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Entre Sonhos e Palcos

As histórias que não podem esperar: Entre Sonhos e Palcos dá voz ao passado

Num mundo acelerado, Cristina Nobre, Susana Gonçalves e Beatriz Melo criaram um serviço único que captura memórias de idosos em vídeo ou escrita, transformando histórias pessoais em presentes eternos para famílias e comunidades.

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Fotografia: Vilma Reis

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Numa mesa partilhada no evento de aceleração do Fator C’Idade, três mulheres cruzaram olhares e ideias que, juntas, ganharam forma poética: Cristina Nobre, Susana Gonçalves e Beatriz Melo criaram Entre Sonhos e Palcos, um projeto que devolve aos idosos o protagonismo das próprias vidas, capturando histórias, memórias e afetos num registo único e tangível.

Susana Gonçalves, 34 anos, nascida em Viseu mas radicada em Coimbra desde os estudos de teatro e educação, sempre trabalhou na área cénica. Beatriz Melo, 31 anos, coimbrã de gema e também formada em teatro, traz a experiência recente com idosos que a deixou com «uma vontade de continuar esse caminho». Cristina Nobre, 43 anos, que nasceu em França e veio para Portugal onde se licenciou em comunicação organizacional e marketing, hoje trabalha com formação em comunicação consciente e humanizada e é autora do livro infantil O abraço mágico do avô Kiko e especializada em educação para a saúde. Cristina descobriu no impacto da leitura e escrita uma forma de combater o isolamento sénior: «No primeiro dia ficámos na mesma mesa e foi amor à primeira vista», recorda, que juntou a sua paixão pela leitura às ideias iniciais de teatro de Beatriz e Susana.

O projeto nasceu dessa fusão natural: sessões de teatro onde os participantes criam e encenam peças baseadas nas suas memórias; encontros de leitura partilhada, com escolhas livres e conversas profundas; e oficinas de recolha de histórias de vida, registadas em vídeo ou escrita. «Queremos encapsular as histórias das pessoas, seja através de vídeo, escrita ou até uma peça de teatro», explicam. O foco é personalizado — ir ao encontro do idoso, no local que o conforta, com objetos, fotos e músicas significativas, seguindo um guião suave que percorre a vida desde a infância, passando por trabalhos, amores e tradições. «É um presente para quem cá fica, algo que representa aquela pessoa querida», diz Susana.

Apesar das rotinas intensas — Susana dá aulas de expressão musical e dramática, cria caixas de teatro infantil e colabora em espetáculos; Beatriz leciona comunicação consciente e trabalha em estimulação cognitiva; Cristina ministra aulas de comunicação e marketing e formação de comunicação consciente —, as três encontram tempo para o projeto. «Quando estamos juntas, paramos e a energia esquenta», confessam. Incubado no Fator C’Idade, o sonho avança devagar, mas com convicção: «Todos os projetos têm os seus timings».

O que as move? Necessidades pessoais e sociais. Beatriz começou a registar histórias do pai; Cristina adora ouvir os pais, os familiares e outros séniores recordarem as suas infâncias duras, com falta de comida e trabalho precoce; Susana sente a urgência de fixar relatos que a família ouve repetidamente, mas esquece. Num mundo a cada dia mais corrido, onde «a família tem menos tempo para ouvir», Entre Sonhos e Palcos surge como ponte: transforma conversas em legados digitais ou impressos, acessíveis a netos e bisnetos.

O impacto além da família: contra o esquecimento colectivo

O projeto vai mais longe que o familiar. Num Portugal envelhecido, onde idosos crescem mas projetos sénior escasseiam, visa lares e instituições, combatendo isolamento sem elitismo — graças a financiamentos futuros. «Nem todos têm poder económico, mas todos merecem ser especiais», enfatizam. O processo vale tanto como o produto: uma hora de escuta dedicada pode mudar tudo. Histórias anónimas iluminam o passado pobre, revelam soluções para crises atuais como a fome ou hortas caseiras e ensinam jovens a parar na roda viva digital. «Vamos trazer o contacto olhos nos olhos que perdemos», dizem.

O apelo à comunidade: mãos para construir sonhos

Para 2026, pedem apoio concreto: doação de equipamento de vídeo, editores ou orientadores técnicos, psicólogos para momentos sensíveis e voluntários dispostos a aprender — de varrer salas a participar em sessões. «Todo braço é braço», brincam, mas com seriedade: querem qualidade antes dos primeiros clientes. «Entre Sonhos e Palcos prova que envelhecer é acumular tesouros. E que, com escuta ativa, esses tesouros podem iluminar gerações».

Fator C’Idade é um projeto do Instituto Pedro Nunes, da Fundação Bissaya Barreto e da Coimbra Coolectiva. São investidores sociais do projeto a Câmara Municipal de Coimbra, a Climacer, a Black Monster Media e a GEHC – Global Elderly Health Care. A operação Fator C’Idade – Empreendedorismo Sénior e de Impacto em Coimbra é apoiada pelo Portugal Inovação Social, pelo Centro 2030, pelo Portugal 2030 e pela União Europeia. Os Fundos Europeus Mais Próximos de Si.

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