Contribuir small-arrow

Quando o M de Mãe é meu

Lara Lima Directora BmQ, Terapeuta e Coach lara@bmqbylaralima.com         Dezoito anos a acompanhar grávidas permitem-me chegar à conclusão de que, independentemente de ter sido uma gravidez planeada ou não, e planeada há um dia ou há uma década, o pânico no momento em que se vêem os dois tracinhos no teste de […]

Partilha

Lara LimaLara Lima
Directora BmQ, Terapeuta e Coach
lara@bmqbylaralima.com

 

 

 

 

Dezoito anos a acompanhar grávidas permitem-me chegar à conclusão de que, independentemente de ter sido uma gravidez planeada ou não, e planeada há um dia ou há uma década, o pânico no momento em que se vêem os dois tracinhos no teste de gravidez é geral. Estou grávida, estou grávida, ESTOU GRÁVIDA. E agora? Nesse momento qualquer desejo, qualquer plano, se transforma numa montanha russa de emoções. É essa a 1ª lição da Mãe Natureza:

#1 – ser Mãe é uma esquizofrenia de emoções, um Divino Mistério.

Numa fracção de segundos, a filha dá lugar à Mãe, e agora o M de Mãe é meu. Mas apesar de sabê-lo no meu íntimo, fruto da sabedoria ancestral que herdei ao nascer mulher, o ego ainda não tem noção do que isso significa, mesmo que já consiga sentir o friozinho na barriga. Ainda o M não teve tempo para se pôr confortável na palavra, e já mil campainhas soam na mente. Começo a sentir uma capacidade de super Ser, de pensar em mil coisas ao mesmo tempo, não apenas com o intuito de não me esquecer de nada, mas antecipando todos os cenários das minhas escolhas. Chega a 2ª lição:

#2 – ser Mãe é pensar constantemente em mil cenários e tomar cada decisão como a mais importante de sempre numa vontade secreta e constante de acertar sempre.

Ainda não sinto o bebé, talvez ainda nem o tenha assumido, mas já me sinto culpada, mesmo que não o assuma. A culpa de  dar uma passa no cigarro, de terminar o copo de vinho, de apertar o cinto que comprei nos saldos ou de usar aquela calça apertada que me lembra de recusar o próximo quadradinho de chocolate. De repente, sinto-me aprisionada num corpo que já não é só meu. Mais ou menos como dividir a minha cama com um desconhecido. E, de mansinho, chega a 3ª lição:

#3 – ser Mãe é deixar de usar o corpo como ferramenta de sedução e passar a vê-lo como gestora de um SPA em período de certificação.

Não obstante todas as lições que vou recebendo da Mãe Natureza sem pedir, aparecem alguns bónus que me asseguram de que não me esqueço, nem por um segundo, de que ele já está cá dentro. É possível que o acordar comece a ser uma surpresa constante, que o aroma do café possa passar a parecer WC Pato, e que o estado de graça passe a não ter graça nenhuma. O facto de a barriga passar a ser de domínio público traz a 4ª lição:

#4 – ser Mãe é dizer adeus à liberdade de expressão das tuas vontades, e dizer olá com um sorriso à debanda de Mães de bancada que te olham sempre, independentemente do que faças ou digas, com comiseração ou reprovação.

Entre consultas e ecografias, vais começando a duvidar que a gravidez seja, de facto, algo natural. Começas a pensar que devia vir com livro de instruções e procuras a melhor bíblia para te ensinar o que até aqui julgavas que era natural. Duvidas não só da tua capacidade para ser Mãe, como passas a admirar a tua Mãe por ter passado por tudo isto sem epidural, sem internet e sem baixa. Lição nº 5:

#5 – ser Mãe é não ter sequer a certeza das próprias dúvidas.

E assim, aos tropeções, passam 9 meses. Ou serão 40 semanas? O dia chega. Como é sabes que chega? Fácil: se tiveres dúvidas, é porque ainda não chegou. O dia da coroação do M de Mãe é um dia inesquecível. Tão inesquecível que o esqueces, e esta é a maior lição de todas:

#6 – ser Mãe é ter todas as certezas e esquecê-las em segundos.

Num segundo momento, semelhante ao do início deste texto, és coroada Mãe. Tu que já te sentias Mãe, descobres que afinal ser Mãe é muito diferente. E nem sequer ficas a saber no momento em que te é apresentado o teu bebé. O M de Mãe é apenas o início de uma palavra Maior. Uma palavra onde cabe todo um Universo de Seres que habitam dentro de ti, e que aos poucos se vão apresentando. Ser Mãe é um Divino Mistério, mas um Mistério Doce, que te envolve, e do qual não tens pressa de descobrir o final. É um mistério para ser vivido como a vida – com tempo, com muitas dúvidas, mas sem perder o amor. Nesse momento uma lição que, não sendo a última, te servirá para sempre:

#7 – Ser Mãe é incluir os filhos no plano de fuga!

 

Mais Histórias

Construindo futuros verdes onde a persistência cultiva a natureza

Luís Silva transformou o desejo de um espaço para as suas crianças em um projeto de vida maior, criando o Ninho de Aventuras em Cernache, Coimbra. Incubado pelo Fator C’Idade, o parque conecta várias gerações através do contato direto com a natureza.

quote-icon
Ler mais small-arrow

Sem meias palavras, só respostas diretas

Coimbra Coolectiva e TUMO juntam candidatos e estudantes em frente a frente sem blá-blá-blá

quote-icon
Ler mais small-arrow

Cafés e restaurantes felizes com crianças dentro

Para algumas famílias, a Páscoa voltou a mostrar que sentar toda a gente numa mesa fora de casa, sem choro nem birras continua a ser um desafio. Destacamos espaços em Coimbra que vão além do menu infantil e dos lápis de cor para oferecer refeições tranquilas a miúdos e graúdos – em qualquer altura do ano.

quote-icon
Ler mais small-arrow
Contribuir small-arrow

Discover more from Coimbra Coolectiva

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading