serviram de separadores nas esplanadas e espaços comerciais durante a pandemia, «que hoje em dia estão abandonadas e servem para pôr lixo e beatas».

Maia nota também bons avanços: o bosque dos Loios, ao qual o Jardim está associado, juntamente com a Milvoz e as Invasoras.pt, o plano da Metro Mondego para reforço da estrutura arbórea do parque da ribeira do Vale das Flores e a colocação de placas informativas nos taludes junto à ciclovia do Vale das Flores.

Para Catarina Maia, o município de Guimarães é um bom exemplo de boas práticas ambientais, mas também já sentiu efeitos das suas sensibilizações por cá. Por exemplo «o presidente da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais ter recebido um email de uma senhora a queixar-se por não terem ido cortar as ervas junto à casa dela e ele, ao contrário do que costumava fazer, ter esperado e respondido calmamente à senhora, explicando que as ervas cumprem determinadas funções, ajudam a segurar o solo, a reter a água e impedir o escoamento de águas, além de estarem a ajudar a alimentar os polinizadores», conta. «Isto deixa-me super orgulhosa, super feliz!»

Questionada sobre a participação na oficina, Claudia Costa também comenta que fez reclamações ao município sobre árvores plantadas em frente a sinais de STOP no seu bairro e corte desnecessário de relva e flores selvagens. «Temos de aumentar a literacia para não nos irem cortar as flores, é o mesmo com as abelhas, precisamos delas e as pessoas têm medo.» Fernando Jesus, ao lado, subscreve: «é necessário as pessoas perceberem várias coisas».

Próximos passos

Em Março, o Jardim Monte Formoso deu as boas-vindas à Primavera numa acção de controlo de plantas invasoras. Está a decorrer o Concurso Varandas + Floridas e, na página online, o grupo partilha descobertas como a planta autóctone erva-montã (Pulicaria odora), porque «conhecer-lhes o nome nos aproxima um bocadinho delas». Prepara-se para criar pelo menos mais três mini-prados na Freguesia dos Olivais, além de três semeados em Novembro do ano passado, e estão previstas intervenções para melhorar os espaços verdes das escolas da freguesia.

A oficina de olaria do São Flores, Coimbra foi possível graças a uma de várias parcerias que floresceram. Além do colectivo Há Baixa, entidades como o Jardim Botânico, nomeadamente João Farminhão, com quem falámos recentemente por ter participado no concurso Joker. «É muito bom conhecer estas pessoas que têm amor pelo que fazem e a ideia de melhorarem Coimbra e a relação das pessoas com o seu património natural. Só para este projecto temos pelo menos 16 espécies autóctones que vamos dar a conhecer às crianças. Eles não fazem a parte da limpeza, mas vão colocar plaquinhas com o nome das plantas.»

O São Flores, Coimbra fez um mapeamento dos canteiros e floreiras «que estão mesmo a pedir uma nova vida». A pasta é de consulta livre, mas não permite apagar ou adicionar novos ficheiros. Quem quiser contribuir, deve enviar as suas fotos + localização para o email jardimmonteformoso@gmail.com ou através de mensagem privada no Facebook ou Instagram. «No meio da cidade, ou perto destes espaços, há pessoas que não têm uma varanda ou têm crianças e gostavam de ter um ambiente propício para mexer na terra e nas plantas e assim se pode colmatar dois problemas: o abandono das floreiras e a falta de contacto com a natureza que muitas pessoas sentem.»

Coimbra, certamente, agradece.


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