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Coimbra depois do incêndio: o que é preciso fazer?

O fogo nas Carvalhosas deixou um rasto de preocupação, não só pelo caminho a seguir para mitigar o risco de incêndio no futuro, mas pela preocupação mais imediata, da necessidade de reposição dos solos antes da chegada das chuvas.

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Fotografia: Mário Canelas

Esta semana, o país mobilizou milhares de bombeiros e outros operacionais, centenas de meios terrestres e um pedido de ajuda internacional para o combate aos incêndios.

Coimbra foi atingida pelas chamas, que lavraram na freguesia de Torres do Mondego, um lugar que é porta de entrada de fogos na cidade de Coimbra.

Na sequência da primeira reportagem da série Estados Unidos de Coimbra, voltámos a contactar Paulo Cardoso, Presidente da Junta de Freguesia de Torres do Mondego, para saber mais sobre o impacto do incêndio que deflagrou no dia 16 de setembro e sobre as soluções que aponta para que esta situação não se repita.

Impacto na freguesia e economia local

De acordo com Paulo Cardoso, o principal impacto do incêndio nas Torres do Mondego “foram muitas propriedades essencialmente florestais afectadas, e também propriedades agrícolas, junto à serra: alguns barracões queimados, tanques de água derretidos, esse tipo de acção que o fogo provoca nestes territórios.”

Uma necessidade mais premente, que será comunicada pela Junta de Freguesia às autoridades competentes, prende-se com “a reposição dos solos, para antecipar as chuvas, para termos apoios para que o impacto do fogo não seja tão acentuado na época que vamos viver a seguir, já que as derrocadas serão mais fáceis de ocorrer, pela falta de vegetação nos solos”.

Questionado sobre a existência de iniciativas de apoio à comunidade residente na freguesia, o Presidente da Junta entende que “ainda é tudo muito recente, neste momento não há nada a decorrer, ainda ninguém reportou diretamente à Junta prejuízos que justifiquem lançar uma campanha deste estilo.” 

Acesso às Carvalhosas

Quanto ao acesso às Carvalhosas, foi há menos de dois meses que Paulo Cardoso, numa reunião da Câmara Municipal de Coimbra, tinha assinalado a demora na resolução de uma derrocada na estrada das Carvalhosas e a necessidade de asfaltar um estradão que liga uma parte das Carvalhosas à estrada das Lagoas. Nessa ocasião, deixou um alerta: “no caso de acontecer algum acidente grave ou alguma derrocada ainda maior do que aquela, na estrada principal, não há fuga para as pessoas das Carvalhosas.”

Paulo Cardoso considera que os constrangimentos existentes “não foram obstáculos que impedissem o socorro e apoio à população”.

Degradação dos caminhos florestais

Na verdade, a principal crítica apontada é o estado de degradação dos caminhos florestais, “por acção quer dos madeireiros, quer das próprias intempéries que, ao longo dos invernos, foram degradando esses caminhos florestais e trouxeram algumas dificuldades”.

A responsabilidade pela manutenção e criação de caminhos florestais compete ao Município de Coimbra, e Paulo Cardoso sugere que “poderá ser das juntas se houver uma delegação de competências. Até agora não houve, portanto isso mantém-se na esfera do Município, nomeadamente no Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios, que previa a abertura e alargamento de alguns dos caminhos florestais principais.”

Esta é uma discussão que envolve o país, não é só as Torres [do Mondego]. Temos uma mancha florestal enorme mas, como se viu com esta onda de incêndios, o país tem de passar a olhar para a floresta de maneira diferente. (Paulo Cardoso)

Respostas necessárias

O recente incêndio que devastou a freguesia de Torres do Mondego voltou a expor a fragilidade da gestão florestal na região e a falta de ações preventivas eficazes. O fogo, que destruiu diversas propriedades florestais e agrícolas, destacou problemas que o Presidente da Junta já havia alertado anteriormente: “são questões que há muito tempo andamos a suscitar e que continuam sem uma resolução à vista”.Paulo Cardoso sublinhou: “esta é uma discussão que envolve o país, não é só as Torres [do Mondego]. Temos uma mancha florestal enorme mas, como se viu com esta onda de incêndios, o país tem de passar a olhar para a floresta de maneira diferente. Se houvesse boa vontade de todos os intervenientes, poderíamos ser pioneiros em tentar fazer algo interessante nestas zonas”, acrescentou Cardoso, apelando a uma ação conjunta para prevenir tragédias futuras.

Coordenação e apoio das autoridades competentes durante o incêndio

Durante os dias de combate ao incêndio nas Torres do Mondego, considera que a coordenação com as entidades locais correu muito bem, “de tal maneira que conseguimos suster o fogo e ele não avançou para outras zonas que poderiam trazer perigo para a cidade.”

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