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Júnior Empresas: a universidade prática para empresários do futuro

E se pudessem criar uma empresa enquanto estudantes para adquirirem os conhecimentos e contactos essenciais para entrar no mercado de trabalho? Spoiler alert: já podem. Em Coimbra, já há três.

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Fotografia: Mário Canelas

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Criar uma empresa é um grande desafio, ainda para mais para alguém jovem que acabou recentemente o curso, não tem experiência e ainda não está totalmente preparado para o mercado de trabalho. Agora imaginem que era possível criar uma empresa ainda na universidade de forma que, assim que o curso terminasse, os estudantes já saíssem preparados e até com uma boa rede de contactos. Pois bem, não precisam de imaginar porque já existe.

As Júnior Empresas nasceram em 1967, em Paris, e já existem em Portugal desde 1990. São «associações fundadas e geridas por estudantes do ensino superior», que qualquer estudante pode criar e que podem ter diferentes áreas de negócio, normalmente associadas à faculdade a que pertencem. Propõe-se a «dar aos estudantes a possibilidade de colocarem em prática a vertente teórica que estão a estudar e lidarem diretamente com o mercado de trabalho».

Foi assim que Soraia Sousa, até há bem pouco tempo presidente da ISCAC Junior Solutions, Júnior Empresa da Coimbra Business School (ISCAC), começou por explicar o que são e qual o objetivo destas organizações, que não param de crescer. «Somos mais de 1 100 júnior empresários em Portugal, temos mais de 250 projetos por ano e, no ano passado, tivemos um volume de faturação de mais de 400 mil euros. A nível global, somos mais de 1 700 Júnior Empresas, mais de 65 mil júnior empresários e temos uma faturação anual de 16 milhões», realça Soraia.

«A ISCAC Junior Solutions é uma consultora que trabalha muito com consultoria de marketing, marketing digital, desenvolvimento de websites e organização de eventos. Somos uma associação sem fins lucrativos. Cobramos os serviços que prestamos, mas são valores inferiores aos praticados por empresas da área, até porque também não temos IVA. Tirando isso, o nosso foco é aproximar o máximo possível a Júnior Empresa de uma empresa real. A nível interno, por exemplo, desenvolvemos as nossas posições segundo as Big Four. Mesmo os processos de recrutamento e seleção são exatamente iguais aos de uma empresa real. Tentamos ao máximo que a diferença seja mínima para o mercado de trabalho», clarifica.

Para Rita Matos, presidente da jeKnowledge, da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, «as Júnior Empresas, no fundo, são empresas, mas apenas constituídas por estudantes, o que nos permite ter uma visão daquilo que vai ser o nosso trabalho e a nossa realidade no futuro, mas sem a pressão exagerada de estar no mercado de trabalho e de ter a lidar com todos os fatores associados».

«A jeKnowledge está registada como tendo um core business de consultoria tecnológica. Fazemos websites, aplicações e edição de imagem, fotos e vídeos. Além disso, acabamos por organizar bastantes eventos, nomeadamente a maior hackathon da zona centro (…) Aquilo que me fez entrar nesta júnior empresa foi tentar cumprir o meu objetivo de desenvolver mais soft skills e integrar outros ambientes académicos que não associações de estudantes ou pequenas organizações. O facto de sermos uma empresa e de estarmos a gerir equipas tão grandes ainda tão jovens acaba por ser uma mais-valia e algo realmente desafiante, mas também gratificante.», elucida Rita.

«Somos mais de 1 100 júnior empresários em Portugal, temos mais de 250 projetos por ano e, no ano passado, tivemos um volume de faturação de mais de 400 mil euros. A nível global, somos mais de 1 700 Júnior Empresas, mais de 65 mil júnior empresários e temos uma faturação anual de 16 milhões.»

Soraia Sousa, ex-presidente da ISCAC Junior Solutions, Júnior Empresa da Coimbra Business School (ISCAC)

Já Diogo Santos, presidente da JEEFEUC, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, explica que «foi a possibilidade de, enquanto estudo, já estar a fazer serviços e a trabalhar com pessoas com quem vou trabalhar mais tarde», bem como «poder adquirir conhecimento extracurricular, permitindo aumentar o meu número de experiências e valorizar-me para quando entrar no mercado trabalho» que o fez juntar-se a uma Júnior Empresa. «Tenho a grande ambição de abrir uma empresa e vi este movimento como uma forma de me aproximar ao que é necessário para tal», revela ainda.

«A JEEFEUC tem um core business em consultoria e gestão. Fazemos serviços ligados a estratégias de negócio, estudos de mercado, marketing e quality certification. Na vertente da estratégia de negócio, temos desde análises financeiras, a planos de negócios, análises de investimentos, benchmarking, diagnósticos do mercado, análise de concorrência, estratégia de marketing digital, rebranding e gestão de redes sociais», esclarece Diogo.

A ISCAC Junior Solutions, a jeKnowledge e a JEEFEUC são as três Júnior Empresas atualmente existentes em Coimbra, mas há ainda Júnior Iniciativas como a JEST, a Liga PIEUC, a Molecular, a Pollux ou a Solve, sobre a qual até já puderam ler na Coimbra Coolectiva. O que são Júnior Iniciativas? «O passo anterior a uma Júnior Empresa. É como se fosse uma startup. Quando uma startup se vincula com uma empresa, acaba a ser a Júnior Empresa», explica Soraia, acrescentando que estas iniciativas só “sobem de nível” após reunirem certas condições, passarem uma auditoria, receberem o parecer positivo da JE Portugal – Junior Enterprises Portugal, a federação nacional de Júnior Empresas – e serem avaliadas em Assembleia Geral.

Às muitas semelhanças com uma empresa real, opõe-se outras duas diferenças: a remuneração e o horário. «Em Portugal não temos remuneração, ao contrário do que acontece, por exemplo, em França. Aqui, as Júnior Empresas que têm um volume de negócios e uma faturação muito elevada podem dar algum tipo de valor voluntário aos seus membros. No entanto, acima de tudo, investimos nas experiências dos juniores. Pagamos a presença em eventos de network ou em formações e há planos de benefícios internos de cada Júnior Empresa para, por exemplo, os melhores comerciais. Também podemos pagar um evento internacional, um evento nacional, um livro, um curso…», aclara Soraia.

Direção da JEEFEUC, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra 2023/2024

Quanto ao horário, Soraia aponta a cerca de uma hora por dia, embora o número seja variável, porque, para além de tarefas fixas como reuniões semanais ou mensais, cuja duração «pode aumentar um bocadinho mais, porque há sempre jantar antes para a malta conviver», há o «trabalho autónomo de cada membro, que tem as tarefas que o seu manager lhe apresenta e um deadline para cumprir». O grande desafio passa por conjugar o trabalho e os estudos, mas Soraia assegura que têm sempre em atenção o momento e a carga de trabalho, sobretudo em altura de exames. «A Júnior Empresa deve ser a segunda prioridade depois do curso. (…) Quando os nossos membros não estão bem, queremos sempre que venham falar connosco. Fazemos reuniões e temos bastante atenção ao desenvolvimento da licenciatura e ao possível cansaço psicológico», garante.

Os serviços destas Júnior Empresas estão acessíveis a qualquer empresa, por um preço reduzido. Soraia expõe que a desconfiança em jovens estudantes por vezes penaliza estas organizações, porém, clarifica que não há razão para tal, referindo que trabalham com «um conselho técnico formado por professores com os seus próprios negócios». A jovem empresária que, entretanto, deu o salto e já está a trabalhar numa empresa real, deixa o apelo a «micro, pequenas ou médias empresas [para] explorarem os serviços prestados por Júnior Empresas».

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