Foi durante a pandemia que João Monteiro, engenheiro civil e professor universitário, decidiu dar um novo rumo à sua relação com a cidade que conhece tão bem. Habitualmente dedicado a pensar o território em mapas, fluxos e sistemas, João viu na reabilitação de casas de desconhecidos que enfrentavam dificuldades uma forma concreta de transformar realidades. Como vice-presidente e um dos fundadores da Reabilita Coimbra, associação que combate a pobreza habitacional, João alia ciência e ação social para promover condições dignas de vida.
«No fundo, acho que estamos numa sociedade cada vez com menos empatia e querendo viver as suas vidas», observa João. Ele destaca que «Eu sei que todos têm os seus problemas e os seus desafios. E às vezes os nossos desafios parecem muito grandes, e são, mas para algumas pessoas os desafios são maiores». E reforça: «A feira é uma oportunidade de pensar nisso: unir as pessoas e unir as associações que ajudam pessoas». A feira que João Monteiro menciona é a segunda edição da ACT – Agir, Construir e Transformar, uma feira de voluntariado que acontece durante todo o dia de sábado, 29 de novembro, no Convento São Francisco, em Coimbra, para provocar na cidade uma onda de solidariedade e cidadania ativa.
Entre os colaboradores engajados no evento está Gustavo Assunção, professor e investigador em engenharia eletrotécnica na Universidade de Coimbra, que se juntou à Reabilita Coimbra para contribuir ativamente para a comunidade: «Espero que a feira tenha um impacto a nível de mobilização dos conimbricenses. Queremos realmente mostrar a variedade de maneiras que cada um tem à escolha para ajudar a nível social.» Gustavo acredita que a edição deste ano será ainda maior e mais participativa do que a de 2024.
André Calapez, voluntário dedicado ao planeamento e preparação da feira, partilha o seu entusiasmo: «Estamos todos ansiosos por esta feira, visto que desta vez vai ser o dobro da realizada no ano passado. Portanto, entusiasmo não falta! Espero ver muitas entidades e pessoas a partilhar este desejo de ajudar quem precisa em momentos difíceis.» Para ele, o contacto com realidades diversas amplia a empatia e estimula a vontade contínua de ajudar: «Ajudar passa a ser uma parte de nós. Não estamos sozinhos nem deixamos ninguém sozinho. É viver em sociedade. Que melhor futuro há?»


Nesta segunda edição, a ACT reúne mais de 45 associações que atuam em áreas como ação social, habitação, juventude, saúde, ambiente, cultura e participação comunitária. O programa estende-se das 10h às 19h e inclui mesas redondas, atividades interativas, showcases musicais, espaço dedicado ao TUMO e uma zona de alimentação com parceiros como DOPPO, Feeling Green, Aurora Cafés e Focca. Tudo gira em torno do movimento de voluntariado que está vivo e recomenda-se. A Coimbra Coolectiva participa do evento para informar e mobilizar a comunidade local, divulgando também a nossa recente chamada de voluntários para desenvolver diversas áreas de atividade junto da comunidade coimbrã.
Já sob as luzes de Natal que começam a surgir na cidade, a feira de voluntariado ACT apostou em alternativas ao consumismo desenfreado que a época traz: algumas associações apresentarão prendas solidárias produzidas especialmente para um público que valoriza materiais feitos à mão ou reutilizados, evitando desperdício e custos desnecessários. Essa é uma forma de valorizar cooperação e responsabilidade social, um convite para fugir da compra por impulso. Como afirma João Monteiro, «pode ser uma excelente oportunidade para encontrar prendas que fazem a diferença, para quem quer ajudar de verdade e fugir ao comum.»
Este sábado será todo ele feito de conexão com propósito, criação de pontes e união de esforços para afastar a desculpa do gostava de ajudar mais a minha comunidade, mas não sei por onde começar.

