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Exposição de homenagem ao Mendigus Basilius

No fim-de-semana há Feira Medieval de Coimbra e «o Mendigo Basilius vive»

Regressa depois de um interregno de três anos e num formato mais alargado. Durante três dias, a cidade recua no tempo e na sua própria história com uma homenagem a uma das suas personagens mais famosas.

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Fotografia: Mário Canelas e Francisco Oliveira

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Exposição de homenagem ao Mendigus Basilius

Joaquim Vieira Basílio começou a mendigar em 1992, ao pé da Sé Velha, especialmente para a Feira Medieval de Coimbra. A personagem, batizada de Mendigo Basilius, intrigava os visitantes que tinham dificuldade em entender se aquilo era uma performance ou se um verdadeiro pedinte estava ali para ganhar uns trocados. A cada ano a personagem crescia, Joaquim investia em maquiagem especial e adereços. Crescia também o número de recriações medievais em Portugal, hoje são mais de 40 feiras, mas Coimbra foi pioneira: em 1992 o certame surgiu numa parceria da câmara com o INATEL e a Associação para o Desenvolvimento e Defesa da Alta de Coimbra. Em 2013, a autarquia assumiu por inteiro a organização, mas continua a colaborar com entidades locais, grupos de teatro e dezenas de figurantes.

Este ano, a Feira Medieval de Coimbra retorna (após três anos de interregno) sem a presença de Joaquim, falecido em 2017, mas com outro Basílio a mendigar. O filho, João Pedro Polónio, pretende substituí-lo numa atuação-homenagem: «Meu pai era um homem inacreditável, ele era uma personagem para além do mendigo, Joaquim Basílio era uma personagem, entende? Atuava em casa e no emprego, no autocarro vinha sempre a falar com as pessoas, um dia se dizia pintor, no outro era um médico, outro dia se fazia de louco, eram todas performances – e ele não bebia álcool!», conta João, conhecido por Jonas, um dos proprietários do Café Mónaco, onde recebeu a Coimbra Coolectiva para a entrevista.

Jonas fala sobre o pai com a voz impregnada de admiração. Conta que tem percorrido os vários álbuns de fotografias e recortes de jornais sobre o Mendigo Basilius, organizado por Joaquim ao longo de 25 anos, e que pretende editar um livro com todo o material. Revela que vai trazer de volta a personagem já neste fim de semana, no Largo da Sé Velha, na 28ª edição do evento e atira que Coimbra foi pequenina nas homenagens ao pai: «É a minha opinião, mas sou filho. Algumas pessoas portaram-se muito mal com o meu pai, descobrimos isso quando encontramos um caderno com as anotações de dívidas, dinheiro que lhe ficaram a dever por várias atuações do mendigo e nunca fomos contactados por causa disso. Mas este ano eu deixei crescer a minha barba anárquica e vou homenageá-lo: o Mendigo Basilius vive!»

Evasão

Qual será o motivo para tanto fascínio pelo Medievalismo? O fenómeno das recriações – que começou em Inglaterra com os nobres a abrirem as propriedades aos visitantes – hoje é mote para videojogos, séries de televisão, filmes e livros.

Lurdes Craveiro é Doutorada em História da Arte pela FLUC e docente, desde 1988, no Instituto de História da Arte desta Faculdade.

Para Lurdes Craveiro, professora de História na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e diretora do Museu Machado de Castro, esse deslumbramento passa pela adesão emocional a um momento histórico: «São tempos muito distantes e aparentemente muito desligados do nosso tempo, creio que aquilo que mobiliza as pessoas é a necessidade de evasão, as pessoas precisam, de alguma forma, se alhear das dificuldades que as rodeiam todos os dias. É certo que isto também funcionaria a partir de uma ida ao cinema, da leitura de um livro, dessa mesma forma nos alheamos de uma realidade que nos pesa. Mas nas recriações históricas, como as feiras medievais, somos confrontados com um outro mundo e temos a capacidade de estar defronte a uma realidade onde podemos participar lateralmente», explica Lurdes.

Lurdes fala ainda que existem pontos de contacto destas feiras com as estruturas musealizadas, como o Machado de Castro: «Este museu tem instalada toda uma dinâmica medieval, uma encenação que pretende ser atrativa e pedagógica e que carrega consigo um ensaio interpretativo para que as pessoas sejam conduzidas de diferentes modos, num espaço criteriosamente pensado e organizado a partir de vários domínios científicos. Os pontos de contacto são muitos, é claro que dentro de um museu o rigor cientifico está mais presente, mas participar de uma feira medieval nos traz uma genuína adesão emocional a um tempo.»

Recuar no tempo

A 28ª Feira Medieval de Coimbra acontece de 21 a 23 de julho, numa edição que não fica mais circunscrita apenas ao largo da Sé Velha, mas que se estende pela primeira vez ao Quebra Costas e rua do Norte, no Arco da Almedina. A edição deste ano tem um formato mais alargado, o primeiro dia, sexta-feira, começa às 19h com uma encenação da aclamação de D. João, Mestre de Avis, como Rei de Portugal, nas Cortes de Coimbra e depois acontece uma ceia medieval nos claustros da Sé Velha. O dia seguinte será longo com a participação de várias associações locais com as suas tabernas e bancas espalhadas ao longo do perímetro da feira, desde 10h até 23h.

O domingo começa logo cedo com a arruada pelo Burgo e Auto de Abertura do Mercado, um Cortejo Régio e a nomeação, por D. João de Portugal, de D. Nuno Álvares Pereira como Condestável do Reino. Lá vão estar a trabalhar o ferrador, o barbeiro, o tabelião das notas, as tecedeiras, os latoeiros e cesteiros. Vendedores de lã, velas de cera de abelha e vassouras de painço, saltimbancos, acrobatas e malabaristas, encantadores de serpentes e falcoeiros, bruxas na fogueira.

A Alta da cidade volta a cheirar fêveras de porco, costeletas de javali e sardinhas assadas nas brasas, servidas em folhas de couve ou em pão de centeio. Também os manjares de leite e mel, as peras (bem) bêbadas, as tigeladas, sopa da pedra e, claro, o glorioso néctar dos deuses… In vino veritas.

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