Há poucas semanas, oficializou-se a entrada de mais uma empresa multinacional na zona da Baixa de Coimbra. A consultora Accenture inaugurou o Coimbra Advanced Technology Center na Torre do Arnado, a funcionar em modo soft start desde março do ano passado. É o terceiro centro de tecnologia avançada que a consultora implementa no país, com o objectivo de prestar serviços e soluções de tecnologia e inovação altamente especializados para clientes de todo o mundo.«Coimbra tem o nosso foco durante os próximos tempos», garante Susana Mata, responsável pelos centros tecnológicos, depois do sucesso da empresa em Lisboa e em Braga:
Licenciada em Engenharia Química pela Universidade de Coimbra (UC), a managing director diz que Coimbra sempre foi uma opção óbvia na mesa. «Essencialmente por causa da Universidade, que tem muito talento nas áreas em que normalmente recrutamos.» Realçando que se trata de trabalho muito qualificado – todos os contratados têm no mínimo uma licenciatura e 62% têm mestrado –, Mata revelou que 70% dos profissionais efectivos chegaram da UC, sem prejuízo de contratarem também pessoas formadas por outras instituições académicas, como o Instituto Politécnico de Coimbra.

«Ainda estamos a recrutar e temos muita procura, pois o talento português é muito reconhecido pela sua qualidade», notou também a presidente da Accenture Portugal, Manuela Vaz. «Neste momento, o objectivo nos advance technology centers é de contratar perfis mais técnicos. Mas, cada vez mais, à medida que a tecnologia avança e que as novas necessidades aparecem, outros peritos e áreas como o Direito, por exemplo, vão-se incorporando na forma como nós construímos as equipas.» Este centro de Coimbra contratou mais de 100 pessoas em apenas seis meses.
Susana Mata explica ainda que é a procura que conseguem gerar internacionalmente que dita a quantidade de postos de trabalho, confiante de que o número vai subir rapidamente.
No mesmo momento, tivemos oportunidade de conversar com Inês Sousa, Leonor Carreiro, Joel Calado Ramalho, Jorge Miguel Cordeiro e Pedro Carrasqueira, a equipa de estudantes da Faculdade de Economia da UC, Accenture/Next Level, que venceu a mais recente edição nacional da competição internacional de estratégia e gestão Global Management Challenge. Competiram com 488 equipas e vão representar Portugal na final internacional, na Índia. Do grupo, apenas Inês estuda Gestão e o resto frequenta o curso de economia. Todos escolheram estudar na UC, até Leonor, que é lisboeta. «Inicialmente tinha a ideia de pedir transferência para Lisboa, mas fiquei tão apaixonada por Coimbra que decidi que era aqui que queria ficar». E remata: «Acho que isto é só mais uma prova de que não devemos subestimar ninguém.»

A equipa está a ponderar possibilidades em relação ao futuro profissional, mas Jorge Cordeiro assegura que já é uma honra levar o mérito da faculdade e da cidade para a ribalta nacional e internacional, além de notar que «há cada vez mais esse esforço para que Coimbra se possa destacar face às outras cidades». «Aqui no centro da cidade e da Baixa há cada vez mais esse esforço para que empresas de outros locais e países venham também ter aqui escritórios», sublinha.
«Todo o potencial dos 8500 talentos formados por ano em Coimbra são a nossa grande riqueza e a instalação de empresas multinacionais é fundamental para trazer uma nova vida para a cidade», comentou o presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC). «A inauguração da Accenture, já com 120 postos de trabalho criados na Baixa, é um sinal que estamos a trabalhar para isso e os resultados vão-se ver a curto e médio prazo», destacou José Manuel Silva.
Para a zona do Arnado, a CMC projecta um epicentro profissional que sirva como exemplo a outros pólos empresariais na cidade. «Esperamos que, com a construção do Palácio da Justiça, sejam libertados espaços nesta torre, que é já uma referência histórica. Queremos dar este sinal ao mundo empresarial, trazendo multinacionais para a cidade e mostrando que vale a pena investir em Coimbra», rematou o autarca.
A mensagem de incentivo surge na mesma altura em que um grupo de cidadãos denuncia problemas de segurança na Baixa e está a alertar para a fuga de investimento, o que levou já a CMC a reforçar a instalação de câmaras de videovigilância, com José Manuel Silva a considerar, no entanto, que «a ideia de um clima de insegurança naquela zona é exagerada».
A Baixa cativou já várias empresas tecnológicas, como a AirBus GBS, o Nest Collective ou o Bloco, e ainda este ano a Critical Software espera avançar com o projecto de requalificação do antigo edifício da Coimbra Editora, que funcionará como centro de desenvolvimento da empresa, com capacidade para 500 trabalhadores.
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