Uma hackathon é uma maratona de programação onde pessoas ligadas à área da tecnologia se reúnem durante horas, dias ou até semanas para criar, discutir ideias e desenvolver projetos de software ou mesmo hardware. Francisca Laureano e Íris Pereira são estudantes do Mestrado de Design e Multimédia no Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e este ano são as coordenadoras gerais do Shift APPens, agora integrado no projecto First Foundation.

Este ano na 9.ª edição, são 34 os estudantes do DEI que preparam em conjunto a competição de ideias na área da programação informática, desafiando jovens de todo o país, acompanhados por quem quiserem, a desenvolver um projecto tecnológico em apenas 48 horas, com qualquer tema e utilizando qualquer ferramenta. A ideia é que quem participe se divirta com os colegas de equipa, ao mesmo tempo que partilha conhecimento e também contacta com as empresas parceiras. No final, cada equipa, que pode ter de dois a quatro elementos, lança o seu pitch ao júri que avalia em termos de potencial de implementação, conceito e técnica.
Origem da hackathon
O ShiftAPPens é fruto do encontro entre o Núcleo de Estudantes de Informática e o jeKnowledge, a Júnior empresa da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, fundada em 2008. Desde a primeira edição em 2014, realizada no Departamento de Engenharia Informática para 50 pessoas, a competição chegou a triplicar o número de participantes em 2017. Em 2021 a competição realizou-se na mesma mas online, devido à pandemia de covid-19, e «foi um sucesso, participaram pessoas de vários sítios que se calhar se fosse presencial não participariam», nas palavras das organizadoras. No ano passado foram 120 a concorrer no Pavilhão C. F. União de Coimbra.
O local da edição deste ano ainda está por definir, mas já há data e as inscrições estão abertas. Vai ser nos dias 14, 15 e 16 de Abril.
Como funciona?
Quem quiser participar tem até dia 7 de Abril para se inscrever através do formulário disponibilizado no site oficial do Shift APPens, seja estudante ou não. O desafio é feito aos mais jovens, mas podem juntar à sua equipa estudantes, engenheiros, designers e professores de qualquer idade desde que alinhem todos na aventura de corpo e alma. «Uma das equipas que ganhou o ano passado (…) não era de estudantes, [mas] pelo menos uma delas já tinha estudado no DEI [Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra], até já tinha sido um dos coordenadores do Shift de há três ou quatro anos.» O preço é 8€ para estudantes e 15€ para não estudantes.
Ao longo de 48 horas, os participantes desenvolvem as ideias tecnológicas e têm direito às refeições, incluídas no preço do bilhete. Depois das 48 horas, apresentam os projectos que são votados por um júri e a ideia desenvolvida é inteiramente da equipa. Os membros podem decidir o que fazer com ela, tendo em conta que estão grandes empresas parceiras no evento com os ouvidos bem abertos, como o Instituto Pedro Nunes e empresas como a Critical Software, a RedLight e a Feedzai, que também lançam desafios personalizados aos participantes.

«Muitas vezes até acabam por pegar no desafio personalizado das empresas para também fazer o desafio no seu grande (…) porque já sabem que aquela empresa qualquer coisa também pode ajudar.» Francisca Laureano explicou-nos que o Shift APPens não consiste só na realização e implementação do projeto, existem outras atividades a acontecer que são organizadas pela organização, como jogos preparados para acrescentar diversão ao desafio de trabalhar em contra-relógio. «No ano passado tivemos o jogo das cadeiras, em intervalos mais curtinhos de uma hora ou meia hora, para [os participantes] descontraírem um bocadinho e também tivemos uma competição de Twister.»
Desde o início do mês que o Shift APPens já anda a deixar sementes nas escolas secundárias de Coimbra através do novo Shift Academy. Os jovens interessados participam numa talk sobre como criar um projeto e uma mini competição onde têm de formular um pensamento à volta de um problema do seu dia-a-dia no sítio onde estudam. O prémio é a entrada gratuita no Shift, que este ano conta com o apoio da Coimbra Coolectiva que no dia 14 de Abril dinamiza uma mesa redonda com tema ainda a definir. Entretanto também serão revelados os prémios e o local do evento este ano.
